Sempre que existem duas pessoas e entre elas se revela a
ausência de satisfação de direitos, mormente fundamentais, e que se verifica
estar em causa, por exemplo a saúde, a qualidade de vida e mesmo a felicidade
de alguma delas, há necessidade e razão suficiente para entre essas pessoas se
estabelecer uma relação e uma atitude a partir das quais e delas mesmas, seja
suscitada a melhoria do bem-estar de quem se encontra em situação de desfavor,
de fragilidade vária ou mesmo de dependência.
Tal como a atuação do Bom Samaritano, também é atribuição e
obrigação de cada cidadão em particular, das comunidades e da sociedade em
geral, agir em prol do bem-estar particular e geral de todos, independentemente
de raças, géneros, religiões, capacidades económicas, etc.. E o Bom Samaritano
é classificado de bom por isso mesmo. Não porque apenas viu e reportou a
situação, mas porque ele também, “arregaçou as mangas” e fez o que lhe
competia. Agiu segundo o seu saber e segundo as suas posses.
Fazer o que compete e não deixar a outrem que o faça, quando
se trata de ajudar outra (s) pessoa (s), se por um lado é postura de cidadão
atento e comprometido, por outro lado e também, é sentido altruísta, de
solidariedade, de abertura de lugar na nossa vida a quem também é cidadão e com
quem partilhamos, em proximidade ou não, não só o ar que respiramos mas também
a condição humana. Por isso somos irmãos.
Essa postura e essa ação, pode denominar-se de muitos modos,
assim como os agentes disso mesmo. Tanto podem ser os zeladores, como os
cooperadores, como os cuidadores, como os voluntários. Normalmente designam-se
hoje por voluntários. Mas não é por isso que deixam de ter as características
próprias das outras designações. O zelador zela e cuida de algo ou de alguém e
é responsável por isso mesmo, o cooperador é aquele que colabora, que participa
e que ajuda, o cuidador, para além de ser quem cuida, também é diligente e
zela. Então, e o voluntário?
Para além de muitos pontos comuns com o zelador, o cooperador
e o cuidador, o voluntário…
“É o indivíduo que de forma
livre, desinteressada e responsável se compromete, de acordo com as suas
aptidões próprias e no seu tempo livre, a realizar ações de voluntariado no
âmbito de uma organização promotora.” Ou seja, cuidar, zelar e cooperar
deve acontecer em liberdade e na responsabilidade, deve ser um compromisso que
também livremente se assume e se cumpre, de acordo com a situação, os saberes, as
possibilidades, e verdadeiramente enquadrado numa Organização. Não há (não
devem existir) voluntários liberais ou free-lancer. Os seres humanos são seres
especiais e dotados de dignidade. Devem ser cuidados com desvelo, com sabedoria, com amor e como quem sabe e quer.
E o aspeto que acabo de referir é, também ele, bastante caro
ao voluntariado do campo da saúde, aos voluntários e às Organizações. Se todos
os setores de voluntariado são importantes e a sua prática deve ser querida e
promovida, sem sombra de dúvida que a ação voluntária que se desenvolve em
imensas Unidades de Saúde e em outros Equipamentos onde se prestam cuidados de
saúde, é muitíssima importante e deve requerer atenção e carinho especial da
parte de todos, nomeadamente das personalidades e das Entidades diretamente
envolvidas na promoção do voluntariado e na garantia da saúde dos cidadãos.
Os voluntários cuidam, os voluntários zelam e os voluntários
cooperam. Para além do aspeto da humanização, a cooperação é também ela, marca
indelével do Voluntariado em Saúde. Cooperação que se opera quotidianamente e que
deixa marcas positivas, contribuindo para o bem-estar geral dos utentes e dos
outros colaboradores. Cooperação, que no respeito absoluto pelos papéis que a
todos e a cada um competem, são sem sombra de dúvida, mais-valia e aporte
talvez não mensurável para o aumento da eficiência e da eficácia dos serviços e
da prestação dos cuidados, mas com sentido e com evidência no aumento da
qualidade e dos níveis de satisfação de todos os stakeholders, mormente as
pessoas.
Dois mil e quinze é o Ano Europeu da Cooperação para o
Desenvolvimento. O lema é: ““O nosso
mundo, a nossa dignidade, o nosso futuro”. A Cooperação para o
Desenvolvimento não acontece apenas em outros continentes. Acontece também
aqui. Acontece primariamente onde existem pessoas. Acontece também nas Unidades
de Saúde onde as pessoas carecem de ajuda que lhes permitam viver e ser
simultaneamente sujeitos e agentes do seu próprio desenvolvimento. Se as
Unidades de Saúde são “terreno fértil” para o exercício do voluntariado
humanizante, também o são para a cooperação. E pode mesmo ser caminho de
experimentação para que muitos cidadãos possam vir a envolver-se em projetos e
programas de outro alcance e dimensão, quer nacionais, quer mesmo europeus ou
em outros continentes.
Voluntários! Sejamos agentes de cooperação!
Porto, 23
de outubro de 2014
João
António Pereira,
presidente da Federação Nacional de Voluntariado em Saúde
presidente da Federação Nacional de Voluntariado em Saúde

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