domingo, 12 de junho de 2016
domingo, 15 de maio de 2016
A Federação Nacional de Voluntariado em Saúde...
FNVS: - NOVE ANOS AO SERVIÇO
DO VOLUNTARIADO NO CAMPO DA SAÚDE
É já no próximo dia 21 que a Federação
Nacional de Voluntariado em Saúde completa nove anos de vida ao serviço do
voluntariado que em Portugal se realiza no campo da saúde. Voluntariado esse, organizado
em Ligas de Amigos e em Associações de Voluntariado ou de Voluntários, em
parceria com as Unidades de Saúde, sobretudo as que integram o Serviço Nacional
de Saúde.
Tendo iniciado a atividade com onze
Organizações fundadoras; e estabelecido como objetivo, ser a plataforma de
integração, de representação e de defesa das Organizações de voluntariado e de
voluntários, do Campo da Saúde, suas associadas; e apesar das dificuldades que
tem encontrado pelo caminho, a Federação Nacional de Voluntariado, tem sido escolhida
por muitas Organizações; e é hoje constituída por mais de meia centena de
associadas efetivas, correspondendo a um universo superior a doze mil voluntários
de ação direta e regulares, presentes em todos os distritos e em todas a ARS’,
bem como nos Centros Hospitalares, nas Unidades Locais de Saúde, em ACES; e na
comunidade.
O voluntariado no campo da saúde e as
Organizações que o enquadram, são um setor de voluntariado com uma história tão
rica quanto singular, com uma atuação tão específica quanto organizada, com uma
postura tão exigente quanto disponível e solícita, que não quer nem procura
honras nem mordomias, porque o que o move, o que move todos os stakolders é o
serviço às pessoas que utilizam os serviços de saúde, um serviço sempre
gratuito, sempre responsável, sempre realizado com a sabedoria de quem sabe e
ama; e que de modo algum, alguém pode um dia pensar que terá o mesmo nível
de satisfação pessoal e institucional, se vier a ser realizado por
colaboradores remunerados.
As motivações que movem os voluntários são
de longe diferentes das que movem os outros colaboradores das Unidades de
Saúde. É assunto pacífico no âmbito da Gestão dos Recursos Humanos. Por isso, a
ação de cada tipo de colaboradores, não se pode nunca confundir uma com a outra,
nem a atuação dos voluntários pode ser conotada com alguma intenção de
contribuir para a redução de postos de trabalho.
Um voluntariado (o da saúde) bem
organizado, bem estruturado, com parcerias bem firmadas, com voluntários
criteriosamente selecionados, formados e capacitados, em que as funções e as tarefas
se encontram perfeitamente identificadas e caracterizadas, em que existe
qualificada coordenação ou direção técnica… Um voluntariado assim, é garantia
de que ele mesmo, as Organizações e os voluntários, são um efetivo contributo,
não apenas para o bem-estar dos utentes, mas e mais ainda, para o aumento do
nível da qualidade dos serviços de saúde, hoje entendida como uma necessidade
intrínseca aos próprios serviços, uma vez que existem para servir os utentes.
Se por um lado, o objetivo principal (ou
mais direto) da ação voluntária na saúde, é o serviço dirigido à pessoa, por
outro lado, é demasiado evidente que colateralmente, que há impactos positivos
nos serviços e nas Unidades de Saúde. Esta realidade não pode ser ignorada.
Também por isso, as Organizações de Voluntariado na saúde devem ser mais
queridas, mais apoiadas e mais consideradas, mesmo a níveis superiores da
governação e da política que giza os destinos dos cidadãos e do país.
Considerando a história recente e o que tem
sido dito sobre o voluntariado em geral e sobre o da saúde em particular,
parece que afinal “treta” é um vocábulo que não tem, nem lugar nem uso entre
nós, voluntários no campo da saúde. Mas também temos consciência que a nossa
ação, apesar de implicar a partir de nós, (como afirmou o presidente da
República) “compaixão, atenção, solidariedade, e capacidade para entender, para
apoiar e para secundar (…) ela é exemplar na sociedade portuguesa.” Porque esse
espírito (e essa cultura) “é fundamental em todos os domínios da sociedade
portuguesa.” Uma cultura que passa por “abertura aos outros, a disponibilidade
para os outros, o serviço dos outros, o ser capaz de ultrapassar os egoísmos”.
Depois de afirmar que “a disponibilidade
para os outros rejuvenesce”, o chefe do Estado acrescentou ainda que “o
trabalho voluntário, (…) vai para além da atividade profissional de muitos e,
noutros casos, representa uma forma própria, autónoma, de realização pessoal
que não tem a ver com atividades profissionais desenvolvidas no passado”. E
todos sabemos e temos consciência do bem-estar, da felicidade e da paz interior
que experimentamos quando chegam ao fim as nossas jornadas de ação voluntária.
Um grande bem-haja a todas as Organizações
de voluntariado que atuam no campo da saúde, especialmente às associadas da
Federação.
À Federação Nacional de Voluntariado em Saúde,
votos de vida profícua e longa.
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Este texto, escrito a 15 de maio de 2016, é da exclusiva
responsabilidade de João António Pereira, presidente em exercício, da Direção
da Federação Nacional de Voluntariado em Saúde.
quarta-feira, 27 de abril de 2016
Pelos caminhos do voluntariado...
Participação cívica:
Associados, mas passivos
A conclusão está num estudo feito pela Universidade Europeia para a Plataforma de
Associações da Sociedade Civil.
Mesmo
tendo como universo os portugueses inscritos em alguma associação é
incontestável o alheamento em relação à participação cívica.
Oitenta
por cento dos membros de associações nunca participaram numa ação de
voluntariado e raramente trabalharam em grupo para resolver um problema da
comunidade.
Setenta
por cento nunca participou num protesto. A maioria vota, mas raramente contacta
representantes do Estado para expressar a sua opinião.
O
cenário só melhora quando estão em causa questões de natureza ambiental. Quase
30 por cento dos participantes no estudo diz ter deixado de comprar algum
produto por não concordar com as políticas da empresa produtora.
Francisco
Cesário, investigador da Universidade Europeia (*) diz que estes números
representam uma ameaça ao desenvolvimento do país; "há uma tendência generalizada de afastamento do envolvimento
cívico. Isto é preocupante. Nenhuma nação consegue desenvolver-se, afirmar-se
sem o envolvimento dos próprios cidadãos".
O
estudo da Universidade Europeia não analisou as causas do alheamento. Para já,
limitou-se a fazer o diagnóstico.
*A Universidade
Europeia - instituição de ensino superior privado em Lisboa -
tem como missão Criar profissionais globais, por forma a
contribuir para o desenvolvimento da sociedade global através da preparação dos
estudantes, promovendo uma atitude empreendedora, baseada nos princípios da
responsabilidade social, internacionalização, excelência na investigação e
empregabilidade. https://www.europeia.pt/institucional/
segunda-feira, 18 de abril de 2016
Pelos caminhos da política................
O VOLUNTARIADO SERÁ UMA TRETA?
Ontem, alguma comunicação social noticiou que a coordenadora do
Bloco de Esquerda, Dra. Catarina Martins, teria afirmado também ontem e perante
uma plateia repleta de jovens do partido e simpatizantes… teria afirmado… que o
“trabalho voluntário é uma treta”.
Não conhecemos nem o contexto frásico nem o do desenvolvimento do evento, com a
profundidade suficiente que permita fazer algum juízo sobre a afirmação.
![]() |
| Dra. Catarina Martins, coordenadora do Bloco de Esquerda |
Não foi afirmado que o voluntariado é uma treta. Foi, isso sim,
afirmado que o “trabalho voluntário é uma
treta”. Apesar da diferença, parece-nos ser suficientemente grave, não a
afirmação em si mesma, mas o impacto que pode vir a ter para o sector do
voluntariado. Esse sim, poderá ser de consequências negativas, não tanto para o
setor nem para as instituições que o compõem, mas mais para os milhares de
cidadãos que generosamente servem e ajudam outros cidadãos, ajuda essa que brota
mais de sentimentos como a partilha, o bem-fazer, a entreajuda, o amor; e
outros tão ou mais nobres quanto estes.
Se o voluntariado fosse uma treta, que não é; todos nós, a tal
multidão que ainda ninguém conseguiu efetivamente contar, seria também ela, uma
treta. E se segundo www.infopedia.pt o
significado de “treta” pode ser “estratagema,
astúcia, palavreado para enganar, lábia, léria ou coisa sem importância”,
então definitivamente, o voluntariado não é uma treta nem nada do que possa ser
seu significado. Também, nem os voluntários são agentes da treta.
A coordenadora do Bloco de Esquerda terá também afirmado que “se é trabalho, tem que ter contrato. Voluntariado é o que as pessoas podem fazer
depois de terem um contrato de 35 horas semanais, quando se querem dedicar
a outra atividade". Ora aqui poderá estar o fulcro da questão. É isso
mesmo: o voluntariado realiza-se no tempo livre, ou seja, no tempo que a cada
cidadão que o pretenda fazer, resta para além do seu desempenho profissional ou
similar. Às tantas existem aspetos que deviam ter sido verbalizados e não
foram. E se o fossem, para além, de prestarem um bom serviço ao voluntariado e
aos voluntários, teriam certamente sido como um “colocar o dedo na ferida”.
Naquela ferida que todos (uns mais e outros menos) sabemos (ou achamos que
sabemos) que existe. É o facto de em nome de algo que está para além daquilo
que é o voluntariado, esta atividade generosa e gratuita, estar a ser usada e
abusada, com claro atropelo da legislação aplicável e a inoperância de quem
deve atuar no sentido do respeito, não só por aquela, mas também e sobretudo,
no sentido do respeito pelas pessoas.
A crise tem sido justificação para muitas atuações que vão no
sentido do que se afirmou antes. Mas não é a única. Muitas são as situações (e
isto não é novidade para quem está atento e envolvido no setor) nas quais os
voluntários são contributo importante e gratuito para a prossecução dos
objetivos de Entidades (privadas e públicas), contributo esse que se traduz no
desempenho, quantas vezes, de funções que configuram postos de trabalho
remunerados. A Lei 71/98 é clara: “o
princípio da complementaridade pressupõe que o voluntário não deve substituir
os recursos humanos considerados necessários à prossecução das atividades das
organizações promotoras, estatutariamente definidas.”. E a Lei não se
cumpre.
Mas a procura de mão de obra gratuita ou barata, por parte de
entidades empregadoras (mesmo do chamado setor da economia social), não visa
apenas a admissão de voluntários para os fins que são pretendidos. Existem
também outras situações em que tal se verifica e que se encontram perfeitamente
legisladas, “bebendo” aspetos do voluntariado sobre as quais importa estar de
atalaia. Felizmente há entidades (mesmo públicas) que não seguem esse figurino
legislativo, e parecem encontrar-se no alinhamento da afirmação "(…) até lá, só contratos de trabalho".
Cremos que no campo da saúde em Portugal, o voluntariado que é
exercido pelos milhares de voluntários, nomeadamente pelos mais de 12 mil das
mais de 50 Organizações integradas na Federação Nacional de Voluntariado em
Saúde, cremos dizia-se, que ainda não evidencia aspetos que o configurem como
uso de mão de obra gratuita. Cremos. Não temos dados a partir dos quais se
possa produzir afirmação nesse sentido. Sabemos sim, da enorme satisfação que
manifestam todos os agentes (institucionais e pessoais) envolvidos no
voluntariado do campo da saúde, nomeadamente as pessoas.
A Federação Nacional de Voluntariado em Saúde, crê profundamente no primado e na dignidade da
pessoa humana, na humanização dos serviços de saúde, reconhecendo “o valor
social do voluntariado como expressão do exercício livre de uma cidadania ativa
e solidária” em contexto de cooperação, de democracia e de pluralidade; e
confirma que aquele é “o conjunto de ações de interesse social e
comunitário, realizadas de forma desinteressada por pessoas, no âmbito de
projetos, programas e outras formas de intervenção ao serviço dos indivíduos,
das famílias e da comunidade, desenvolvidos sem fins lucrativos por entidades
públicas ou privadas - Lei 71/98”.
Que o acontecimento criado com a afirmação da Dra. Catarina
Martins, mais que ela mesma (a afirmação), seja um bom serviço ao voluntariado,
especialmente para aquele em que o seu exercício implica relação interpessoal
de proximidade, ou seja, o que acontece no campo da saúde e na promoção do
bem-estar das pessoas.
João António Pereira, presidente da Direção da Federação
Nacional de Voluntariado em Saúde
sábado, 16 de abril de 2016
O VOLUNTARIADO EM SAÚDE
O voluntariado, como iniciativa
social de apoio à comunidade, tem-se tornado um eixo de desenvolvimento das
sociedades modernas. Acompanhando esta evolução, também em Portugal, tem-se assistido
a um crescendo de projetos e iniciativas de voluntariado, acompanhado por uma
valorização pública.
O voluntariado no sector da saúde é
uma realidade no nosso país, designadamente na prestação de cuidados informais,
complementares aos cuidados técnicos formais.
No entanto, desde os finais dos
anos 80 que se verificaram, em especial na Europa, grandes alterações no perfil
dos voluntários, correspondendo, também, a novas formas de voluntariado onde a
qualidade e os padrões de exigência técnica são mais elevados.
À ação voluntária na saúde, como em
outros sectores, é exigida competência humana e qualidade técnica.
As instituições e os voluntários na
saúde são cada vez mais rigorosos e exigentes, nomeadamente ao nível da
organização do trabalho voluntário, formação do voluntário, sendo determinante
a necessidade de clareza na definição de atribuições e atividades que podem e
devem ser desempenhadas por este.
Neste contexto, a definição do
voluntariado em saúde e das atividades que podem ser realizadas por um
voluntário ao nível dos cuidados informais é necessária, como forma de se
promover, de forma mais clara e transparente, o voluntariado no sector,
designadamente ao nível do apoio à prestação de cuidados.
Por outro lado, em Portugal, e de
acordo com o relatório do Conselho Nacional de Promoção do Voluntariado, o
recrutamento de novos voluntários processa-se, quase sempre, num circuito
fechado, dentro do universo dos já voluntários, fazendo com que algumas
instituições já conheçam três gerações de voluntários da mesma família.
De facto, a promoção de oferta de
voluntários não é feita de forma alargada, sendo muito restritas as
possibilidades de um cidadão aceder por si só à informação necessária para que
possa aderir a um projeto de voluntariado.
Esta circunstância é uma realidade
na saúde. Na verdade, não existe um espaço único ao qual as instituições e os
cidadãos possam aceder, que facilite e promova o voluntariado, não existindo,
também, estatísticas sobre o voluntariado na saúde, embora exista a consciência
de que este tem grande preponderância no sector. De facto, este é um trabalho
que, também, importa realizar.
http://www.dgs.pt/participacao-da-sociedade-civil/actividades-e-projectos/voluntariado-em-saude.aspx
quinta-feira, 14 de abril de 2016
domingo, 3 de abril de 2016
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