sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

DIA MUNDIAL DO DOENTE

MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO
PARA O
XXIII DIA MUNDIAL DO DOENTE 
(11 DE FEVEREIRO DE 2015)
«Sapientia cordis.
“Eu era os olhos do cego e servia de pés para o coxo” (Jó 29, 15)»
 Queridos irmãos e irmãs,
 Por ocasião do XXIII Dia Mundial do Doente, instituído por São João Paulo II, dirijo-me a todos vós que carregais o peso da doença, encontrando-vos de várias maneiras unidos à carne de Cristo sofredor, bem como a vós, profissionais e voluntários no campo da saúde.
O tema deste ano convida-nos a meditar uma frase do livro de Jó: «Eu era os olhos do cego e servia de pés para o coxo» (29, 15). Gostaria de o fazer na perspectiva da «sapientia cordis», da sabedoria do coração.
1. Esta sabedoria não é um conhecimento teórico, abstrato, fruto de raciocínios; antes, como a descreve São Tiago na sua Carta, é «pura (…), pacífica, indulgente, dócil, cheia de misericórdia e de bons frutos, imparcial, sem hipocrisia» (3, 17). Trata-se, por conseguinte, de uma disposição infundida pelo Espírito Santo na mente e no coração de quem sabe abrir-se ao sofrimento dos irmãos e neles reconhece a imagem de Deus. Por isso, façamos nossa esta invocação do Salmo: «Ensina-nos a contar assim os nossos dias, / para podermos chegar à sabedoria do coração» (Sal 90/89, 12). Nesta sapientia cordis, que é dom de Deus, podemos resumir os frutos do Dia Mundial do Doente. 
2. Sabedoria do coração é servir o irmão. No discurso de Jó que contém as palavras «eu era os olhos do cego e servia de pés para o coxo», evidencia-se a dimensão de serviço aos necessitados por parte deste homem justo, que goza de uma certa autoridade e ocupa um lugar de destaque entre os anciãos da cidade. A sua estatura moral manifesta-se no serviço ao pobre que pede ajuda, bem como no cuidado do órfão e da viúva (cf. 29, 12-13).
Também hoje quantos cristãos dão testemunho – não com as palavras mas com a sua vida radicada numa fé genuína – de ser «os olhos do cego» e «os pés para o coxo»! Pessoas que permanecem junto dos doentes que precisam de assistência contínua, de ajuda para se lavar, vestir e alimentar. Este serviço, especialmente quando se prolonga no tempo, pode tornar-se cansativo e pesado; é relativamente fácil servir alguns dias, mas torna-se difícil cuidar de uma pessoa durante meses ou até anos, inclusive quando ela já não é capaz de agradecer. E, no entanto, que grande caminho de santificação é este! Em tais momentos, pode-se contar de modo particular com a proximidade do Senhor, sendo também de especial apoio à missão da Igreja.
3. Sabedoria do coração é estar com o irmão. O tempo gasto junto do doente é um tempo santo. É louvor a Deus, que nos configura à imagem do seu Filho, que «não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida para resgatar a multidão» (Mt 20, 28). Foi o próprio Jesus que o disse: «Eu estou no meio de vós como aquele que serve» (Lc 22, 27).
Com fé viva, peçamos ao Espírito Santo que nos conceda a graça de compreender o valor do acompanhamento, muitas vezes silencioso, que nos leva a dedicar tempo a estas irmãs e a estes irmãos que, graças à nossa proximidade e ao nosso afeto, se sentem mais amados e confortados. E, ao invés, que grande mentira se esconde por trás de certas expressões que insistem muito sobre a «qualidade da vida» para fazer crer que as vidas gravemente afectadas pela doença não mereceriam ser vividas!
4. Sabedoria do coração é sair de si ao encontro do irmão. Às vezes, o nosso mundo esquece o valor especial que tem o tempo gasto à cabeceira do doente, porque, obcecados pela rapidez, pelo frenesi do fazer e do produzir, esquece-se a dimensão da gratuidade, do prestar cuidados, do encarregar-se do outro. No fundo, por detrás desta atitude, há muitas vezes uma fé morna, que esqueceu a palavra do Senhor que diz: «a Mim mesmo o fizestes» (Mt 25, 40).
Por isso, gostaria de recordar uma vez mais a «absoluta prioridade da “saída de si próprio para o irmão”, como um dos dois mandamentos principais que fundamentam toda a norma moral e como o sinal mais claro para discernir sobre o caminho de crescimento espiritual em resposta à doação absolutamente gratuita de Deus» (Exort. ap. Evangelii gaudium, 179). É da própria natureza missionária da Igreja que brotam «a caridade efectiva para com o próximo, a compaixão que compreende, assiste e promove» (Ibid., 179).
5. Sabedoria do coração é ser solidário com o irmão, sem o julgar. A caridade precisa de tempo. Tempo para cuidar dos doentes e tempo para os visitar. Tempo para estar junto deles, como fizeram os amigos de Jó: «Ficaram sentados no chão, ao lado dele, sete dias e sete noites, sem lhe dizer palavra, pois viram que a sua dor era demasiado grande» (Job 2, 13). Mas, dentro de si mesmos, os amigos de Jó escondiam um juízo negativo acerca dele: pensavam que a sua infelicidade fosse o castigo de Deus por alguma culpa dele. Pelo contrário, a verdadeira caridade é partilha que não julga, que não tem a pretensão de converter o outro; está livre daquela falsa humildade que, fundamentalmente, busca aprovação e se compraz com o bem realizado.
A experiência de Jó só encontra a sua resposta autêntica na Cruz de Jesus, ato supremo de solidariedade de Deus para connosco, totalmente gratuito, totalmente misericordioso. E esta resposta de amor ao drama do sofrimento humano, especialmente do sofrimento inocente, permanece para sempre gravada no corpo de Cristo ressuscitado, naquelas suas chagas gloriosas que são escândalo para a fé, mas também verificação da fé (cf. Homilia na canonização de João XXIII e João Paulo II, 27 de Abril de 2014).
Mesmo quando a doença, a solidão e a incapacidade levam a melhor sobre a nossa vida de doação, a experiência do sofrimento pode tornar-se lugar privilegiado da transmissão da graça e fonte para adquirir e fortalecer a sapientia cordis. Por isso se compreende como Jó, no fim da sua experiência, pôde afirmar dirigindo-se a Deus: «Os meus ouvidos tinham ouvido falar de Ti, mas agora vêem-Te os meus próprios olhos» (42, 5). Também as pessoas imersas no mistério do sofrimento e da dor, se acolhido na fé, podem tornar-se testemunhas vivas duma fé que permite abraçar o próprio sofrimento, ainda que o homem não seja capaz, pela própria inteligência, de o compreender até ao fundo.
6. Confio este Dia Mundial do Doente à proteção materna de Maria, que acolheu no ventre e gerou a Sabedoria encarnada, Jesus Cristo, nosso Senhor.
Ó Maria, Sede da Sabedoria, intercedei como nossa Mãe por todos os doentes e quantos cuidam deles. Fazei que possamos, no serviço ao próximo sofredor e através da própria experiência do sofrimento, acolher e fazer crescer em nós a verdadeira sabedoria do coração.
Acompanho esta súplica por todos vós com a minha Bênção Apostólica.
Vaticano, 3 de Dezembro – Memória de São Francisco Xavier – do ano 2014.
 Franciscus


sábado, 3 de janeiro de 2015

VOLUNTARIADO HOSPITALAR EM PORTIMÃO

Nestes tempos de mudanças, tão difíceis para todos, assiste-se a uma maior participação das pessoas para que, com a sua disponibilidade e dedicação, possam contribuir para o bem-estar daqueles para quem as dificuldades já são parte da sua vida há muito tempo.
Receber e transmitir amor é fundamental para o equilíbrio de cada voluntário e nada melhor que vivê-lo nas mais diversas formas.
Chegada a uma fase da vida livre das responsabilidades laborais e com maior disponibilidade de tempo, sentimos necessidade de abraçar novas tarefas.
Tento impor a mim própria uma filosofia de vida onde continuar a ser útil aos outros é também um dos caminhos de realização pessoal.
Sou uma privilegiada por estar ao serviço do voluntariado 
hospitalar – Associação Elos de Esperança no CHA- Unidade de Portimão -, porque me enriquece humanamente dando-me aos outros.
Faz-me crescer a necessidade de aparecer na vida dos outros com um sorriso de esperança, sorriso que valorizo bastante.
Respeito muito, e cada vez mais, a dor alheia. E são tão complexos os caminhos e contornos da dor!
Como dizia Saint-Exupéry, «aqueles que passam por nós não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós».
Comemora-se no dia 5 de dezembro o Dia Internacional do Voluntariado. Os dias internacionais servem para trazer temas para a ordem do dia.
Servem para fazer balanços, para valorizar o trabalho de muitos voluntários que constroem o país e a coesão social sem se fazerem notar. Hoje celebra-se esta dádiva: a da entrega gratuita ao outro.
Por curiosidade, na nossa associação, Elos de Esperança, de janeiro a outubro do corrente ano, na Unidade Hospitalar de Portimão, nos diversos serviços hospitalares, os nossos voluntários, totalizaram 21761 horas de trabalho ativo. Em outubro, os 123 voluntários ativos, totalizaram 2178 horas de serviço. Sem dúvida que somos uma gota no oceano.
Mas, como dizia Madre Teresa de Calcutá, sem essa gota o oceano seria bem diferente.
O voluntário é um cidadão com mestrado. Mestrado em generosidade, em paciência, em desprendimento.
Como diz Agustina Bessa Luís, «o voluntariado não é uma ocupação é uma travessia na noite onde se inventa o dia seguinte».
De uma coisa estamos certos, «desta vida nada se leva… a não ser a vida que se leva…só se deixa…; então, deixamos o nosso melhor.…O nosso melhor sorriso…, o nosso maior abraço…, a nossa melhor história…, a nossa melhor intenção…, toda a nossa compreensão e, do nosso amor, a maior porção.
Só queremos ficar na memória de alguém como outro alguém que era do Bem».

Fernanda Teixeira, Presidente da Associação Elos de Esperança / 7 de Dezembro de 2014

Transcrição incompleta a partir de: http://www.barlavento.pt/index.php/noticia?id=62447 / Tribuna Livre

sábado, 25 de outubro de 2014

ENVELHECIMENTO: - Quando a família está longe, são os amigos a trazer a felicidade

Cerca de 20% da população tem mais de 65 anos. Com a família muitas vezes a viver longe, é nos laços de amizade que os mais velhos se apoiam, sendo Portugal um dos cinco países europeus em que os idosos têm mais contactos com amigos
Com as famílias a escolher o litoral e as grandes cidades para viver, é no Interior que mais idosos vivem sozinhos. As estatísticas mostram que o fenómeno não é residual. Dos 33 963 sinalizados pela GNR no programa Censos, 4281 residem em povoações isoladas e 3026 vivem sozinhos e isolados. "Em situações como estas, os amigos têm um papel muito importante, não só na companhia que fazem, mas até mesmo na prestação de cuidados", explica ao i Verónica Policarpo, directora do Centro de Estudos e Sondagens de Opinião.
A investigadora da Universidade Católica tem debruçado o seu estudo sobre o papel da amizade nas comunidades pessoais, através de um projecto de pós--doutoramento misto desenvolvido na Universidade de Manchester e na Universidade Católica. Este será um dos estudos apresentados e um dos temas em debate na conferência "Olhares sobre a Família", que acontece hoje e amanhã na Universidade Católica em Lisboa.
Para a investigadora, são as fases de transição que ajudam a configurar as redes de amigos. "O casamento, o nascimento dos filhos, o divórcio e a entrada na reforma são alturas da vida de grande mudança e que alteram o círculo de pessoas mais próximo", explica. Apesar da grande importância dada à amizade, Verónica Policarpo ressalva que em Portugal "a família é um conceito muito forte" e que, em geral, as pessoas fazem uma distinção entre relações dadas, a família onde se nasce, e adquiridas, os amigos, que se escolhem. No entanto, as funções de uns e outros acabam por circular, ultrapassando a fronteira entre o que é um membro da família e o que é um amigo.
AMIGOS NA TERCEIRA IDADE Tendo em conta os dados do Instituto Nacional de Estatística, os números relacionados com o envelhecimento da população são ainda mais alargados. Cerca de 400 mil idosos vivem sós e outros 804 mil vivem em companhia exclusiva de outros idosos - um fenómeno que aumentou 28% ao longo da última década. De forma a fazer um enquadramento das mutações demográficas dos últimos anos, o Conselho Económico Social de- senvolveu o estudo "O Envelhecimento da População: Dependência, Activação e Qualidade", que também vai ser debatido durante a conferência.
No estudo, a equipa de investigadores fez um retrato da população idosa, concluindo que "o aumento da esperança média de vida, associado à diminuição das taxas de fertilidade, conduzirá os países europeus a enfrentar nas próximas décadas um aumento considerável da proporção das pessoas mais idosas". Apesar de se concluir que Portugal é um dos países mais envelhecidos da União Europeia, um outro dado vem dar uma perspectiva positiva: Portugal encontra-se entre os cinco países europeus em que os idosos têm mais contactos com amigos. No total, apenas 2% da população acima dos 65 anos não convive com amigos, pode ler-se no estudo.
Entre o apoio de amigos, família e vizinhos, Portugal encontra-se entre os três países com um dos melhores indicadores no que respeita à obtenção de ajuda para os idosos em caso de necessidade. Para Fernando Chau, um dos investigadores envolvidos no trabalho, os idosos "desconfiam dos cuidados oferecidos num lar e encaram o espaço como um depósito onde são deixados". O investigador faz referência a um estudo de 2007 do Ministério da Saúde sobre pessoas com necessidade de cuidados continuados, que indica que, na maioria dos casos, os familiares eram os cuidadores informais (96,3%), seguidos dos amigos não residentes no domicílio e dos vizinhos (29,5%). Perante este cenário, Fernando Chau reforça a necessidade de uma maior aposta na formação dada a quem presta serviços de apoio a idosos, mesmo que de uma forma informal, referindo-se assim a filhos, amigos, vizinhos e GNR.
Os períodos de transição num ciclo de vida são apresentados pelos investigadores como essenciais para a transformação de laços. Se por um lado, com o aumento da idade diminuem as relações de amizade, por motivos como a morte dos amigos e dificuldade de os substituir ou encontrar novas amizades, por outro, a passagem para a idade da reforma pode ser vista como um momento de retoma de laços antigos ou criação de novas ligações.
"Cada vez mais idosos recorrem às redes sociais para se reencontrarem com amizades antigas", refere Verónica Policarpo, acrescentando a tendência crescente do uso das redes para alimentar práticas que podem dar origem a novas formas de amizade, como a criação de um clube de leitura ou cursos especializados, actividades desenvolvidas mais facilmente com o tempo livre oferecido pela reforma.

http://www.ionline.pt/artigos/portugal/envelhecimento-quando-familia-esta-longe-sao-os-amigos-trazer-felicidade
Por Marta Cerqueira / publicado em 24 Out 2014 - 05:00

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

OS JOVENS E O VOLUNTARIADO

Noventa e cinco por cento dos jovens estão interessados em fazer voluntariado e 51% já realizou voluntariado. Relativamente à vantagem que o voluntariado representa quando se candidatam a um emprego, 48% considera tratar-se de uma mais-valia perante os que não têm essa experiência, enquanto 31% considerou ser irrelevante.
O Universia (http://www.universia.net), a rede de universidades presente em 23 países ibero-americanos, e o Trabalhando.com (http://www.trabajando.com), uma comunidade laboral formada por uma ampla rede de sites associados, divulgaram o resultado do 3º inquérito de Emprego de 2014. Trata-se de um estudo realizado com o objetivo de conhecer as opiniões dos universitários em relação à procura de emprego, e esta terceira fase do estudo incidiu sobre a temática do “Voluntariado”.
Com o objetivo de recolher dados mais concretos sobre a prática de voluntariado e a sua importância no âmbito laboral, o Universia, a rede de universidades presentes em 23 países ibero-americanos, e o Trabalhando.com, a comunidade laboral formada por uma ampla rede de sites associados, realizaram o seu terceiro questionário de emprego de 2014, que incidiu sobre a matéria de voluntariado. 
O estudo revela que 51% do total dos jovens inquiridos já realizou algum tipo de voluntariado. Os que nunca realizaram qualquer tipo de voluntariado, alegam que foi apenas por não terem encontrado ainda nenhum programa que fosse ao encontro das suas expectativas. 
95% dos jovens estão interessados em fazer voluntariado, o que revela uma disponibilidade e sensibilidade dos jovens de hoje para este tipo de iniciativas.
Relativamente ao tipo de voluntariado que gostavam de fazer, 26% dos participantes neste estudo afirma que gostaria de trabalhar com crianças, enquanto que 20% revela desejar ter oportunidade de trabalhar com pessoas com baixos recursos.
Relativamente à promoção de ações de voluntariado por parte das Universidades, 44% afirma que a sua universidade promove “regularmente” estas atividades; no entanto, e perante a questão se as empresas onde trabalham fomentam o voluntariado, 70% afirma que esta não é uma prática habitual na sua empresa.
Quanto aos benefícios que poderão advir do voluntariado, 50% dos inquiridos afirma que o principal benefício reside em poder ajudar as pessoas que necessitam, seguido de 23% que considera que esta prática ajuda a descobrir novos horizontes e realidades, havendo ainda 19% de inquiridos que defende que o voluntariado melhora as capacidades de empatia e de integração. 
Relativamente à vantagem que o voluntariado representa quando se candidatam a um emprego, 48% considera tratar-se de uma mais-valia perante os que não têm essa experiência, enquanto 31% considerou ser irrelevante. 
No entanto, quando se analisam as competências laborais que o voluntariado proporciona, 34% considera que aumenta a “capacidade de resolução de problemas”, 22% sustenta que ajuda à “tomada de decisão”, e 19% que contribui para a “escuta ativa”. 17% dos inquiridos considera que a prática de voluntariado promove o “pensamento crítico”, e por último, 4% assinalou que o “voluntariado não contribui para aumentar as competências das pessoas”.
Bernardo Sá Nogueira, Diretor-geral do Universia Portugal e do portal trabalhando.pt, salienta a importância deste estudo, “dado que revela a apetência geral dos jovens em fazer voluntariado, o elevado nível de compromisso que têm com a sociedade, para além de consideram ser uma mais-valia na vida profissional no momento de se candidatar a um emprego”.

Participaram neste estudo 14165 pessoas, de 10 países: Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Espanha, México, Peru, Portugal, Porto Rico e Uruguai. Entre os inquiridos, verifica-se que a presença feminina (59%) prevalece sobre a masculina (41%).
Quanto à idade, 60% tem mais de 27 anos, seguido de 32% entre 21 e 26 anos. O perfil da maioria dos entrevistados é universitário (35%), seguido de 25% que se encontra a frequentar um curso superior e 10% a frequentar um mestrado/pós-graduação/doutoramento.

A Universia é a Rede de universidades mais importante da região ibero-americana, constituída por 1.290 universidades de 23 países que representam 16,8 milhões de estudantes e professores - 75% do coletivo total universitário ibero-americano. É uma referência internacional de relação universitária e conta com o mecenato do Banco Santander.

http://www.rostos.pt

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

O VOLUNTARIADO, CAMINHO PARA A COOPERAÇÃO

Sempre que existem duas pessoas e entre elas se revela a ausência de satisfação de direitos, mormente fundamentais, e que se verifica estar em causa, por exemplo a saúde, a qualidade de vida e mesmo a felicidade de alguma delas, há necessidade e razão suficiente para entre essas pessoas se estabelecer uma relação e uma atitude a partir das quais e delas mesmas, seja suscitada a melhoria do bem-estar de quem se encontra em situação de desfavor, de fragilidade vária ou mesmo de dependência.
Tal como a atuação do Bom Samaritano, também é atribuição e obrigação de cada cidadão em particular, das comunidades e da sociedade em geral, agir em prol do bem-estar particular e geral de todos, independentemente de raças, géneros, religiões, capacidades económicas, etc.. E o Bom Samaritano é classificado de bom por isso mesmo. Não porque apenas viu e reportou a situação, mas porque ele também, “arregaçou as mangas” e fez o que lhe competia. Agiu segundo o seu saber e segundo as suas posses.
Fazer o que compete e não deixar a outrem que o faça, quando se trata de ajudar outra (s) pessoa (s), se por um lado é postura de cidadão atento e comprometido, por outro lado e também, é sentido altruísta, de solidariedade, de abertura de lugar na nossa vida a quem também é cidadão e com quem partilhamos, em proximidade ou não, não só o ar que respiramos mas também a condição humana. Por isso somos irmãos.
Essa postura e essa ação, pode denominar-se de muitos modos, assim como os agentes disso mesmo. Tanto podem ser os zeladores, como os cooperadores, como os cuidadores, como os voluntários. Normalmente designam-se hoje por voluntários. Mas não é por isso que deixam de ter as características próprias das outras designações. O zelador zela e cuida de algo ou de alguém e é responsável por isso mesmo, o cooperador é aquele que colabora, que participa e que ajuda, o cuidador, para além de ser quem cuida, também é diligente e zela. Então, e o voluntário?
Para além de muitos pontos comuns com o zelador, o cooperador e o cuidador, o voluntário…
“É o indivíduo que de forma livre, desinteressada e responsável se compromete, de acordo com as suas aptidões próprias e no seu tempo livre, a realizar ações de voluntariado no âmbito de uma organização promotora.” Ou seja, cuidar, zelar e cooperar deve acontecer em liberdade e na responsabilidade, deve ser um compromisso que também livremente se assume e se cumpre, de acordo com a situação, os saberes, as possibilidades, e verdadeiramente enquadrado numa Organização. Não há (não devem existir) voluntários liberais ou free-lancer. Os seres humanos são seres especiais e dotados de dignidade. Devem ser cuidados com desvelo, com sabedoria, com amor e como quem sabe e quer.
E o aspeto que acabo de referir é, também ele, bastante caro ao voluntariado do campo da saúde, aos voluntários e às Organizações. Se todos os setores de voluntariado são importantes e a sua prática deve ser querida e promovida, sem sombra de dúvida que a ação voluntária que se desenvolve em imensas Unidades de Saúde e em outros Equipamentos onde se prestam cuidados de saúde, é muitíssima importante e deve requerer atenção e carinho especial da parte de todos, nomeadamente das personalidades e das Entidades diretamente envolvidas na promoção do voluntariado e na garantia da saúde dos cidadãos.
Os voluntários cuidam, os voluntários zelam e os voluntários cooperam. Para além do aspeto da humanização, a cooperação é também ela, marca indelével do Voluntariado em Saúde. Cooperação que se opera quotidianamente e que deixa marcas positivas, contribuindo para o bem-estar geral dos utentes e dos outros colaboradores. Cooperação, que no respeito absoluto pelos papéis que a todos e a cada um competem, são sem sombra de dúvida, mais-valia e aporte talvez não mensurável para o aumento da eficiência e da eficácia dos serviços e da prestação dos cuidados, mas com sentido e com evidência no aumento da qualidade e dos níveis de satisfação de todos os stakeholders, mormente as pessoas.
Dois mil e quinze é o Ano Europeu da Cooperação para o Desenvolvimento. O lema é: ““O nosso mundo, a nossa dignidade, o nosso futuro”. A Cooperação para o Desenvolvimento não acontece apenas em outros continentes. Acontece também aqui. Acontece primariamente onde existem pessoas. Acontece também nas Unidades de Saúde onde as pessoas carecem de ajuda que lhes permitam viver e ser simultaneamente sujeitos e agentes do seu próprio desenvolvimento. Se as Unidades de Saúde são “terreno fértil” para o exercício do voluntariado humanizante, também o são para a cooperação. E pode mesmo ser caminho de experimentação para que muitos cidadãos possam vir a envolver-se em projetos e programas de outro alcance e dimensão, quer nacionais, quer mesmo europeus ou em outros continentes.
Voluntários! Sejamos agentes de cooperação!
Porto, 23 de outubro de 2014

João António Pereira,
presidente da Federação Nacional de Voluntariado em Saúde

domingo, 5 de outubro de 2014

6.º ENCONTRO NACIONAL DO VOLUNTARIADO EM SAÚDE

CONCLUSÕES

Subordinado ao tema “O Papel do Voluntariado na Saúde”, realizou-se hoje, 4 de outubro de 2014, em Santa Maria da Feira, o 6.º Encontro Nacional do Voluntariado em Saúde, com a participação de cerca de 250 voluntários, convidados e amigos do Voluntariado que em Portugal se desenvolve em Unidades e em Equipamentos onde se prestam serviços e cuidados de saúde, sobretudo no Serviço Nacional de Saúde.
O evento foi promovido e organizado pela Federação Nacional de Voluntariado em Saúde, em parceria com a Liga dos Amigos do Hospital S. Sebastião e o apoio de diversas entidades públicas e privadas, relevando-se o substancial contributo do Município de Santa Maria da Feira e dos voluntários da referida Liga.
Para além da promoção de encontro anual de quantos dedicadamente servem todos os dias os utentes das Unidades e Equipamentos de Saúde, particularmente os mais carenciados, debilitados, enfermos e outros, a iniciativa teve também o mérito de congregar preletores de excelência, que proporcionaram abordagens e reflexões de alta qualidade acerca dos diversos subtemas, contribuindo assim com os seus saberes e prestígio, para voluntariado e voluntários mais esclarecidos, mais formados, mais capacitados e mais aptos a, no campo da saúde, desempenharem o seu papel com mais eficiência, mais eficácia, mais adequação à realidade e às situações, logo com mais qualidade e com satisfação de todos os intervenientes: as pessoas e as Organizações.
Os participantes no 6.º Encontro Nacional do Voluntariado em Saúde, declaram:
1.      Comungar dos objetivos, dos conceitos e dos princípios que hoje dão forma e enquadram o voluntariado organizado em Portugal; acreditam que a prática do voluntariado é um modo possível para a vivência ativa da cidadania, e que no campo da saúde, aquela tem papel insubstituível na humanização das pessoas, dos ambientes e dos Equipamentos, complementarmente aos serviços e cuidados prestados por estes; afirmam que o voluntariado é um contributo inestimável na promoção do desenvolvimento pessoal, social e comunitário a vários níveis, passando a sua prática, muito por posturas de cooperação interpessoal e entre Organizações, e que também é fomento à participação direta, ao pensamento crítico e ao interesse ativo dos cidadãos motivados para ações de desenvolvimento, na sensibilização para os benefícios decorrentes da cooperação, não apenas para os beneficiários diretos mas para todos os cidadãos, e promovendo sentimento comum de responsabilidade, de solidariedade e de oportunidade num mundo em mutação e cada vez mais interdependente e competitivo.
Os participantes no 6.º Encontro Nacional do Voluntariado em Saúde estabelecem as seguintes conclusões:
1.      A colaboração dos voluntários junto das crianças e adolescentes em situação de estada breve ou prolongada em Unidades Hospitalares, é de fundamental importância no desenvolvimento de ações e atividades que facilitem a adaptação dessas crianças e desses adolescentes ao ambiente hospitalar, com repercussão direta na adesão ao tratamento e na minimização dos efeitos adversos da hospitalização e mesmo em frequentes e curtas estadas nas Unidades Hospitalares. Nestas, frequentemente, as crianças e os adolescentes, também e todos eles, sofrem processo de despersonalização. Deixam de ter o seu próprio nome e passam a ser um número de cama ou, então, alguém portador de uma determinada patologia. É muito difícil para as crianças e para os adolescentes, que nunca tenham vivido longe do ambiente familiar, ficar internados sem a presença dos familiares, sendo que em decorrência da hospitalização entrarão em sofrimento emocional e muitas vezes físico.


2.      No contexto da prestação de Cuidados de Saúde na Comunidade, o maior contributo do voluntariado situa-se na possibilidade do aumento da rede social de apoio à família, complementarmente à “prestação de cuidados de saúde, de apoio psicológico e social de âmbito domiciliário e comunitário; às pessoas, famílias e grupos mais vulneráveis em situação de maior risco ou dependência física e funcional ou doença que requeira acompanhamento próximo”, de modo particular às pessoas idosas constituintes de famílias unipessoais, frequentemente objeto da ausência de suporte familiar ou social que lhes permitam ter vida com qualidade e bem-estar.


3.      Sustentam que a pessoa em toda a sua vida, é sujeito dotado de profunda dignidade sendo que este aspeto adquire mais visibilidade em situação de doença terminal, de sofrimento e de morte. Os voluntários que servem nesta área de cuidados – os Cuidados Paliativos, são também eles pessoas, que estão, simplesmente estão, sem desempenharem qualquer outra tarefa que não seja a da escuta ativa em relação de ajuda; sabendo-se que a “a presença é a capacidade de estar totalmente lá, com qualidade de atenção e autenticidade na nossa forma de ser e nos nossos atos”. Os voluntários, para apoiar pessoas em situação de doença terminal, necessitam reconhecer os seus próprios medos perante o sofrimento e a morte, a fim de prestarem apoio genuíno sem mecanismos de fuga.


4.      Partilham a ousadia da diferença e da coragem de quem arrisca em função dos outros, por exemplo quando se trata de desenvolver atividades de voluntariado em contexto de prestação de cuidados em saúde mental. Creem também e sobretudo aqui, que a prática do voluntariado pode proporcionar etapas de crescimento pessoal na ajuda que se presta; e de descoberta de valores como a hospitalidade, a qualidade, o respeito, a responsabilidade e a espiritualidade, valores esses, essenciais à vida, com uma visão holística da intervenção junto dos utentes, assumindo-se a complementaridade e o papel do voluntário como agente ativo com função definida e articulada em equipa, em jeito de partilha por todos quantos bebem da alegria de servir o próximo, porque “há pessoas que precisam de pessoas que lhes prestem toda a atenção e cuidado, de forma gratuita e solidária, expressa numa assistência integral”.


5.      Reconhecem que o Reiki, terapia complementar de origem japonesa baseada na manipulação da energia vital através da imposição das mãos, e que tem o objetivo de restabelecer o equilíbrio vital, contribuiu para a eliminação de doenças e promove a saúde e o bem-estar. Reconhecem também que o Voluntariado Reiki, protagonizado por voluntários especializados, pode ser, nas Unidades e Equipamentos de Saúde e não só, uma boa ajuda aos colaboradores profissionais, aos voluntários e aos utentes. Reconhecem também que se trata de atividade gratuita, e que o contributo do voluntário Reiki se rege pelos princípios da responsabilidade, da idoneidade e da compreensão da sua área e da dimensão humana ao nível do respeito e da sensibilidade pelo próximo, valorizando substancialmente a terapia Reiki que se mostra como um excelente complemento à vida, que promove a cura sem olhar a quem, e que é prestação de amor incondicional.


6.      Sendo a atuação dos voluntários, complemento ao trabalho específico dos restantes colaboradores das Unidades e dos Equipamentos de Saúde, ela insere-se sempre na ótica da humanização dos cuidados que aí se prestam. É comum as tarefas dos voluntários não se encontrarem descritas, e o seu desenvolvimento ter variantes de acordo com o enquadramento institucional. Se por um lado parece assistir-se a uma tentativa de definição genérica da função dos voluntários na saúde, podendo isso mesmo permitir diferentes interpretações; por outro, assume-se que as tarefas afetas à função dos voluntários, não são conhecidas de todas as partes interessadas (stakholders), ao qual pode não ser alheio o risco do surgimento de repercussões negativas no que respeita às relações entre voluntários e outros colaboradores da saúde. Apesar disso e na generalidade, os participantes no 6.º Encontro Nacional do Voluntariado em Saúde, manifestam-se satisfeitos com o atual formato da Gestão do Voluntariado, enquanto responsabilidade das Organizações Sem Fins Lucrativos e não das Unidades e Equipamentos de Saúde onde atuam.


7.      Relativamente ao “Papel do Voluntariado na Saúde”, continuam a afirmar a importância e a pertinência do lugar reconhecidamente imprescindível e insubstituível da atividade voluntária que se realiza no Campo da Saúde em Portugal, não só no sentido do contributo para a humanização, como também para a execução dos objetivos do Plano Nacional de Saúde e da obtenção de níveis cada vez mais elevados de padrões de qualidade dos serviços e dos cuidados, encontrando-se este aspeto claramente evidenciado no âmbito do Serviço Nacional de Saúde, estrutura através da qual o Estado Português assegura o direito à saúde a todos os cidadãos de Portugal, com o objetivo da proteção da saúde individual e coletiva, de acesso universal, compreensivo e tendencialmente gratuito.


8.      No que concerne ainda ao voluntariado e aos voluntários do campo da saúde, manifestam a pertinência e a necessidade absoluta da sua organização, da sua representação, da sua integração e da defesa dos seus direitos, bem como da promoção das suas obrigações. As Organizações de voluntariado e de voluntários (Ligas, Associações e outras) que atuam no campo da saúde em Portugal e a Federação Nacional de Voluntariado em Saúde, são, todas elas, o modo, o caminho e a estratégia necessariamente adequada e que se quer para isso mesmo; sejam elas promotoras, de enquadramento ou representativas. São a assunção por parte dos Cidadãos e da Sociedade Civil do desempenho do papel que lhes cabe e que é o seu: participar ativamente e serem a base da sociedade em funcionamento, resultante da união de todos, facilitando uma cidadania mais consciente e mais participativa.

No próximo ano, 2015, celebra-se em toda a União Europeia, o Ano Europeu da Cooperação para o Desenvolvimento, com o lema: “O nosso mundo, a nossa dignidade, o nosso futuro”. Também tem a ver com o voluntariado. Também tem a ver com o voluntariado em saúde. A Federação Nacional de Voluntariado em Saúde estará por lá, estará em sintonia com o facto e atuará de modo também próximo aos objetivos que são propostos.

Santa Maria da Feira, 4 de Outubro de 2014
Os participantes no 6.º Encontro Nacional do Voluntariado em Saúde 

Aprovado por unanimidade e aclamação

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

O PAPEL DO VOLUNTARIADO EM SAÚDE, HOJE!

Assim como parece haver mil e uma maneiras de cozinhar bacalhau, também existirão com certeza, várias e diversas de olhar o tema “O Papel do Voluntariado na Saúde, Hoje!” que me proponho tratar no Colóquio que se realiza hoje aqui em Nisa.
Não é novidade para ninguém que o voluntariado (com designações próprias de cada tempo) é prática ancestral e acontece sempre que há pelo menos duas pessoas e existe diferença de situação entre elas, nomeadamente ao nível da satisfação das necessidades pessoais ou sociais, da qualidade de vida, do bem-estar e mesmo da felicidade.
Sem caminhar no sentido de discorrências teóricas, a abordagem de hoje (a minha abordagem), parte da consciência e da justeza de fatos como por exemplo os do episódio chamado “Bom Samaritano”. Viu, não discriminou, fez-se próximo, teve compaixão, procurou resposta à necessidade, responsabilizou-se, comprometeu-se e ainda pagou do seu bolso.
Hoje e sempre, acredito eu, o papel do voluntário e em especial do voluntário no campo da saúde passa (ou deve passar) por “movimento” semelhante ao do Bom Samaritano.
O enquadramento da prática do voluntariado e o entendimento da sua importância como serviço de pessoas a pessoas, tem evoluído e sofrido mudanças ao longo dos tempos. A sociedade em geral, as Organizações e os Governos têm mesmo assumido aspetos do voluntariado que dão hoje a este, aspetos mais visíveis de responsabilidade social, de organização e de bem-fazer bem feito, caminhando das razões da esfera pessoal e micro para âmbitos mais alargados e também mais de acordo com o desenvolvimento da humanidade e das políticas. Hoje, é consensual que as grandes razões para o compromisso com o voluntariado se situam (ou devem situar-se) muito mais na prática comprometida da cidadania ativa, visando o desenvolvimento pessoal e social, que apenas na procura de recompensas a níveis não existenciais.
Sendo por um lado importante que se caminhe no sentido da definição mais elaborada dos conceitos e dos princípios do voluntariado, que ajude ao melhor enquadramento, como a perceção do papel do voluntariado, por outro lado, não deixa de ser fundamental que em cada tempo, em cada momento e em cada situação, esse papel seja, para além de prática, descoberta constante e permanente. Afinal o voluntariado, pelo menos o do campo da saúde, é essencialmente ato de ajuda de pessoas a pessoas. É uma relação de ajuda, mas também é muito mais (acredito eu) de descoberta do outro e de cada voluntário, e um grande ato de amor para com o próximo, não deixando de ser postura e prática ativa da cidadania.

João António Pereira