sábado, 28 de fevereiro de 2015

FAZER VOLUNTARIADO ALIVIA O STRESS

Fazer voluntariado alivia o 'stress'

Ajudar os outros ajuda-nos, também, a nós próprios. A conclusão é de um novo estudo internacional que revela que fazer voluntariado contribui para reduzir o 'stress' e a exaustão associados ao trabalho, aumentando o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional.
A investigação publicada este mês na revista científica Journal of Occupational and Environmental Medicine, debruçou-se sobre 746 trabalhadores suíços que exercem funções a tempo inteiro e a tempo parcial, 35% dos quais se dedicam, também, ao voluntariado, várias vezes por ano.
Através de inquéritos, os cientistas procuraram "compreender a relação entre o voluntariado e a saúde" com vista a apurar se esta prática pode funcionar como "um recurso psicossocial, contribuindo para um maior balanço entre a vida pessoal e profissional e, em última instância, para uma melhor saúde". 
Os participantes no estudo responderam a questões sobre a exigência do emprego e a sua perceção acerca do equilíbrio entre vida e trabalho. Além disso, a equipa de investigadores procurou, também, medir os seus níveis de 'stress' cansaço associados à atividade profissional. 
O estudo provou que os que indivíduos que praticavam voluntariado apresentavam níveis inferiores de 'stress' e tinham menor probabilidade de se sentir exaustos no trabalho.


Os voluntários relataram, também, uma maior sensação de equilíbrio entre vida profissional e pessoal em comparação com os que não tinham por hábito fazer voluntariado.
"Embora consuma energia e tempo, o voluntariado pode contribuir para uma maior sensação de equilíibrio entre os trabalhadores, o que, por sua vez, pode influenciar positivamente a saúde", afirmam os autores da investigação.


Esta não é a primeira vez que os benefícios do voluntariado para a saúde são comprovados pela ciência. Em 2013, a Universidade de Harvard revelou que ser voluntário faz bem ao corpo e à mente e contribui, até, para baixar a tensão arterial, para aumentar a longevidade e para diminuir os sentimentos de solidão e depressão. 

http://boasnoticias.pt/noticias_Fazer-voluntariado-alivia-o-stress-e-o-cansa%C3%A7o_22620.html?page=0

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

GESTÃO DE VOLUNTARIADO

No que é que não podemos falhar

quando trabalhamos com voluntários?


De acordo com o conhecimento que se vai construindo, os pronunciamentos institucionais e pessoais que surgem, e o enquadramento jurídico do voluntariado que, por exemplo em Portugal se consubstancia principalmente na Lei 71/98 regulamentada pelo Decreto-Lei 389/99, o voluntariado é “o conjunto de ações de interesse social e comunitário, realizadas de forma desinteressada por pessoas, no âmbito de projetos, programas e outras formas de intervenção ao serviço dos indivíduos, das famílias e da comunidade desenvolvidos sem fins lucrativos por entidades públicas ou privadas”; e o voluntário ”é o indivíduo que de forma livre, desinteressada e responsável se compromete, de acordo com as suas aptidões próprias e no seu tempo livre, a realizar ações de voluntariado no âmbito de uma organização promotora ([i])”.
Em síntese, o voluntariado é um serviço realizado por pessoas em benefício de pessoas, famílias e comunidades. E a pessoa voluntária realiza esse serviço na linha da concretização da missão do voluntariado “como expressão do exercício livre de uma cidadania ativa e solidária”, e norteada por sete princípios: “a solidariedade, a participação, a cooperação, a complementaridade, a gratuitidade, a responsabilidade e a convergência ([ii])”.
O voluntariado não é uma atividade free-lancer ou liberal. O voluntariado é uma atividade solidária que se realiza em contexto de projeto ou de programa, com o enquadramento dado por uma direção técnica ou por uma coordenação, em uma organização, a “organização promotora”.
Sendo a “gestão de recursos humanos, gestão de pessoas ou administração de recursos humanos, também conhecida por RH, e uma associação de habilidades e métodos, políticas, técnicas e práticas definidas com objetivo de administrar os comportamentos internos e potencializar o capital humano, ela tem por finalidade selecionar, gerir e nortear os colaboradores na direção dos objetivos e metas da organização ([iii])”. Temas como “expectativas e atitudes em relação ao trabalho, motivação, participação, liderança, comunicação, conflito, poder, influência, qualificação, produtividade ([iv])”, se são caros aos RH, são-no também sem sombra de dúvida quando se trata de gestão de voluntariado ou de voluntários.
Por um lado, a atividade de voluntariado é muitas vezes parte da atividade geral das organizações, por outro, em muitas outras situações organizacionais, ela é mesmo a atividade preponderante, como no caso do voluntariado que se realiza no campo da saúde.
O voluntariado no campo da saúde é, em Portugal e no mundo, um serviço voluntário, com especificidades muito próprias. Se é sempre um serviço realizado por pessoas em benefício de pessoas, os beneficiários ou população alvo, é sempre constituída por pessoas em situação de enfermidade, aguda ou grave, de sofrimento físico ou psicológico, de debilidade ou vulnerabilidade, de carência e de diminuição de capacidade de utilização dos serviços de saúde ou de respostas sociais.
Os voluntários no campo da saúde, em complemento e em cooperação com os outros colaboradores das unidades de saúde e das respostas sociais, são quase sempre, autênticos artesãos da solidariedade gratuita e disponível, da ajuda aconchegada, e da escuta ativa, cujo objetivo é a promoção e a concretização do bem-estar pessoal, social e espiritual de quantas pessoas acolhem ou os procuram. Por aqui passa a grande missão do voluntariado do campo da saúde e respetivos voluntários: humanizar.
Se também no campo da saúde, é importante que o voluntariado se encontre organizado, também é fundamental que aqui exista uma verdadeira gestão dos recursos humanos voluntários, sabendo-se que nesta área de atividade existem particularidades que devem ser tidas em boa conta como por exemplo, a ausência de benefício financeiro para os voluntários.
No campo saúde, há e sempre têm havido, exigências muito claras e sérias no que concerne aos RH. Desde a verdadeira preocupação com o recrutamento e seleção, passando pela formação e capacitação, assim como no que respeita à integração em equipas, ao acompanhamento, à avaliação e à certificação.
Mas os voluntários do campo da saúde, são também e com muita qualidade, verdadeiros “servidores” e construtores de relações. A atividade destes voluntários, é fundamentalmente, uma atividade de relação interpessoal, seja com outros colaboradores, seja com doentes, seja com os diversos utilizadores dos serviços de saúde e das respostas sociais. É uma atividade que “trabalha” no âmbito dos sentimentos e das emoções, e da procura de bem-estar dos beneficiários, também a este nível. É uma atividade que requer da parte dos voluntários, o melhor e mais assertivo desempenho com vista à obtenção de resultados de excelência na satisfação de todos os intervenientes, pessoais e organizacionais.
No âmbito da RH, as organizações que enquadram voluntários, especialmente aquelas em que a atividade daqueles é sobretudo de construção e promoção de relações interpessoais de qualidade, e de acolhimento de pessoas em situação de fragilidade física e emocional, como no campo da saúde, devem enfatizar o aspeto do acompanhamento psicológico aos seus voluntários. Se em nenhum aspeto RH é suposto falhar, refuto de muito mas mesmo muito importante o acompanhamento que referi, na linha da gestão dos sentimentos e do equilíbrio emocional dos próprios voluntários, e claro, a promoção de medidas nesse sentido com vista à existência de melhores voluntários e melhor serviço voluntário às pessoas, nomeadamente no campo da saúde.
Porto, 4 de fevereiro de 2015
João António Pereira
Presidente da Federação Nacional de Voluntariado em Saúde




[i] Lei 71/98.
[ii] Idem.
[iii] https://pt.wikipedia.org/wiki/Gest%C3%A3o_de_recursos_humanos
[iv] Idem.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

DIA MUNDIAL DO DOENTE

MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO
PARA O
XXIII DIA MUNDIAL DO DOENTE 
(11 DE FEVEREIRO DE 2015)
«Sapientia cordis.
“Eu era os olhos do cego e servia de pés para o coxo” (Jó 29, 15)»
 Queridos irmãos e irmãs,
 Por ocasião do XXIII Dia Mundial do Doente, instituído por São João Paulo II, dirijo-me a todos vós que carregais o peso da doença, encontrando-vos de várias maneiras unidos à carne de Cristo sofredor, bem como a vós, profissionais e voluntários no campo da saúde.
O tema deste ano convida-nos a meditar uma frase do livro de Jó: «Eu era os olhos do cego e servia de pés para o coxo» (29, 15). Gostaria de o fazer na perspectiva da «sapientia cordis», da sabedoria do coração.
1. Esta sabedoria não é um conhecimento teórico, abstrato, fruto de raciocínios; antes, como a descreve São Tiago na sua Carta, é «pura (…), pacífica, indulgente, dócil, cheia de misericórdia e de bons frutos, imparcial, sem hipocrisia» (3, 17). Trata-se, por conseguinte, de uma disposição infundida pelo Espírito Santo na mente e no coração de quem sabe abrir-se ao sofrimento dos irmãos e neles reconhece a imagem de Deus. Por isso, façamos nossa esta invocação do Salmo: «Ensina-nos a contar assim os nossos dias, / para podermos chegar à sabedoria do coração» (Sal 90/89, 12). Nesta sapientia cordis, que é dom de Deus, podemos resumir os frutos do Dia Mundial do Doente. 
2. Sabedoria do coração é servir o irmão. No discurso de Jó que contém as palavras «eu era os olhos do cego e servia de pés para o coxo», evidencia-se a dimensão de serviço aos necessitados por parte deste homem justo, que goza de uma certa autoridade e ocupa um lugar de destaque entre os anciãos da cidade. A sua estatura moral manifesta-se no serviço ao pobre que pede ajuda, bem como no cuidado do órfão e da viúva (cf. 29, 12-13).
Também hoje quantos cristãos dão testemunho – não com as palavras mas com a sua vida radicada numa fé genuína – de ser «os olhos do cego» e «os pés para o coxo»! Pessoas que permanecem junto dos doentes que precisam de assistência contínua, de ajuda para se lavar, vestir e alimentar. Este serviço, especialmente quando se prolonga no tempo, pode tornar-se cansativo e pesado; é relativamente fácil servir alguns dias, mas torna-se difícil cuidar de uma pessoa durante meses ou até anos, inclusive quando ela já não é capaz de agradecer. E, no entanto, que grande caminho de santificação é este! Em tais momentos, pode-se contar de modo particular com a proximidade do Senhor, sendo também de especial apoio à missão da Igreja.
3. Sabedoria do coração é estar com o irmão. O tempo gasto junto do doente é um tempo santo. É louvor a Deus, que nos configura à imagem do seu Filho, que «não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida para resgatar a multidão» (Mt 20, 28). Foi o próprio Jesus que o disse: «Eu estou no meio de vós como aquele que serve» (Lc 22, 27).
Com fé viva, peçamos ao Espírito Santo que nos conceda a graça de compreender o valor do acompanhamento, muitas vezes silencioso, que nos leva a dedicar tempo a estas irmãs e a estes irmãos que, graças à nossa proximidade e ao nosso afeto, se sentem mais amados e confortados. E, ao invés, que grande mentira se esconde por trás de certas expressões que insistem muito sobre a «qualidade da vida» para fazer crer que as vidas gravemente afectadas pela doença não mereceriam ser vividas!
4. Sabedoria do coração é sair de si ao encontro do irmão. Às vezes, o nosso mundo esquece o valor especial que tem o tempo gasto à cabeceira do doente, porque, obcecados pela rapidez, pelo frenesi do fazer e do produzir, esquece-se a dimensão da gratuidade, do prestar cuidados, do encarregar-se do outro. No fundo, por detrás desta atitude, há muitas vezes uma fé morna, que esqueceu a palavra do Senhor que diz: «a Mim mesmo o fizestes» (Mt 25, 40).
Por isso, gostaria de recordar uma vez mais a «absoluta prioridade da “saída de si próprio para o irmão”, como um dos dois mandamentos principais que fundamentam toda a norma moral e como o sinal mais claro para discernir sobre o caminho de crescimento espiritual em resposta à doação absolutamente gratuita de Deus» (Exort. ap. Evangelii gaudium, 179). É da própria natureza missionária da Igreja que brotam «a caridade efectiva para com o próximo, a compaixão que compreende, assiste e promove» (Ibid., 179).
5. Sabedoria do coração é ser solidário com o irmão, sem o julgar. A caridade precisa de tempo. Tempo para cuidar dos doentes e tempo para os visitar. Tempo para estar junto deles, como fizeram os amigos de Jó: «Ficaram sentados no chão, ao lado dele, sete dias e sete noites, sem lhe dizer palavra, pois viram que a sua dor era demasiado grande» (Job 2, 13). Mas, dentro de si mesmos, os amigos de Jó escondiam um juízo negativo acerca dele: pensavam que a sua infelicidade fosse o castigo de Deus por alguma culpa dele. Pelo contrário, a verdadeira caridade é partilha que não julga, que não tem a pretensão de converter o outro; está livre daquela falsa humildade que, fundamentalmente, busca aprovação e se compraz com o bem realizado.
A experiência de Jó só encontra a sua resposta autêntica na Cruz de Jesus, ato supremo de solidariedade de Deus para connosco, totalmente gratuito, totalmente misericordioso. E esta resposta de amor ao drama do sofrimento humano, especialmente do sofrimento inocente, permanece para sempre gravada no corpo de Cristo ressuscitado, naquelas suas chagas gloriosas que são escândalo para a fé, mas também verificação da fé (cf. Homilia na canonização de João XXIII e João Paulo II, 27 de Abril de 2014).
Mesmo quando a doença, a solidão e a incapacidade levam a melhor sobre a nossa vida de doação, a experiência do sofrimento pode tornar-se lugar privilegiado da transmissão da graça e fonte para adquirir e fortalecer a sapientia cordis. Por isso se compreende como Jó, no fim da sua experiência, pôde afirmar dirigindo-se a Deus: «Os meus ouvidos tinham ouvido falar de Ti, mas agora vêem-Te os meus próprios olhos» (42, 5). Também as pessoas imersas no mistério do sofrimento e da dor, se acolhido na fé, podem tornar-se testemunhas vivas duma fé que permite abraçar o próprio sofrimento, ainda que o homem não seja capaz, pela própria inteligência, de o compreender até ao fundo.
6. Confio este Dia Mundial do Doente à proteção materna de Maria, que acolheu no ventre e gerou a Sabedoria encarnada, Jesus Cristo, nosso Senhor.
Ó Maria, Sede da Sabedoria, intercedei como nossa Mãe por todos os doentes e quantos cuidam deles. Fazei que possamos, no serviço ao próximo sofredor e através da própria experiência do sofrimento, acolher e fazer crescer em nós a verdadeira sabedoria do coração.
Acompanho esta súplica por todos vós com a minha Bênção Apostólica.
Vaticano, 3 de Dezembro – Memória de São Francisco Xavier – do ano 2014.
 Franciscus


sábado, 3 de janeiro de 2015

VOLUNTARIADO HOSPITALAR EM PORTIMÃO

Nestes tempos de mudanças, tão difíceis para todos, assiste-se a uma maior participação das pessoas para que, com a sua disponibilidade e dedicação, possam contribuir para o bem-estar daqueles para quem as dificuldades já são parte da sua vida há muito tempo.
Receber e transmitir amor é fundamental para o equilíbrio de cada voluntário e nada melhor que vivê-lo nas mais diversas formas.
Chegada a uma fase da vida livre das responsabilidades laborais e com maior disponibilidade de tempo, sentimos necessidade de abraçar novas tarefas.
Tento impor a mim própria uma filosofia de vida onde continuar a ser útil aos outros é também um dos caminhos de realização pessoal.
Sou uma privilegiada por estar ao serviço do voluntariado 
hospitalar – Associação Elos de Esperança no CHA- Unidade de Portimão -, porque me enriquece humanamente dando-me aos outros.
Faz-me crescer a necessidade de aparecer na vida dos outros com um sorriso de esperança, sorriso que valorizo bastante.
Respeito muito, e cada vez mais, a dor alheia. E são tão complexos os caminhos e contornos da dor!
Como dizia Saint-Exupéry, «aqueles que passam por nós não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós».
Comemora-se no dia 5 de dezembro o Dia Internacional do Voluntariado. Os dias internacionais servem para trazer temas para a ordem do dia.
Servem para fazer balanços, para valorizar o trabalho de muitos voluntários que constroem o país e a coesão social sem se fazerem notar. Hoje celebra-se esta dádiva: a da entrega gratuita ao outro.
Por curiosidade, na nossa associação, Elos de Esperança, de janeiro a outubro do corrente ano, na Unidade Hospitalar de Portimão, nos diversos serviços hospitalares, os nossos voluntários, totalizaram 21761 horas de trabalho ativo. Em outubro, os 123 voluntários ativos, totalizaram 2178 horas de serviço. Sem dúvida que somos uma gota no oceano.
Mas, como dizia Madre Teresa de Calcutá, sem essa gota o oceano seria bem diferente.
O voluntário é um cidadão com mestrado. Mestrado em generosidade, em paciência, em desprendimento.
Como diz Agustina Bessa Luís, «o voluntariado não é uma ocupação é uma travessia na noite onde se inventa o dia seguinte».
De uma coisa estamos certos, «desta vida nada se leva… a não ser a vida que se leva…só se deixa…; então, deixamos o nosso melhor.…O nosso melhor sorriso…, o nosso maior abraço…, a nossa melhor história…, a nossa melhor intenção…, toda a nossa compreensão e, do nosso amor, a maior porção.
Só queremos ficar na memória de alguém como outro alguém que era do Bem».

Fernanda Teixeira, Presidente da Associação Elos de Esperança / 7 de Dezembro de 2014

Transcrição incompleta a partir de: http://www.barlavento.pt/index.php/noticia?id=62447 / Tribuna Livre

sábado, 25 de outubro de 2014

ENVELHECIMENTO: - Quando a família está longe, são os amigos a trazer a felicidade

Cerca de 20% da população tem mais de 65 anos. Com a família muitas vezes a viver longe, é nos laços de amizade que os mais velhos se apoiam, sendo Portugal um dos cinco países europeus em que os idosos têm mais contactos com amigos
Com as famílias a escolher o litoral e as grandes cidades para viver, é no Interior que mais idosos vivem sozinhos. As estatísticas mostram que o fenómeno não é residual. Dos 33 963 sinalizados pela GNR no programa Censos, 4281 residem em povoações isoladas e 3026 vivem sozinhos e isolados. "Em situações como estas, os amigos têm um papel muito importante, não só na companhia que fazem, mas até mesmo na prestação de cuidados", explica ao i Verónica Policarpo, directora do Centro de Estudos e Sondagens de Opinião.
A investigadora da Universidade Católica tem debruçado o seu estudo sobre o papel da amizade nas comunidades pessoais, através de um projecto de pós--doutoramento misto desenvolvido na Universidade de Manchester e na Universidade Católica. Este será um dos estudos apresentados e um dos temas em debate na conferência "Olhares sobre a Família", que acontece hoje e amanhã na Universidade Católica em Lisboa.
Para a investigadora, são as fases de transição que ajudam a configurar as redes de amigos. "O casamento, o nascimento dos filhos, o divórcio e a entrada na reforma são alturas da vida de grande mudança e que alteram o círculo de pessoas mais próximo", explica. Apesar da grande importância dada à amizade, Verónica Policarpo ressalva que em Portugal "a família é um conceito muito forte" e que, em geral, as pessoas fazem uma distinção entre relações dadas, a família onde se nasce, e adquiridas, os amigos, que se escolhem. No entanto, as funções de uns e outros acabam por circular, ultrapassando a fronteira entre o que é um membro da família e o que é um amigo.
AMIGOS NA TERCEIRA IDADE Tendo em conta os dados do Instituto Nacional de Estatística, os números relacionados com o envelhecimento da população são ainda mais alargados. Cerca de 400 mil idosos vivem sós e outros 804 mil vivem em companhia exclusiva de outros idosos - um fenómeno que aumentou 28% ao longo da última década. De forma a fazer um enquadramento das mutações demográficas dos últimos anos, o Conselho Económico Social de- senvolveu o estudo "O Envelhecimento da População: Dependência, Activação e Qualidade", que também vai ser debatido durante a conferência.
No estudo, a equipa de investigadores fez um retrato da população idosa, concluindo que "o aumento da esperança média de vida, associado à diminuição das taxas de fertilidade, conduzirá os países europeus a enfrentar nas próximas décadas um aumento considerável da proporção das pessoas mais idosas". Apesar de se concluir que Portugal é um dos países mais envelhecidos da União Europeia, um outro dado vem dar uma perspectiva positiva: Portugal encontra-se entre os cinco países europeus em que os idosos têm mais contactos com amigos. No total, apenas 2% da população acima dos 65 anos não convive com amigos, pode ler-se no estudo.
Entre o apoio de amigos, família e vizinhos, Portugal encontra-se entre os três países com um dos melhores indicadores no que respeita à obtenção de ajuda para os idosos em caso de necessidade. Para Fernando Chau, um dos investigadores envolvidos no trabalho, os idosos "desconfiam dos cuidados oferecidos num lar e encaram o espaço como um depósito onde são deixados". O investigador faz referência a um estudo de 2007 do Ministério da Saúde sobre pessoas com necessidade de cuidados continuados, que indica que, na maioria dos casos, os familiares eram os cuidadores informais (96,3%), seguidos dos amigos não residentes no domicílio e dos vizinhos (29,5%). Perante este cenário, Fernando Chau reforça a necessidade de uma maior aposta na formação dada a quem presta serviços de apoio a idosos, mesmo que de uma forma informal, referindo-se assim a filhos, amigos, vizinhos e GNR.
Os períodos de transição num ciclo de vida são apresentados pelos investigadores como essenciais para a transformação de laços. Se por um lado, com o aumento da idade diminuem as relações de amizade, por motivos como a morte dos amigos e dificuldade de os substituir ou encontrar novas amizades, por outro, a passagem para a idade da reforma pode ser vista como um momento de retoma de laços antigos ou criação de novas ligações.
"Cada vez mais idosos recorrem às redes sociais para se reencontrarem com amizades antigas", refere Verónica Policarpo, acrescentando a tendência crescente do uso das redes para alimentar práticas que podem dar origem a novas formas de amizade, como a criação de um clube de leitura ou cursos especializados, actividades desenvolvidas mais facilmente com o tempo livre oferecido pela reforma.

http://www.ionline.pt/artigos/portugal/envelhecimento-quando-familia-esta-longe-sao-os-amigos-trazer-felicidade
Por Marta Cerqueira / publicado em 24 Out 2014 - 05:00

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

OS JOVENS E O VOLUNTARIADO

Noventa e cinco por cento dos jovens estão interessados em fazer voluntariado e 51% já realizou voluntariado. Relativamente à vantagem que o voluntariado representa quando se candidatam a um emprego, 48% considera tratar-se de uma mais-valia perante os que não têm essa experiência, enquanto 31% considerou ser irrelevante.
O Universia (http://www.universia.net), a rede de universidades presente em 23 países ibero-americanos, e o Trabalhando.com (http://www.trabajando.com), uma comunidade laboral formada por uma ampla rede de sites associados, divulgaram o resultado do 3º inquérito de Emprego de 2014. Trata-se de um estudo realizado com o objetivo de conhecer as opiniões dos universitários em relação à procura de emprego, e esta terceira fase do estudo incidiu sobre a temática do “Voluntariado”.
Com o objetivo de recolher dados mais concretos sobre a prática de voluntariado e a sua importância no âmbito laboral, o Universia, a rede de universidades presentes em 23 países ibero-americanos, e o Trabalhando.com, a comunidade laboral formada por uma ampla rede de sites associados, realizaram o seu terceiro questionário de emprego de 2014, que incidiu sobre a matéria de voluntariado. 
O estudo revela que 51% do total dos jovens inquiridos já realizou algum tipo de voluntariado. Os que nunca realizaram qualquer tipo de voluntariado, alegam que foi apenas por não terem encontrado ainda nenhum programa que fosse ao encontro das suas expectativas. 
95% dos jovens estão interessados em fazer voluntariado, o que revela uma disponibilidade e sensibilidade dos jovens de hoje para este tipo de iniciativas.
Relativamente ao tipo de voluntariado que gostavam de fazer, 26% dos participantes neste estudo afirma que gostaria de trabalhar com crianças, enquanto que 20% revela desejar ter oportunidade de trabalhar com pessoas com baixos recursos.
Relativamente à promoção de ações de voluntariado por parte das Universidades, 44% afirma que a sua universidade promove “regularmente” estas atividades; no entanto, e perante a questão se as empresas onde trabalham fomentam o voluntariado, 70% afirma que esta não é uma prática habitual na sua empresa.
Quanto aos benefícios que poderão advir do voluntariado, 50% dos inquiridos afirma que o principal benefício reside em poder ajudar as pessoas que necessitam, seguido de 23% que considera que esta prática ajuda a descobrir novos horizontes e realidades, havendo ainda 19% de inquiridos que defende que o voluntariado melhora as capacidades de empatia e de integração. 
Relativamente à vantagem que o voluntariado representa quando se candidatam a um emprego, 48% considera tratar-se de uma mais-valia perante os que não têm essa experiência, enquanto 31% considerou ser irrelevante. 
No entanto, quando se analisam as competências laborais que o voluntariado proporciona, 34% considera que aumenta a “capacidade de resolução de problemas”, 22% sustenta que ajuda à “tomada de decisão”, e 19% que contribui para a “escuta ativa”. 17% dos inquiridos considera que a prática de voluntariado promove o “pensamento crítico”, e por último, 4% assinalou que o “voluntariado não contribui para aumentar as competências das pessoas”.
Bernardo Sá Nogueira, Diretor-geral do Universia Portugal e do portal trabalhando.pt, salienta a importância deste estudo, “dado que revela a apetência geral dos jovens em fazer voluntariado, o elevado nível de compromisso que têm com a sociedade, para além de consideram ser uma mais-valia na vida profissional no momento de se candidatar a um emprego”.

Participaram neste estudo 14165 pessoas, de 10 países: Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Espanha, México, Peru, Portugal, Porto Rico e Uruguai. Entre os inquiridos, verifica-se que a presença feminina (59%) prevalece sobre a masculina (41%).
Quanto à idade, 60% tem mais de 27 anos, seguido de 32% entre 21 e 26 anos. O perfil da maioria dos entrevistados é universitário (35%), seguido de 25% que se encontra a frequentar um curso superior e 10% a frequentar um mestrado/pós-graduação/doutoramento.

A Universia é a Rede de universidades mais importante da região ibero-americana, constituída por 1.290 universidades de 23 países que representam 16,8 milhões de estudantes e professores - 75% do coletivo total universitário ibero-americano. É uma referência internacional de relação universitária e conta com o mecenato do Banco Santander.

http://www.rostos.pt

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

O VOLUNTARIADO, CAMINHO PARA A COOPERAÇÃO

Sempre que existem duas pessoas e entre elas se revela a ausência de satisfação de direitos, mormente fundamentais, e que se verifica estar em causa, por exemplo a saúde, a qualidade de vida e mesmo a felicidade de alguma delas, há necessidade e razão suficiente para entre essas pessoas se estabelecer uma relação e uma atitude a partir das quais e delas mesmas, seja suscitada a melhoria do bem-estar de quem se encontra em situação de desfavor, de fragilidade vária ou mesmo de dependência.
Tal como a atuação do Bom Samaritano, também é atribuição e obrigação de cada cidadão em particular, das comunidades e da sociedade em geral, agir em prol do bem-estar particular e geral de todos, independentemente de raças, géneros, religiões, capacidades económicas, etc.. E o Bom Samaritano é classificado de bom por isso mesmo. Não porque apenas viu e reportou a situação, mas porque ele também, “arregaçou as mangas” e fez o que lhe competia. Agiu segundo o seu saber e segundo as suas posses.
Fazer o que compete e não deixar a outrem que o faça, quando se trata de ajudar outra (s) pessoa (s), se por um lado é postura de cidadão atento e comprometido, por outro lado e também, é sentido altruísta, de solidariedade, de abertura de lugar na nossa vida a quem também é cidadão e com quem partilhamos, em proximidade ou não, não só o ar que respiramos mas também a condição humana. Por isso somos irmãos.
Essa postura e essa ação, pode denominar-se de muitos modos, assim como os agentes disso mesmo. Tanto podem ser os zeladores, como os cooperadores, como os cuidadores, como os voluntários. Normalmente designam-se hoje por voluntários. Mas não é por isso que deixam de ter as características próprias das outras designações. O zelador zela e cuida de algo ou de alguém e é responsável por isso mesmo, o cooperador é aquele que colabora, que participa e que ajuda, o cuidador, para além de ser quem cuida, também é diligente e zela. Então, e o voluntário?
Para além de muitos pontos comuns com o zelador, o cooperador e o cuidador, o voluntário…
“É o indivíduo que de forma livre, desinteressada e responsável se compromete, de acordo com as suas aptidões próprias e no seu tempo livre, a realizar ações de voluntariado no âmbito de uma organização promotora.” Ou seja, cuidar, zelar e cooperar deve acontecer em liberdade e na responsabilidade, deve ser um compromisso que também livremente se assume e se cumpre, de acordo com a situação, os saberes, as possibilidades, e verdadeiramente enquadrado numa Organização. Não há (não devem existir) voluntários liberais ou free-lancer. Os seres humanos são seres especiais e dotados de dignidade. Devem ser cuidados com desvelo, com sabedoria, com amor e como quem sabe e quer.
E o aspeto que acabo de referir é, também ele, bastante caro ao voluntariado do campo da saúde, aos voluntários e às Organizações. Se todos os setores de voluntariado são importantes e a sua prática deve ser querida e promovida, sem sombra de dúvida que a ação voluntária que se desenvolve em imensas Unidades de Saúde e em outros Equipamentos onde se prestam cuidados de saúde, é muitíssima importante e deve requerer atenção e carinho especial da parte de todos, nomeadamente das personalidades e das Entidades diretamente envolvidas na promoção do voluntariado e na garantia da saúde dos cidadãos.
Os voluntários cuidam, os voluntários zelam e os voluntários cooperam. Para além do aspeto da humanização, a cooperação é também ela, marca indelével do Voluntariado em Saúde. Cooperação que se opera quotidianamente e que deixa marcas positivas, contribuindo para o bem-estar geral dos utentes e dos outros colaboradores. Cooperação, que no respeito absoluto pelos papéis que a todos e a cada um competem, são sem sombra de dúvida, mais-valia e aporte talvez não mensurável para o aumento da eficiência e da eficácia dos serviços e da prestação dos cuidados, mas com sentido e com evidência no aumento da qualidade e dos níveis de satisfação de todos os stakeholders, mormente as pessoas.
Dois mil e quinze é o Ano Europeu da Cooperação para o Desenvolvimento. O lema é: ““O nosso mundo, a nossa dignidade, o nosso futuro”. A Cooperação para o Desenvolvimento não acontece apenas em outros continentes. Acontece também aqui. Acontece primariamente onde existem pessoas. Acontece também nas Unidades de Saúde onde as pessoas carecem de ajuda que lhes permitam viver e ser simultaneamente sujeitos e agentes do seu próprio desenvolvimento. Se as Unidades de Saúde são “terreno fértil” para o exercício do voluntariado humanizante, também o são para a cooperação. E pode mesmo ser caminho de experimentação para que muitos cidadãos possam vir a envolver-se em projetos e programas de outro alcance e dimensão, quer nacionais, quer mesmo europeus ou em outros continentes.
Voluntários! Sejamos agentes de cooperação!
Porto, 23 de outubro de 2014

João António Pereira,
presidente da Federação Nacional de Voluntariado em Saúde