quinta-feira, 24 de março de 2016
segunda-feira, 14 de março de 2016
Pelos caminhos...........
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| Duarte Paiva / Associação Conversa Amiga |
Voluntariado:
uma alternativa
ao
sistema laboral mercantil
A minha longa ligação ao voluntariado
fez-me despertar profundamente para o tema do trabalho e de como o vejo hoje.
Nasci e cresci
num sistema laboral o qual nunca questionei ao longo de grande parte da minha
vida pois parecia algo natural, tal como é natural o sol nascer e pôr-se todos
os dias. O nascer e pôr-do-sol não são uma escolha nossa, mas o tipo de sistema
laboral esse sim, é. Vivemos, atualmente, num sistema de trabalho mercantil, ou
seja, o nosso trabalho, esforço e tempo são uma mercadoria transacionável e
sujeita às “leis de mercado” do capital. Isto dita o acesso às condições
mínimas de sobrevivência, logo trabalhar não é uma escolha, mas sim uma
obrigação que pode não estar em concordância com as nossas vocações e vontades.
O tema do
trabalho está hoje intimamente ligado ao tema do capital que mercantilizou o
trabalho – separação da pessoa e do trabalho, a sua capacidade, tornando essa
forma de trabalho uma mercadoria “transacionável fictícia” como refere Karl
Polanyi em a “Grande Transformação”. Já Stuart Mill, em “The Philosophy of
Economics" defende que a Economia Política se caracteriza principalmente
por pressupor que os seres humanos têm como único propósito a persecução da
riqueza “abstraindo-se de todas as outras paixões ou motivações humanas” de
forma racional, ou seja, capazes de escolher entre os meios os que mais se
adequam ao objetivo. É a mecanização da pessoa e a obsessão do lucro como fim
único. Adam Smith em a “Riqueza das Nações”, afirma que “não é da bondade que
podemos esperar o nosso jantar”, mas sim e apenas do interesse pessoal e
egoísta.
Olhando para
estas duas últimas perspetivas, que resumem o egoísmo como participação das
pessoas, penso no trabalho realizado em regime de voluntariado, onde este é
profundamente contrário à “obtenção de riqueza” e neste egoísmo assente no
exclusivo ganho pessoal. O voluntariado parte de uma escolha livre e de vontade
própria de cada pessoa, sem nenhum tipo de recompensa material ou pagamento e
muito menos se reveste de fins lucrativos e da acumulação de riqueza. São
milhões de pessoas que realizam trabalho em regime de voluntariado pelo mundo,
chegando a envolver percentagens muito altas da população ativa em alguns
países. Onde está então a motivação de obtenção de riqueza se no voluntariado
não existe esse fator motivacional? Esta é uma outra economia dado que não é a
obtenção e acumulação de riqueza pessoal a motivação nem a sua base. Em alguns
casos, há até trabalho que apenas faz sentido ser desenvolvido em regime de
voluntariado. Visitar pessoas “doentes num hospital”, por exemplo, não parece
fazer muito sentido no trabalho mercantil, apenas no voluntariado que tem uma
base muito diferente de sistema de valores. Claro que este exemplo é muito
extremo, mas é uma imagem da desunião de valores entre um sistema mercantilista
e um sistema solidário expresso pelo voluntariado. Algumas áreas profissionais ganhariam
profundamente se não houvesse essa ligação mercantilista. Por exemplo, o caso
da saúde, justiça, educação, entre tantas outras.
No entanto é de
convir que sendo o voluntariado uma escolha livre, certamente haveria muitos
trabalhos que não teriam adeptos. A verdade é que cada vez mais as pessoas
estão a ser substituídas pela robótica e sistemas automatizados, onde muitos
desses trabalhos já estão a ser “rejeitados” pelo próprio mercado com a
substituição humana pela máquina (por haver maior eficiência e redução de
custos). Com isto e em poucos anos, o desemprego que envolva a “força braçal”
irá aumentar significativamente nos países desenvolvidos.
Penso que a
questão do trabalho levanta vivamente questões profundas de liberdade, ou seja,
no trabalho mercantil as liberdades são transacionadas havendo uma “aceitação”
baseada na necessidade de sobrevivência da maioria das pessoas, em vez da
vontade. Caso a liberdade não possa ser transacionada como um produto, como no
caso desta economia mercantil, não viveriam as sociedades uma verdadeira
liberdade, democracia, cidadania e inclusão? É importante prestar atenção ao
fator de inclusão que o voluntariado também pode promover. “O voluntariado é um
caminho de inclusão entre grupos populacionais que com frequência são
excluídos, como as mulheres, os jovens e os idosos, pessoas com deficiências,
migrantes…” (Relatório sobre o Estado do Voluntariado Mundial, 2011). Já no
modelo de trabalho mercantil e com a degradação que vimos pelo desemprego,
promovemos não só a falta de liberdade, como a desigualdade e exclusão. O
próprio desemprego faz parte deste sistema dado que pelo desemprego garantem-se
salários mais baixos e cedências a muitos níveis. As pessoas ficam mais
“maleáveis” e os países tornam-se mais “competitivos” pela exploração
facilitada das pessoas.
Num sistema em
que o trabalho mercantil é substituído pelo trabalho voluntário, o paradigma da
sociedade e da vida humana mudaria profundamente onde a igualdade e liberdade
seriam mais uma realidade vivida diariamente do que uma ilusão. Conseguem
imaginar? Acredito que possa ser muito difícil dadas as conceções profundas que
temos sobre o trabalho e mercado onde a nossa utilidade e opções são apenas
definidas pela “procura e oferta”. A nossa existência baseia-se na obtenção de
riqueza que na realidade não passa de uma mera fonte de sobrevivência para a
maioria de nós. Mas o voluntariado não se trata apenas de uma forma de
trabalho, é mais do que isso. Trata-se também de uma forma de participação e
empoderamento das pessoas. No voluntariado as pessoas participam na sociedade
que querem ter, não são apenas espetadoras de um teatro.
Hoje, o trabalho
terá que ser repensado pois já não se trata de apenas “produzir” e “vender”.
Assim, mais do que nunca, a questão laboral é fundamental para desenhar uma
nova sociedade baseada numa economia onde as regras do trabalho como existem
não podem ser as mesmas. De momento convivemos com estes dois sistemas –
solidário e mercantil – onde o mercantil domina profundamente a nossa sociedade
e as nossas consciências. Porém, penso que o voluntariado será cada vez mais
reconhecido como importante podendo oferecer uma forma de organização laboral e
participação futura que nos levará a uma felicidade humana, como ainda não
conhecemos. Um sistema que não dependerá da ganância, mas sim da solidariedade.
No fundo, uma forma de ação para uma economia solidária onde trocamos as
competências e vontades de cada pessoa, e não a sua liberdade. Não seremos
realmente livres enquanto a base do trabalho for a nossa sobrevivência
enriquecendo “uns poucos”. Não creio que haja solidariedade sem liberdade.
Enquanto houver algum tipo de mercantilização do trabalho, haverá sempre um
nível de escravatura.
http://visao.sapo.pt/iniciativas/visaosolidaria/2016-03-10-Voluntariado-uma-alternativa-ao-sistema-laboral-mercantil
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016
Em 2015, Lisboa foi Capital Europeia do Voluntariado
“Lisboa
necessita todos os dias
da energia solidária das pessoas”
Em
jeito de balanço, João Afonso, vereador na Câmara Municipal de Lisboa
responsável pelo pelouro dos Direitos Sociais, explica como a capital, com o
seu reconhecido dinamismo nesta área, aprofundou, durante todo o ano de 2015
como fazer mais e melhor voluntariado.
Lisboa foi, durante 2015, Capital Europeia do Voluntariado. Como
surgiu o envolvimento da CML e o que levou à decisão de candidatar Lisboa a
esta iniciativa?
O
concurso que escolhe a Capital Europeia do Voluntariado tem critérios de
seleção alinhados com a Agenda Política Europeia para o Voluntariado, um
documento que resultou do Ano Europeu do Voluntariado (2011) e que estabelece
recomendações para o desenvolvimento do voluntariado no espaço europeu e nos
serviu de referência. A candidatura de Lisboa, feita a partir do trabalho feito
pelo Banco de Voluntariado do município, proporcionou, desde logo, uma reflexão
a nível interno sobre o ponto a que conseguimos chegar, mas, principalmente,
sobre o trabalho que ainda tínhamos, e temos, por desenvolver. Em segundo
lugar, o quadro de uma potencial Lisboa Capital Europeia do Voluntariado em
2015 proporcionaria melhores condições para desenvolvermos trabalho no domínio
do voluntariado e traria mais oportunidades às pessoas voluntárias e
organizações de voluntariado. Estas foram as razões para decidirmos candidatar
a cidade de Lisboa a Capital Europeia do Voluntariado.
Como foi este processo? Que entidades envolve e porque foi Lisboa
escolhida?
Lisboa
foi escolhida pela relevância do seu trabalho no domínio do voluntariado. O
júri, constituído pela organização promotora do concurso – o Centro Europeu de
Voluntariado -, considerou que foi a cidade candidata que mais próxima estava
das orientações europeias para o Voluntariado e em que o dinamismo desta área
se notava em diferentes vertentes da vida da comunidade.
Que estratégia foi então definida para levar a cabo durante todo o
ano? Que projetos nasceram no seio desta iniciativa?
O
programa Lisboa Capital Europeia do Voluntariado 2015 foi estruturado em três
eixos estratégicos de ação, que resultam do cruzamento entre a Agenda europeia
e as necessidades específicas da cidade.
O
primeiro destes eixos passava pela Qualidade, visando o desenvolvimento das
condições que as pessoas voluntárias encontram nas organizações de acolhimento,
mas também na sensibilização para a responsabilidade assumida por estas pessoas
para com as organizações. A criação do Programa +Voluntariado, em parceria com a
Confederação Portuguesa do Voluntariado veio trazer mais condições financeiras
para assegurar a qualidade dos processos de voluntariado na cidade. Este é o
primeiro programa municipal de apoio financeiro direto ao Voluntariado, que
pretende servir de incentivo para ideias inovadoras.
No
eixo do Reconhecimento, pretendia-se atuar de forma a dar visibilidade às
pessoas voluntárias e à importância das áreas em que intervêm, mas também
valorizar as aprendizagens desenvolvidas nos processos de voluntariado. A criação
do Prémio Municipal de Voluntariado e do Mecanismo de Reconhecimento de
Aprendizagens em Voluntariado são dois exemplos de iniciativas enquadradas
neste eixo.
Finalmente,
o Quadro Institucional, terceiro eixo, visava a melhoria das práticas organizacionais
e do quadro legal para o voluntariado. O I Encontro Intermunicipal de
Voluntariado, que reuniu representantes de doze autarquias de todo o país, foi
uma das iniciativas que promoveu a partilha e reflexão sobre os quadros e
práticas institucionais no país.
Terminada a iniciativa, que balanço faz? Como foi a adesão? Que
projetos vão continuar?
O
número de voluntários e instituições inscritas no Banco de Voluntariado em
Lisboa aumentou consideravelmente – sendo neste momento um dos maiores da
Europa – e o seu papel em variadas iniciativas alargou-se a uma rede de coesão
e participação que se pretende cada mais interventiva. Da cultura ao desporto,
do ambiente à intervenção social, há mais pessoas dispostas a dar parte do seu
tempo, experiência e conhecimento aos outros.
A
cooperação interinstitucional no seio da Capital foi também um ponto
importante, pois permitiu às entidades envolvidas desenvolver parcerias
existentes e fomentar outras novas. Na Comissão Organizadora da Capital, para
além da Câmara Municipal de Lisboa, participaram a Confederação Portuguesa de
Voluntariado, Fundação Calouste Gulbenkian, Fundação EDP, Grace e a Santa Casa
da Misericórdia de Lisboa, mas muitas outras (num total de 108 entidades)
contribuíram para o sucesso das quase trezentas iniciativas da Capital e para o
desenvolvimento da cooperação no Voluntariado em Lisboa.
Mas
o trabalho não terminou com a passagem dos testemunhos para Londres e Sigo, que
serão capitais em 2016 e 2017, respetivamente. Lisboa foi palco da escolha não
de um, mas de dois novos pólos do voluntariado europeu, exatamente para
permitir a partir de 2015 que as cidades tenham mais tempo para se preparar.
Entretanto, Lisboa não parou e nesta área decorre presentemente a fase-piloto
do Mecanismo de Reconhecimento de Aprendizagens em Voluntariado. Por outro
lado, o Prémio Municipal de Voluntariado está em fase de apreciação para em
breve ser atribuído; estão em preparação novas edições de atividades como o
Mercado Municipal de Voluntariado ou o II Encontro Intermunicipal de
Voluntariado que acontecerá este ano em Cascais; o Guia de Gestão de
Voluntariado continuará a ser complementado com mais boas práticas; o Programa
de Voluntariado Interno da CML continuará a ser implementado. Estas são apenas
algumas das iniciativas que encontram seguimento após a Capital e que trouxeram
um impacto sustentável ao Voluntariado em Lisboa e mais além.
Que importância assume particularmente esta área do Voluntariado
para a CML? Que projetos se destacam?
Não
é por acaso que o Voluntariado se encontra no Pelouro dos Direitos Sociais.
Vemos esta área como chave para dar resposta a uma cidade que, todos os dias,
necessita da energia solidária das pessoas e das organizações para melhorar a
vida de todos. O voluntariado é também uma ferramenta de desenvolvimento da
coesão social numa cidade de tanta diversidade como Lisboa – em processos de
voluntariado também se aprende sobre Direitos Humanos e Cidadania. Diversos projetos
importantes de voluntariado tiveram lugar em Lisboa e foram reconhecidos, mas
todos os dias, em muitos outros momentos e iniciativas, mais pequenas, com
certeza menos visíveis, há formas de voluntariado que marcam a vida da
comunidade.
É
nosso empenho continuar a melhorar as condições das pessoas voluntárias e
organizações para que estas possam continuar a dar as suas respostas com cada
vez melhor qualidade e motivação. O Programa Municipal de Voluntariado e o
Banco de Voluntariado de Lisboa têm sido dois instrumentos essenciais para este
fim.
Por Sónia Bexiga/OJE / http://www.oje.pt/voluntariado-lisboa-necessita-todos-os-dias-da-energia-solidaria-das-pessoas/
O Voluntariado, ao mais alto nível!...
O Voluntariado
precisa de
reconhecimento, mais dinheiro e
melhor legislação
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| Eugénio Fonseca, presidente da Direção da Confederação Portuguesa do Voluntariado |
Eugénio
Fonseca, presidente da Confederação Portuguesa do Voluntariado, descreve-nos o
retrato atual do voluntariado no nosso país e aponta caminhos e soluções para
alcançar uma outra dimensão. Mais justa, mais apoiada.
Quando falamos de voluntariado em Portugal, falamos de que
realidade? O que é e como é fazer voluntariado no nosso país?
O voluntariado, em Portugal,
representa uma miríade de experiências, desde as mais estruturadas e formais
enquadradas no âmbito de organizações, às menos formalizadas realizadas em
contextos de relações de vizinhança e de dádiva de tempo.
Em 2012, o INE estimava que a taxa de
voluntariado era de 11,5% da população, correspondendo a cerca de 1 milhão e 40
mil indivíduos da população residente com mais de 15 anos, que tivessem
participado em, pelo menos, uma atividade formal e/ou informal de trabalho
voluntário. A população voluntária, no nosso país, é, maioritariamente,
feminina, entre os 25 e os 65 anos, com formação superior. Ainda segundo
cálculos do INE, o valor monetário do voluntariado luso é equivalente a
aproximadamente 1% do PIB português, mas a CPV é da opinião que a contribuição
do voluntariado será bastante superior, se considerarmos que apenas duas das
associadas da Confederação contam com mais de 600.000 voluntários, sendo inestimável
e dificilmente contabilizável o contributo social e o apoio que os voluntários
prestam a inúmeras organizações portuguesas. De referir ainda, que o
Voluntariado tem vindo a ser assumido cada vez por esferas não tradicionalmente
ligadas a esta área, como sejam as empresas ou até mesmo ao setor público.
Por cá, multiplicam-se as
experiências de voluntariado corporativo, amiúde em parceria com as
organizações da economia social, e de funcionários envolvidos em projetos
promovidos por instituições públicas. Apesar da riqueza desta realidade, os
voluntários e as organizações promotoras de voluntariado ainda enfrentam
dificuldades de diversa ordem. Estas centram-se, no que se refere aos
voluntários, numa falta de maior reconhecimento público do seu contributo e de
ausência de condições materiais e legais mais favoráveis para o exercício da
sua missão de cidadania. Quanto às organizações, há uma ausência quase total de
apoio financeiro para atividades que cubram, nomeadamente, os encargos que as
organizações têm com os seus voluntários, como sejam: as ações de formação ou
os seguros de acidentes pessoais e que podem representar uma fatia considerável
dos magros orçamentos de muitas destas organizações.
Como foi fazer voluntariado nos últimos, e duros, anos de crise?
Foi um grande desafio. Em muitas
situações não só deram do seu tempo, como assumiram a organização de
iniciativas promotoras de partilha de bens essenciais para a subsistências dos
seus concidadãos mais gravosamente atingidos pelas consequências da crise.
Quantos não tiveram que dar também dos seus próprios bens, algumas vezes
financeiros, para dar resposta a situações inadiáveis. É certo que muitos o
fizeram integrados nas designadas organizações formais, mas a maior parte deste
trabalho foi assumido por voluntários/as que pertencem a grupos não formais e,
por isso, não reconhecidos, legalmente, pelo Estado. Foi, sobretudo, a estes
que foi pedido o esforço atrás referido, com a vantagem de serem mais profícuos
dada a sua proximidade às pessoas e às suas situações de vida concreta. Sempre
se tentou que o Governo permitisse o acesso destas organizações “informais” aos
recursos no âmbito do Plano de Emergência Social, mas sem sucesso. Por isso, é
maior o nosso apreço, porque, apesar desta discriminação, nunca baixaram os
braços. É pena que não se consigam contabilizar o muito que foi angariado e
aplicado a carências socioeconómicas de grande gravidade.
Que barreiras e dificuldades urgem ser ultrapassadas? É uma
questão de falta de apoios, de pouca sensibilidade, por parte do Estado e da
sociedade civil, para o trabalho feito pelos voluntários e pelas organizações?
– Necessidade de programas e
atividades de promoção do Voluntariado e de enquadramento favorecedor da
realização de ações neste domínio, num país que tem uma baixa cultura cívica e
de participação e cujo mercado laboral se caracteriza por horários de trabalho
muito longos.
– Ausência, quase total, de apoios
financeiros para a realização de projetos e ações de voluntariado em Portugal,
o que prejudica a qualidade das mesmas e do enquadramento fornecido pelas
organizações.
– Ausência de uma caracterização científica
e maior reconhecimento, através da realização de investigação da realidade do
Voluntariado em Portugal e do efetivo contributo para a sociedade e para o PIB
português, a partir da consensualização de uma base de cálculo do valor hora da
prática do voluntariado mais justa e equitativa.
– Aprofundamento da qualificação dos
voluntários/as, através da realização de mais ações de sensibilização e
formação nestes domínios para os cidadãos/ãs e assim como para organizações
enquadradoras, em gestão de voluntariado e nas suas áreas de intervenção
específicas.
A legislação também constitui uma barreira ao seu desenvolvimento?
Na opinião da CPV, a legislação
nacional para o voluntariado não enquadra totalmente a prática das organizações
e dos voluntários/as, pelo que em 2012 propusemos uma alteração legislativa que
nunca se concretizou. Passados três anos, considerámos necessário realizar uma
consulta pública com a participação de várias organizações promotoras de
voluntariado, para melhorar a proposta que a CPV tinha remetido para o
Ministério da Solidariedade, do Emprego e Segurança Social. Assim, esta
consulta resultou na sugestão de novas alterações à legislação, nomeadamente:
– a necessidade de estipular a idade
mínima de 16 anos para a participação em ações/projetos de voluntariado,
devendo, no entanto, haver uma ressalva relativamente a casos nos quais esta
idade possa ser desadequada para a realização de determinadas tarefas, sendo
que esta análise da adequação etária deve ser da responsabilidade das organizações
promotoras das respetivas ações de voluntariado;
– a consagração da impossibilidade de
funcionários/as de empresas e Serviços públicos ou organizações realizarem
atividades de voluntariado nas suas entidades empregadoras relacionadas com
tarefas semelhantes às exercidas no quadro do seu vínculo profissional com a
organização;
– a especificação da diferença entre
estágios e voluntariado para evitar equívocos e constrangimentos decorrentes de
uma indefinição e/ou confusão de papéis, devendo o respetivo enquadramento ser
fornecido pela entidade recetora de voluntários/as;
– o aprofundamento dos meios de
qualificação do voluntariado, devendo ser referida a obrigatoriedade da
organização dar formação contínua aos seus voluntários;
– a consagração da importância de
realizar avaliações de impacto das ações efetuadas, pelas organizações no
âmbito do voluntariado, para aferir das mudanças provocadas pelos
voluntários/as nas organizações e junto de “beneficiários” diretos; a
inclusão na legislação das seguintes Tipologias de Voluntariado
Voluntariado Corporativo, com as
seguintes ressalvas: o conceito deve referir que Voluntariado Corporativo é
realizado durante o horário de trabalho dos colaboradores da
empresa/organização; que o voluntariado de uma empresa/organização se realize
através de organizações com as quais exista um vínculo; a legislação deve
prevenir a obrigatoriedade de participação na ação/projeto, assim como a
execução de atividades que gerem lucro para as empresas. A participação dos
colaboradores deve ser livre;
Voluntariado Internacional – ações de
voluntariado realizadas fora de Portugal, mas nas quais não exista um objetivo
de cooperação para o desenvolvimento, como é o caso dos projetos de
voluntariado enquadrados no Programa Juventude em Ação (Serviço de Voluntariado
Europeu);
Voluntariado de Cooperação para o
Desenvolvimento – considerar as diversas especificidades existentes nas
organizações de desenvolvimento portuguesas (propor a realização de uma
consulta alargada sobre as especificidades junto das ONGDs ou com a Plataforma
Portuguesa das ONGDs) Voluntariado de Competências – tipologia essencialmente
realizada por colaboradores de empresas, no quadro do Voluntariado Corporativo,
junto de organizações sociais, mas também de forma crescente por voluntários/as
individuais no seio das próprias organizações. Voluntariado de Proximidade – a
legislação deveria proporcionar o enquadramento desta tipologia, recorrendo a
informação privilegiada de organizações que desenvolveram esta área, como seja o
exemplo, entre outros, da Fundação Eugénio de Almeida;
Voluntariado “Individualizado” – tipologia de voluntariado
realizada por um/a determinado/a voluntário/a com determinado “beneficiário”,
numa relação estabelecida de forma individualizada, de um para um, que coloca
grandes desafios de enquadramento e formação às organizações e aos próprios
voluntários/as, assim como no acompanhamento dos voluntários/as e no apoio
concedido a “beneficiários”. A legislação deveria proporcionar o enquadramento
desta tipologia, recorrendo a informação privilegiada de organizações que
desenvolveram esta área.
Foi ainda sugerida a importância de
ser criado um sistema de credenciações/reconhecimento de organizações que
desenvolvessem projetos de voluntariado, respeitando os termos contidos na
legislação portuguesa. Ainda, neste particular, é nossa intenção, e estamos a
trabalhar nesse sentido, promover encontros com os grupos parlamentares,
aguardando o encontro já solicitado ao senhor Ministro do Trabalho,
Solidariedade e Segurança Social para apresentarmos a nossa reflexão atualizada
sobre a revisão da Lei do Voluntariado e da sua regulamentação. Com esta
iniciativa, procuramos trazer a temática do voluntariado para o debate
nacional, cinco anos passados sobre o Ano Europeu do Voluntariado 2011,
estimulando a participação dos agentes dos vários níveis e recuperando a
dinâmica que o AEV criou.
Um outro aspeto que gostaríamos que
pudesse vir a ser considerado em legislação respeita à obrigatoriedade de
apresentação periódica de registo criminal para o exercício do voluntariado.
Reafirmando a necessidade de tal registo parece-nos, contudo, que ele deveria
ser isento de pagamento, para o voluntário ou suas organizações enquadradoras.
Não achamos que se deva penalizar o exercício do voluntariado com taxas; há
outras formas de financiamento do Estado.
No sentido oposto, de que virtudes e qualidades se reveste o
voluntariado em Portugal?
A primeira é ser uma expressão
genuína do exercício da cidadania, dando assim um contributo à implementação da
democracia participativa tão frágil que ela é no nosso país. Outra virtude é a
de contrariar a cultura predominante que tudo valoriza pelo lucro que dá ou
pelo preço que tem, mostrando que não se aplica a muitos cidadãos o ditado
popular de que “não há almoços grátis”, pois há muita gente que, em Portugal,
ainda paga para ajudar a construir o bem comum. Acrescente-se ainda que a
prática do voluntariado resulta num enriquecimento social, cultural e
espiritual para quem o pratica e para quem se destina. Tratando-se de uma área
de intervenção que se alicerça na gratuidade, não faz muito sentido invocar
qualidades positivas no domínio económico, mas é significativo para um país
como a influência que os resultados a ação dos voluntários/as têm no PIB, como
já foi referido. Muitas outras qualidades e virtudes poderíamos invocar, mas é
importante reconhecer que a presença de quem opta por dar-se, sem
contrapartidas materiais, contribui para a humanização das organizações e
empresas, desde que não substituam postos de trabalho efetivos, pois assim esta
prática tornar-se-ia no ato criminoso para quem o promove.
Disse recentemente que espera conhecer melhor o programa de ação
do Ministério da Segurança Social para o voluntariado. Já teve oportunidade de
o fazer? Que expetativas tem sobre este programa?
Primeiro importa referir que o
anterior governo aprovou o “Programa de Emergência Social”, que consagrava a
necessidade de dinamização e reflexão sobre a criação de incentivos ao
voluntariado na área social, salientando a relevância do apoio e da promoção do
voluntariado e dos voluntários, originando a criação de um Plano Nacional do
Voluntariado. Este Plano pretendia definir medidas que pudessem valorizar e
reconhecer a realização de ações de voluntariado como essenciais para uma
participação e cidadania ativas.
Assim, as expectativas da CPV,
relativamente ao Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social
centram-se na criação de condições favoráveis, quer pela atualização da
legislação portuguesa nesta área, quer pela concessão de apoios ao setor, para
que se concretize todo o potencial existente de mobilização dos cidadãos
portugueses para o voluntariado.
Tendo em conta os desafios sociais
hodiernos e a inexistência de qualquer estrutura que assegure o trabalho de
promoção e qualificação do Voluntariado, entende a CPV que deverá ser a
sociedade civil, e nomeadamente a CPV como plataforma de 32 organizações
promotoras do voluntariado em Portugal, a ocupar este espaço vago para promover
a conversão de forças do setor social, estatal e empresarial, no sentido de
tornar o voluntariado uma das prioridades nacionais.
Apesar da jovem existência da
Confederação, temos vindo a dar firmes passos para nos assumirmos,
progressivamente, como plena representante do voluntariado em Portugal.
Por Sónia Bexiga/OJE / http://www.oje.pt/cpv-voluntariado-precisa-de-reconhecimento-mais-dinheiro-e-melhor-legislacao/
sábado, 13 de fevereiro de 2016
Pelos caminhos do voluntariado...
FALTAM VOLUNTÁRIOS
EM VIEIRA DO MINHO
Os Bombeiros de
Vieira do Minho contam com 22 assalariados, a única forma encontrada para fazer
face à escassez de voluntariado, revelou ontem o presidente da direção.
Albino Carneiro sublinhou que aquela situação resulta, muitas vezes, num
esforço “sobre-humano” para os assalariados, que acabam por cumprir “muito mais
horas do que aquilo que seria desejável”. “Temos de rever, com urgência, os
horários dos trabalhadores assalariados”, afirmou.
Aquela
corporação conta com 64 elementos, incluindo os 22 assalariados. Restam, assim, 42 voluntários, mas muitos destes são emigrantes ou estudam
fora, pelo que só prestam serviços ou nas férias ou aos fins-de-semana. “Numa
boa parte dos dias do ano, apenas podemos contar com uma dúzia de voluntários,
se tanto”, disse Albino Carneiro.
Os bombeiros
vieirenses inauguraram, amanhã, o novo quartel, e que marcará o ponto alto das
comemorações do 76.º aniversário da corporação. A obra custou um milhão de
euros, a que há a juntar ainda o investimento de cerca de 250 mil euros em
mobiliário e comunicações.
Para a inauguração, a corporação tinha convidado o ex-ministro da Administração
Interna, Miguel Macedo, mas este acabou por declinar o convite.
Convidada foi
também a atual ministra da tutela, mas Constança Urbano de Sousa também não
estará presente.
Os Bombeiros de Vieira do Minho já estão no novo quartel desde 19 de Dezembro, após terem vivido durante 20 anos num edifício que, segundo Albino Carneiro, “tinha tudo de mau”.
“Era um gelo no inverno e um forno no verão, tinha fortes problemas de humidade, a instalação elétrica também deixava muito a desejar, o exterior denota sinais evidentes de degradação, as camaratas femininas foram improvisadas debaixo de umas escadas. Foi mal projetado e o que nasce torto jamais se endireita”, referiu.
Nota do administrador do Blogue: em alguns
fóruns é hábito ouvir dizer-se que a prática do voluntariado em Portugal tem baixos
níveis de participação dos cidadãos, relativamente aos países do norte da Europa.
Quase diariamente, somos confrontados com inúmeras situações de contributo
voluntário em muitas ações de solidariedade para com pessoas individuais, para
com instituições; e agora também a favor de pessoas refugiadas que estão a ser encaminhadas
para o nosso país. Afinal, no mundo do voluntariado, especialmente naquele que
tem a ver com a saúde e o bem-estar dos cidadãos, parece que não se pode pintar
o setor de cor de rosa. A realidade parece ser cada vez mais crua quando se põe
a nu. Pois é. É isso mesmo. O setor da saúde e do bem-estar dos cidadãos, está
cada vez mais limitado em termos de colaboradores não remunerados – os voluntários.
Não podemos “tapar o Sol com a peneira”. Aqueles e a ação que desenvolvem, não
pode, na sua totalidade, ser substituída por colaboradores remunerados. As
relações de empatia verdadeira, de autêntica compaixão, que promovem ambientes
afetivos positivos e promotores de bem-estar, são algumas das características
próprias e insubstituíveis dos voluntários do campo da saúde e similares, para
os quais só existem verdadeiras condições do seu exercício, se isso acontecer em
espírito e postura de solicitude, de disponibilidade, de gratuidade; e
sobretudo de se ser capaz de estar com sem esperar seja o que for em troca.
Simplesmente estar, porque se ama. Tem algo a dizer? Então faça o seu
comentário pf.
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016
Pelos caminhos da solidariedade !...
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| O presidente do Centro Paroquial de S. Martinho das Moitas, rodeado de colaboradores da Instituição |
O Centro Paroquial de S. Martinho das
Moitas, em S. Pedro do Sul, foi condenado a pagar uma multa de 2.500 euros por
ter prestado apoio social a mais pessoas necessitadas do que estava previsto no
acordo estabelecido com a Segurança Social.
Segundo apurou a rádio VFM, de Viseu, a contra-ordenação resultou de uma inspecção realizada à IPSS no início do mês de dezembro, após uma denúncia.
Na sequência da inspecção, foi aplicada
pela Segurança Social uma multa de 6.300 euros por “apoio domiciliário a mais
seis pessoas do que estava autorizado” e por “não constarem nos contratos com
os utentes os seus direitos”. O Centro Paroquial recorreu ao Tribunal de
Trabalho de Viseu, que reduziu a coima para 2.500 euros.
Ouvido pela VFM, o padre Ricardo Correia, presidente da IPSS, diz que “não é contra as inspecções que são feitas”, mas considerou desproporcionado o valor da multa.
O sacerdote não sabia que a IPSS “não
podia ajudar mais pessoas do que o que estava acordado com Estado”, e que
“apenas se limitou a apoiar cidadãos pobres e que vivem isolados”.
“O acordo que tínhamos era para apoiar 30
utentes, e julgávamos nós que podíamos ajudar mais 6, porque a Segurança
Social não nos paga mais por isso“, explica o sacerdote, “estes 6 utentes
era a nossa instituição que suportava os gastos”.
“Estamos a falar de pessoas que não têm
ninguém, que não sabem ler, não sabem escrever. Nós somos as únicas pessoas com
que eles contactam diariamente”, diz.
O presidente refuta a acusação de que não
constam dos seus contratos com os direitos dos utentes.
“Quando a instituição celebra um acordo com
os utentes entrega-lhes o seu regulamento, onde constam esses direitos”,
garante o padre Ricardo Correia.
“Achei uma tremenda injustiça, mas a mim
cabe-me estar consoante a lei portuguesa”, lamenta o sacerdote.
“Sentimo-nos mal por vermos que somos
multados por alimentarmos os nossos pobres“, conclui.
ZAP http://zap.aeiou.pt/ipss-multada-por-dar-comida-mais-pobres-que-devia-100714
Nota do administrador do Blogue: independentemente da opinião que cada pessoa ou instituição tenha sobre o assunto, a situação deve colocar-nos todos de atalaia: presidentes ou provedores, técnicos e outros colaboradores, mesmo os mais bondosos ou com boa vontade de sobra. Apesar do bem que se faz, parece que nem sempre é "fazer bem sem olhar a quem", mas, e sobretudo "olhar a quem se faz bem" porque pode haver lugar ao algo, chamemos-lhe, ou traiçoeiro ou que não era expectável que "apanha todos de costas" e não há como "sair da encrenca em que se está metido." E quando realizamos Acordos do o Estado, mais apertado ainda deve ser o nosso olhar para o bem que fazemos. Parece até para se realizar as Obras de Misericórdia (por exemplo: dar de comer a quem tem fome). Mesmo ao nível do voluntariado, existem muitas situações que nos devem, também aí, colocar em alerta máximo. Costuma dizer-se que quando as coisas correm bem, tudo está bem, mas quando as coisas correm mal "correm mal para todos". Quer comentar? Esteja à vontade.
sábado, 6 de fevereiro de 2016
Mensagem do Papa Francisco
Dia Mundial do Doente
O Dia Mundial do Doente é celebrado anualmente a 11 de fevereiro.
Foi instituído João Paulo II em 1992. Na carta de
instituição, o Papa lembrou que a data representa “um momento forte de oração, de partilha, de
oferta do sofrimento pelo bem da Igreja e de apelo dirigido a todos para
reconhecerem na face do irmão enfermo a Santa Face de Cristo que, sofrendo,
morrendo e ressuscitando, operou a salvação da humanidade”. A efeméride
acontece também em memória litúrgica de Nossa Senhora de Lourdes (França), que também é
celebrada todos os anos pela Igreja Católica.
Se por um lado, o Dia Mundial do Doente foi proclamado no
âmbito da Igreja Católica Apostólica Romana, por outro, é sobejamente evidenciada
a sua celebração ao nível de outras realidades sociológicas e do espaço não
religioso. No mínimo, com o intuito de apelar à humanidade para que seja
promovido um serviço de maior atenção à pessoa doente.
Todos os anos e por esta altura, o chefe da Igreja Católica
emite uma mensagem ([i]) a
propósito. Desta vez com uma relação muito estreita com o “Jubileu Extraordinário da Misericórdia”, Francisco começa por
manifestar que a “Jornada Mundial do
Doente” lhe dá (…) “ocasião para me
sentir particularmente próximo de vós, queridas pessoas doentes, e de quantos
cuidam de vós.”, para continuar a sua mensagem sempre numa proximidade
muito forte com o episódio bíblico das Bodas de Caná, realçando a postura
solícita e cheia de ternura de Maria, mãe de Jesus, qual reflexo de Ternura
mais Alta, nunca desligada da humanidade, mas empenhada e pró-ativa.
E o Papa continua referindo que aquela “mesma ternura (…)” está continuamente “presente na vida de tantas pessoas que acompanham os doentes e sabem”
(…) personalizar e humanizar “as suas
necessidades, mesmo as mais subtis, porque as veem com um olhar cheio de amor.”,
realçando o aspeto do serviço e a importância da colaboração humana no
cuidado às pessoas, esse contributo precioso e agradável a todos, podendo sê-lo
mais ainda se encarado em dimensão mais alargada ou transcendental.
Relativamente a todos os que servem, Francisco apela à vontade
e ao querer, no sentido de eles mesmos se apresentarem imbuídos da “mesma disponibilidade ao serviço dos
necessitados e, concretamente, dos nossos irmãos e irmãs doentes.”, como esteve
Maria e os serventes no episódio das Bodas de Caná; serviço esse que segundo o Papa,
pode por vezes, ser cansativo ou pesado.
No entanto, a certeza da mais valia no sentido da promoção do
bem-estar e da saúde, quer em Hospitais, quer em Centros de Saúde, quer na
comunidade quer nos domicílios, faz com que o mar imenso de cuidadores
informais – os voluntários, acreditem que apesar do seu contributo poder ser tido
como “uma gota no oceano”, esse esforço humano não deixará de se transformar em
algo com muito mais valor. Valor que dá vida, e quiçá, vida em abundância.
Depois de vaticinar que “cada
hospital ou casa de cura possa ser sinal visível e lugar para promover a
cultura do encontro e da paz, onde a experiência da doença e da tribulação, bem
como a ajuda profissional e fraterna contribuem para superar qualquer barreira
e divisão.”, Francisco, termina a sua mensagem, desejando “a todos aqueles que estão ao serviço dos
doentes e atribulados, (…)” que vivam animados e impregnados em espírito de
doçura e de misericórdia, no sentido da descoberta, a partir dos gestos, da
alegria maior que pode estar para além dos impactos positivos do serviço fazedor
de relações e de promoção do bem-estar e da saúde, mesmo da felicidade.
A Federação Nacional de Voluntariado em Saúde - FNVS, também
ela, acredita que a atividade generosa e gratuita que os voluntários (mais de
onze mil) das suas mais de cinquenta Organizações associadas, realizam em
muitas Unidades de Saúde públicas e privadas do nosso país e na comunidade,
está profundamente marcada por posturas como a solicitude, a ternura, a misericórdia
e o amor ao próximo, independentemente de este ser irmão ou cidadão, mas sempre
próximo.
A Direção da FNVS deseja que a ação dos
voluntários enquadrados pelas Organizações suas associadas (e dos outros
também) seja sem dúvida um caminho importante, não só de participação em cidadania,
mas, e mais ainda, de contributo inquestionável na educação e na promoção da
saúde, no sentido de esta ser um bem que possa ser experienciado por cada vez mais cidadãos.
Porto, 6 de fevereiro de 2016 / O presidente da Direção da
Federação Nacional de Voluntariado em Saúde
[i] https://w2.vatican.va/content/francesco/pt/messages/sick/documents/papa-francesco_20150915_giornata-malato.html
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