terça-feira, 8 de dezembro de 2015
terça-feira, 1 de dezembro de 2015
O Voluntariado.....
"NA COMUNIDADE
E A PARTIR
DA COMUNIDADE"
Mensagem do
Sr. Arcebispo,
D. Jorge Ortiga,
para o Advento de 2015
Onde encontro
Jesus, hoje
No espírito
do programa que assumimos na Arquidiocese, queremos, quotidianamente, descobrir
a fisionomia do discípulo missionário. Acredito que determinados traços devem
ser conhecidos, trabalhados e vivenciados para que o anúncio do Evangelho seja
eficaz e verdadeiro. Quando ser cristão é uma opção consciente e desejada, e
não apenas tradição, descobrimos o quanto é importante o seguimento de Cristo.
Temos diante
de nós um itinerário. Até ao Natal trabalharemos a necessidade de uma vida de
fé que nos conduza ao encontro com Jesus. Não basta sermos formalmente
cristãos. Isso não abre espaço a um encontro pessoal com Cristo, não nos
implica nem nos transforma interiormente. Ser discípulo é caminhar atrás do
Mestre, vivo e misericordioso, para crescermos em sabedoria e santidade.
Sugiro, por
isso, neste tempo de Advento e de Natal, alguns “lugares” onde este encontro
pode acontecer.
– Oração a
partir da meditação das leituras do Domingo. Reservar um pouco de tempo para,
pessoalmente ou em família, sentir a presença amiga e solícita de quem nos ama
e vem ao nosso encontro. Libertos de preocupações, deixemo-nos encontrar por
Ele. Jesus está aí.
–Ver a
sociedade, local ou nacional, que nos rodeia e tomar consciência de que o mundo
está a ser construído sem referência a valores e princípios que deviam ser
identificativos da nossa identidade portuguesa. Escutar o que os acontecimentos
e as pessoas nos dizem pode acordar-nos da sonolência que nos alheia da
responsabilidade de construir um mundo melhor. Jesus está aí.
- Responder
às inquietações de quem sofre com a ausência de bens materiais de primeira
necessidade mas também de quem sofre espiritual e psicologicamente. O Ano da
Misericórdia poderá ser, para muitos, o rosto amigo que poucas vezes viram.
Jesus está aí.
- Oferecer
tempo e vida para um compromisso efectivo na Igreja e no mundo. O voluntariado,
na comunidade e a partir da comunidade, mostra a alegria do compromisso
responsável. Jesus está aí.
- Procurar
alguém que se afastou da Igreja e iniciar um diálogo fraterno onde, pelo
testemunho e palavra, Cristo é anunciado. Há vizinhos que não conhecemos e
pessoas a necessitarem de gestos representativos da ternura de Deus. Jesus está
aí.
Neste
espírito de encontro com Jesus Cristo, sugiro que a parábola do Bom Samaritano
nos acompanhe ao longo do Advento. É uma parábola rica em imagens, valores,
sentimentos e luzes que nos permitem reconhecer que o Natal não é um facto do
passado. Levantemo-nos do sono e vislumbremos o Menino que vem ao nosso
encontro. Não desperdicemos a graça deste tempo para um encontro mais
consciente com Cristo.
Bom Natal,
particularmente a quem sofre e a quem ainda não se encontrou com Jesus.
28 NOV 2015 http://www.diocese-braga.pt/noticia/1/6774
quarta-feira, 18 de novembro de 2015
O que disse o presidente:
SERVIDORES E DADORES
DE AMOR E DE VIDA,
EM CONTEXTO DE CIDADANIA
Se por um
lado (segundo a Lei 71/98), o “voluntário
é o indivíduo que de forma livre, desinteressada e responsável se compromete,
de acordo com as suas aptidões próprias e no seu tempo livre, a realizar ações
de voluntariado no âmbito de uma organização promotora.”; por outro lado
(segundo a Lei 37/2012), “entende -se por
dador de sangue aquele que, depois de aceite clinicamente, doa benevolente e
de forma voluntária parte do seu sangue para fins terapêuticos.”. Considerando
a mesma Lei que “a dádiva de sangue é um
ato cívico, voluntário, benévolo e não remunerado.”.
As duas
situações são protagonizadas por pessoas que de livre vontade e motivadas por
valores maiores, dão de si ou se dão, na mais completa disponibilidade para
ajudar quem mais precisa, seja em atos da vida diária em contexto hospitalar,
seja na dádiva benévola de sangue, quantas vezes imprescindível para que haja
vida e quiçá, vida em abundância.
A Liga dos
Amigos do Hospital de Viana do Castelo, a cidade, o concelho e o hospital, têm
o dom e o privilégio de integrar em si mesma, as duas vertentes de voluntariado
que afinal, cada uma de per si e as duas em conjunto são o que de mais valioso
se tem e se pode / deve dar: a vida e o amor.
Não importa quem
carece de ajuda (segundo o Artigo 13.º (Princípio da Igualdade) da Constituição
da República Portuguesa. Importa é que quem é ajudado é pessoa e quem dá é
pessoa, seja próximo, irmão, ou simplesmente cidadão. “Todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a
lei (…)” e “ninguém pode ser
privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento
de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de
origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação
económica, condição social ou orientação sexual.”.
Alguém um dia
viajando, encontrou alguém muito mal tratado. Viu, abeirou-se, deu a primeira
ajuda, entregou aos cuidados de outrem e partilhou financeiramente nas
despesas. Fez o que lhe competia, o que estava ao seu alcance, o que sabia
fazer e contribuiu com o que tinha. Sabem quem era? Era o Samaritano. Aquele a
quem nos habituamos a chamar de Bom.
Os
voluntários e os dadores, são hoje, os samaritanos e as samaritanas do século
XXI. Sim, também samaritanas. A samaritana também foi Boa. Deu água do seu poço
a quem tinha sede. Também ela ajudou quem não era da sua terra: Jesus de
Nazaré. Por isso ela não é só a mulher do poço mas a luminosa. Aquela que deu
mas com amor e compaixão, como o Samaritano.
Todos nós,
hoje, samaritanos e samaritanas, voluntários e dadores, fazemos o bem sem olhar
a quem; e fazemo-lo com a maior motivação e empenho, com o sentido que é nosso
dever prover a quem precisa no corpo e na alma, com a certeza de que este nosso
contributo para a promoção da saúde e do bem-estar, tem sentido e faz sentido
num mundo onde apesar de muitas notícias difundirem ações de ajuda solidaria
diversa, nomeadamente agora com a situação dos refugiados, apesar disso, o
mundo é cada vez mais individualista e carente da ajuda mútua, da dádiva
gratuita, do sentido do outro, do próximo ou do irmão.
Cidadania não
deve apenas ser reconhecida como o
«direito a ter direitos». Em cidadania, todos somos responsáveis por
todos. A cidadania implica que os direitos e deveres estão interligados, e o
respeito e cumprimento de ambos contribuem para uma sociedade mais equilibrada,
mais justa e mais fraterna. Uma sociedade de pessoas mais saudáveis e mais
felizes. Uma sociedade de pessoas que se amam e querem bem umas às outras.
A Liga dos
Amigos do Hospital de Viana do Castelo, assim como outras Organizações
congéneres; e a Federação Nacional de Voluntariado em Saúde, é, dizia eu, o
caminho e a estratégia necessária e que se quer para a prossecução dos
objetivos que nos animam, sabendo-se também que “o valor social do voluntariado, é expressão do exercício livre da
cidadania ativa e solidária (…) que se traduz numa relação solidária para com o
próximo, participando, de forma livre e organizada, na solução dos problemas
que afetam a sociedade em geral (Decreto-Lei 289/99)”.
Vida longa à
Liga dos Amigos do Hospital de Viana do Castelo. Que ano a ano e sempre, ela
continue com a determinação e a força de realizar a ação tão meritória que é a
ajuda voluntária no Hospital e a promoção e o enquadramento da dádiva de
sangue, tão e cada vez mais necessária.
Em contexto
de cidadania, sejamos servidores e dadores de amor e de vida!
Bem-hajam!
João António Pereira
Presidente da Direção da Federação
Nacional de Voluntariado em Saúde
Viana do Castelo, 21 de
novembro de 2015
sábado, 14 de novembro de 2015
O que disse o presidente:
Cidadania
e participação nas USF
A Cidadania em Saúde emerge em 1978 da Declaração de Alma-Ata como “o direito e dever das populações em participar individual e coletivamente no planeamento e na prestação dos cuidados de saúde” (PNS 2012 – 2016).
Questões prévias:
Qual o papel
do Voluntariado em saúde?
Existem
experiências de voluntariado em saúde, nos cuidados de saúde primários?
Que ligações possíveis a
comunidade onde se insere a USF, que intervenção Comunitária?
Introdução
O voluntariado,
houve, há e haverá, sempre que existam duas pessoas e pelo menos uma delas se
encontre em situação de desfavor, de carência, etc., e essa situação motive que
uma atue em favor da outra.
Portanto, e
embora antes tenham sido usados outros termos para designar a mesma realidade –
zeladores, cooperadores, cuidadores não formais, etc., o voluntariado não é uma
coisa nova, uma moda, algo que alguém se lembrou de inventar por exemplo, por
razões políticas e partidárias, para resolver o problema da falta de
mão-de-obra, ou para reduzir custos de exploração.
Antes de ter
a ver com as políticas, com as grandes políticas, o voluntariado tem a ver com
as pessoas.
Na sua
essência, o voluntariado é serviço de pessoa a pessoa e entre pessoas. Não a
Organizações nem entre Organizações.
Muitos passos
têm sido dados ao longo da história da humanidade no sentido da assunção do
voluntariado como algo verdadeiramente importante e intrínseco à vida das
pessoas e das comunidades, e que vale a pena promover e apoiar.
Em Portugal, um passo importante foi dado com a
Lei 71/98 que, segundo ela mesma, “visa
promover e garantir a todos os cidadãos a participação solidária em ações de
voluntariado e definir as bases do seu enquadramento jurídico”, tendo por
base o reconhecimento por parte do Estado do “valor social do voluntariado como expressão do exercício livre de uma
cidadania ativa e solidária” promovendo e garantindo a sua autonomia e
pluralismo – ou seja, os fins do voluntariado.
Pela Lei,
encontra-se definido que em Portugal o voluntariado é:
“O conjunto de ações de interesse social e
comunitário, realizadas de forma desinteressada por pessoas, no âmbito de projetos,
programas e outras formas de intervenção ao serviço dos indivíduos, das famílias
e da comunidade, desenvolvidos sem fins lucrativos por entidades públicas ou
privadas.”
E que o
conceito não abrange “as atuações que,
embora desinteressadas, tenham um carácter isolado e esporádico ou sejam
determinadas por razões familiares, de amizade e de boa vizinhança.”
Ou seja, o
voluntariado não é apenas bem-fazer, não é uma atividade free-lancer ou
liberal, mas atuação séria, responsável, comprometida, organizada e enquadrada
institucional e tecnicamente.
Não há
voluntariado nem voluntários a bel-prazer, nem quando dá jeito ou quando
apetece, nem para ganhar o céu.
Antes de
avançar parece-me importante referir os sete princípios que em Portugal também
norteiam a atividade do voluntariado e que nos podem ajudar a perceber melhor,
mais à frente, o papel do voluntariado, mesmo no campo da saúde. São eles:
A
solidariedade, a participação, a cooperação, a complementaridade, a gratuidade,
a responsabilidade e a convergência.
“O princípio da solidariedade traduz-se na
responsabilidade de todos os cidadãos pela realização dos fins do voluntariado.
O princípio da participação implica a intervenção das
organizações representativas do voluntariado em matérias respeitantes aos
domínios em que os voluntários desenvolvem o seu trabalho.
O princípio da cooperação envolve a possibilidade de
as organizações promotoras e as organizações representativas do voluntariado
estabelecerem relações e programas de ação concertada.
O princípio da complementaridade pressupõe que o
voluntário não deve substituir os recursos humanos considerados necessários à
prossecução das atividades das organizações promotoras, estatutariamente
definidas.
O princípio da gratuitidade pressupõe que o voluntário
não é remunerado, nem pode receber subvenções ou donativos, pelo exercício do
seu trabalho voluntário.
O princípio da responsabilidade reconhece que o
voluntário é responsável pelo exercício da atividade que se comprometeu
realizar, dadas as expectativas criadas aos destinatários do trabalho
voluntário.
O princípio da convergência determina a harmonização
da ação do voluntário com a cultura e objetivos institucionais da entidade
promotora.”
O papel do voluntariado no campo da saúde
Tradicionalmente,
quando se falava em voluntariado em saúde, aludia-se ao voluntariado que as
senhoras de bata amarela realizam nas Unidades Hospitalares. Era o chamado
voluntariado hospitalar.
As coisas
mudam. O setor da saúde evolui, redefine-se, etc., e também o voluntariado se
vai estabelecendo em outras Unidades de Saúde que já não exclusivamente com
internamento.
Apesar de
hoje o voluntariado se situar ainda e predominantemente em ambiente hospitalar,
a verdade é que já se começa a alargar a outras áreas da saúde e do bem-estar:
cuidados de saúde primários, cuidados continuados, cuidados paliativos e
cuidados na comunidade, e outros equipamentos onde se prestam cuidados de
saúde.
Seja como
for, se a finalidade do voluntariado é o exercício ativo da cidadania em contexto
de solidariedade, também o grande objetivo do voluntariado no campo da saúde é,
para além disso, também a humanização dos serviços e dos cuidados que se
prestam aos destinatários, sejam eles doentes ou não.
No campo da
saúde, segundo o pensamento da FNVS, o objetivo do voluntariado pode traduzir-se na
realização de “tarefas de comunicação, de
acolhimento, de companhia, de encaminhamento e de oferta de refeições ligeiras
ou pequenos serviços aos utentes e seus familiares, em Equipamentos onde se
prestam cuidados de saúde. Também na visita a pessoas que temporariamente ou em
situação mais prolongada, se encontram nos Serviços dos referidos Equipamentos,
cujo acesso se encontre autorizado, bem como a ajuda na realização de pequenas
tarefas da vida diária, no acompanhamento a consultas e a serviços públicos, na
realização de algumas compras e similares, promovendo assim a facilitação do
acesso aos serviços destinados aos cidadãos, e contribuindo para o bem-estar geral e a
inclusão social das pessoas beneficiárias da ajuda voluntária, nos domicílios
dos utentes dos Equipamentos e fora daqueles, em situação de pós-alta ou não”.
O que acabo
de afirmar deve estar em sintonia com os já mencionados sete princípios do
voluntariado preconizados pela Lei 71/98.
E por isso, o
voluntariado no campo da saúde deverá ser sempre e nomeadamente:
Um
voluntariado sério, organizado, estruturado e vocacionado principalmente para a
humanização dos serviços, dos cuidados e das pessoas.
Um
voluntariado de pessoas, para pessoas e com as pessoas, sempre de ajuda a
pessoas, que contribui para o desenvolvimento pessoal e social.
Um
voluntariado que prima pelo respeito pessoal e pelo sigilo de situações e de
dados.
Um
voluntariado onde se respeitam os direitos dos voluntários e dos beneficiários.
Um
voluntariado onde se promove a autonomia dos beneficiários e as obrigações dos
voluntários.
Um
voluntariado exigente, ao nível da continuada disponibilidade para servir, da
entrega e da prestação livre mas responsável.
Um
voluntariado que promove e contribui para a qualidade dos serviços e dos
cuidados que se prestam nas Unidades de Saúde, e que visa a satisfação de todos
os intervenientes, especialmente os utentes.
Desta forma,
o voluntariado que se realiza no campo da saúde é sempre uma mais-valia para o
setor, para as Organizações e para as pessoas. Logo, também aqui, é promotor de
desenvolvimento.
E qual o papel do voluntariado nas USF’?
Para além do
que já disse penso que será importante referir que para lá do aspeto da
humanização, outra grande marca do voluntariado no campo da saúde, é a da
cooperação.
Sim,
cooperação. O voluntariado protagonizado pelas Ligas de Amigos e Associações de
voluntários, no campo da saúde, embora com respeito por outros tipos de
participação dos cidadãos na coisa pública, é o cooperar, o colaborar, o ajudar
a zelar, o ajudar a cuidar, sem confusão de papéis nem do que compete a
voluntários e profissionais.
Também pode
ser o de ajuda à defesa de interesses dos utentes, mas esse não é o seu papel
principal.
Nem estou a
ver que deva ser promotora da defesa dos interesses dos trabalhadores.
E que papel
podem ter, ou que tarefas podem desenvolver, os voluntários enquadrados por
Unidades de Saúde Familiar ou por outro tipo de Unidade de Saúde dos Cuidados
de Saúde Primários?
Visitação
domiciliária de doentes acamados, idosos, famílias em situação de
vulnerabilidade. (USF Fernão Ferro Mais - Seixal).
Promover a
participação da comunidade na vida da USF, melhorar a humanização dos cuidados
de saúde e cooperar com outras entidades. (USF Monte da Caparica - Almada).
Apoio social
e humanitário aos utentes da USF, em colaboração com os serviços, visando a
melhoria do nível de saúde e do bem-estar dos utentes (USF Serpa Pinto – Porto).
Ajudar na
melhoria do nível de saúde dos utentes, apoio humanitário aos utentes
carenciados, colaborando na assistência domiciliária e ambulatória, apoiar
iniciativas destinadas a doentes crónicos e convalescentes, e promover
ações de carácter social, cultural, desportivo e de lazer. (USF Buarcos –
Figueira da Foz).
Companhia aos
utentes, quer nos serviços de saúde, quer no domicílio, onde poderão ajudar a
passar melhor os dias, possibilitando ao apoiado, a exposição das suas
histórias de vida, as suas dificuldades, necessidades, angústias e anseios, bem
como deslocação à mercearia, aos serviços de água e eletricidade para efetuar
os pagamentos destes serviços (ACES Maia).
Identificar
necessidades que sendo fruto das circunstâncias concretas do âmbito da Unidade,
sejam passíveis de obter resposta através do voluntariado, na medida em que a
sua solução radique nos princípios da solidariedade, da confiança, da
participação, da entreajuda e cooperação, da complementaridade, da
gratuitidade, da responsabilidade e da convergência; Promover atividades de
apoio pessoal e institucional, em regime de voluntariado, complementares ao
apoio técnico e profissional desenvolvido pela UCC, garantindo a adequação das
mesmas em função das necessidades identificadas;
Promover as
relações de proximidade, confiança e interconhecimento entre as pessoas e
serviços da Unidade, reforçando os laços de solidariedade aí existentes; Contribuir para
a melhoria da qualidade do acesso aos cuidados prestados pela UCC, no sentido
da eficiência e da eficácia da prestação dos serviços e da satisfação dos
utentes. Potenciar o
trabalho em parceria, a promoção da cooperação e a rentabilização de recursos; Promover a
qualificação e a participação ativa de todos os intervenientes. (UCC Boavista –
Porto).
Assim: O
voluntariado que está a acontecer nos Cuidados de Saúde Primários, parece não
diferir muito do que antes apresentei como objetivo do voluntariado no campo da
saúde, e portanto mais de ação social que prestação de cuidados de saúde em si
mesmos.
Creio estar
mais focalizado na promoção do bem-estar pessoal e social das pessoas, e isso é
bom. É mesmo muito
bom. É promotor de
saúde.
Afinal o
conceito saúde da OMS define que aquela é “um estado de completo bem-estar
físico, mental e social, e não apenas a ausência de doenças.”
Este
voluntariado parece caracterizar-me também e muito, pela atuação mais na
comunidade que no interior das Unidades de Saúde.
Afinal é
também assim, ou pode afirmar-se como sendo voluntariado de proximidade e
comunitário, numa relação estreita entre as Unidades de Saúde e as pessoas nos
seus ambientes naturais, bem como em articulação ou parceria com outras
Organizações da comunidade.
Conclusão
Participar ou
não participar nas USF’ por via do voluntariado?
Se por um
lado há razões para que os cidadãos participem na coisa pública, nomeadamente
no que tem a ver com o exercício da cidadania ativa, por outro lado também
deverão haver razões da parte da USF’ para que essa participação seja efetiva.
Primeiro tem
que se querer. E querer é poder.
Segundo, para
que os cidadãos participem na vida das USF’, isso mesmo tem que ser visto como
uma mais-valia para a prestação dos cuidados e dos serviços que se prestam.
Se esta minha
visão da arte se pode aplicar às várias formas de participação, por maioria de
razão se aplica ao exercício do voluntariado.
A intervenção
do voluntariado e dos voluntários, prestação de um serviço e relação
interpessoal afetivamente positiva, deve acontecer no mais profundo respeito
por regras e papéis, quer pessoais quer das Organizações.
Deve
acontecer com agentes devidamente selecionados, capacitados e verdadeiramente
disponíveis, por exemplo, para o estabelecimento de relações interpessoais que
promovam o bem-estar e a felicidade das pessoas ajudadas, bem como a respetiva
inclusão social.
Deve
acontecer com enquadramentos adequados e sérios, quer no nível de parcerias,
projetos ou programas, quer ao nível da definição de perfis de função, da
monitorização de dados, do desempenho avaliado e da acreditação e certificação.
Termino: O
voluntariado, para além do aspeto da cidadania, também pode ser parte da
resposta a certa ou certas necessidades.
Nunca é a
resposta completa, mas pode ser parte dela. O
voluntariado é complementar. Não tem o papel principal. E no campo da
saúde, isso é por demais exigido e evidente.
É pertinente? A qualidade e
a excelência dos serviços e dos cuidados prestados pelas USF’ podem melhorar
com o contributo do voluntariado? Então sejamos também nós agentes da ajuda
solidária, gratuita e disponível, tão características dos voluntários do campo
da saúde. Implementemos
serviços de voluntariado nas nossas USF’.
Agora se não
for bem assim, tenhamos também a coragem de dizer não, porque isso pode não ser
a resposta adequada ou a que efetivamente queremos. E quando não
queremos parece que as coisas não marcham assim tão bem.
Segundo o
Plano Nacional de Saúde 2012 – 2016, “o
utente do século XXI (Coulter A, 2002) é decisor, gestor e coprodutor de saúde,
avaliador, agente de mudança, contribuinte e cidadão ativo, cuja voz deve
influenciar os decisores em saúde (Carta de OTawa, 1986).”
Muito
obrigado. Bem-hajam!
Aveiro, 14 de maio de 2015, João António Pereira, Presidente da Direção da Federação Nacional de Voluntariado em Saúde
Texto disponível em pdf, também em: http://www.associapro.com/docdownload.aspx?file=doc2865.pdf
Serviço Nacional de Saúde:
Estatizar
ou liberalizar?
Não sendo, por enquanto, possível a plena
liberalização dos serviços de saúde, a adopção de um modelo bismarkiano, de partilha
de responsabilidade entre os utentes do serviço, os prestadores privados de
saúde e o estado, obteria certamente resultados mais satisfatórios para todos.
É voz comum que o Serviço Nacional de Saúde funciona
mal ou que, pelo menos, funciona com graves deficiências, impróprias de um
Estado Social exigente. Independentemente dos governos, dos ministros e das
políticas seguidas, os utentes da saúde pública portuguesa queixam-se de
atendimento tardio, das filas de espera, do congestionamento e da negligência
das urgências, dos equipamentos antiquados e escassos, da falta de médicos, de
enfermeiros e de camas para internamento, dos meses de espera para as consultas
e actos cirúrgicos. Por outro lado, os médicos consideram-se mal pagos e alegam
ter excesso de trabalho e más condições para o realizar. Os enfermeiros e
auxiliares de saúde queixam-se dos baixos salários e da falta de pessoal.
Frequentemente, estes profissionais da saúde pública fazem greves, para
desespero dos utentes. Quem pode, quem tem condições financeiras para isso,
foge do Serviço Nacional de Saúde para a saúde privada, onde o índice de
satisfação com os serviços prestados é muito mais elevado.
E isto num país que gasta uma média anual de 10% do
PIB com o financiamento do Serviço Nacional de Saúde, o que representa um valor
elevadíssimo para um sistema público em relação ao qual existem tantas
reclamações. Em termos relativos, o financiamento do nosso sistema não se
encontra muito distante dos países que são considerados referências na
prestação de cuidados de saúde, como a Alemanha (11%) e os Países Baixos (12%).
A agravar este panorama, o SNS está quase permanentemente em ruptura
financeira, segundo os seus responsáveis. Ora, por que é que com contribuições
percentualmente muito semelhantes (que devem ser também adequadas
proporcionalmente ao número de utilizadores), serviços equivalentes obtêm
resultados tão distintos é coisa que merece séria reflexão.
A análise deverá incidir, primeiramente, sobre os
vários modelos de saúde pública existentes sobretudo na Europa, que foi
pioneira na sua criação. No nosso continente desenvolveram-se, desde o final do
século XIX e meados do século XX, duas matrizes principais, que, por sua vez,
com uma ou outra diferença, foram adaptadas por outros países europeus e
noutros continentes. São eles o modelo Bismark, baptizado com o
apelido do chanceler alemão e criado no final do século XIX, e o modelo
Beveridge, em homenagem ao economista inglês que influenciou a
criação do National Health Service (NHS), em 1948, pelo governo trabalhista de
Attlee. O primeiro modelo foi aplicado em países como a Alemanha, a Áustria e,
com aprofundamentos interessantes, na Suíça, ao passo que o segundo foi o
adoptado no Reino Unido, Espanha, Suécia e Portugal, entre outros países.
A diferença maior entre estes dois sistemas reside no
facto de que, sendo embora ambos públicos e universalistas, o primeiro é
regulado mas não dirigido nem planificado pelo estado, ao passo que o segundo
se encontra integralmente estatizado. Quer isto dizer que o sistema Bismark
nasce no estado, é tutelado e regulamentado pelo estado, mas é financiado por
um fundo público-privado, cujas receitas advêm essencialmente de seguros
privados de saúde que são obrigatórios. Já o sistema Beveridge é quase
integralmente financiado pelos impostos dos contribuintes. Por sua vez, a
prestação dos cuidados de saúde é assegurada, no primeiro caso,
maioritariamente por entidades privadas que os tomadores de seguros escolhem
livremente, enquanto no segundo o estado é o proprietário da maioria dos
hospitais, contrata médicos, enfermeiros e os demais operadores destes
serviços. A Suíça, onde se encontra um dos melhores e mais completos serviços
de saúde da Europa e do Mundo, levou mais longe a privatização do sistema.
Aqui, o estado intervém exigindo que todos os cidadãos tenham um seguro básico
de saúde (três meses após o nascimento ou a radicação no país), mas a oferta
destes planos e dos serviços é completamente privada. Os hospitais dispõem,
também, cada um deles, de um Serviço Social, que atende os casos das pessoas
socialmente mais carenciadas.
O facto relevante é que são os sistemas estatizados,
onde se gasta mais dinheiro público, aqueles que provocam maior insatisfação
dos utentes. Em Portugal, por exemplo, segundo os dados do Relatório de
Primavera de 2011 do Observatório Português dos Sistemas de Saúde, o tempo
médio de espera por uma consulta de especialidade era de 361,5 dias, sendo que
as consultas consideradas “muito prioritárias” eram as que sofriam maiores
atrasos. No Relatório da Primavera de 2015, lê-se que a situação de 2011 se
manteve no essencial e acrescenta-se que “é possível concluir pela dificuldade de acesso
dos utentes às primeiras consultas de especialidade, em tempo útil”.
Ora, uma pessoa doente que não seja atendida “em tempo útil” poderá estar
condenada. Sobre o sistema público de saúde inglês, a matriz originária deste
modelo, o tempo médio de espera por um acto cirúrgico era, antes das reformas
operadas pelo governo conservador, em 1991, de 18 meses, tendo melhorado depois
dessa reforma e da realizada em 1999, já pelo governo trabalhista, para um
prazo que pode ir, ainda assim, de 10,2 semanas a 9 meses.
Resulta pois evidente que os sistemas de saúde
alicerçados sobre os princípios da economia de mercado e da partilha de
responsabilidades entre os utentes e o estado são mais eficazes e apresentam
melhores resultados do que os sistemas integralmente estatizados. Alegar que os
países mais pobres precisam de maior intervenção pública para garantirem uma
saúde de acesso universal não é argumento, porque não só são muito
insatisfatórios os resultados, como verdadeiramente só utilizam estes serviços
as pessoas que não têm recursos que lhes permitam aceder à saúde privada,
apesar do imenso dinheiro nele gasto pelos contribuintes. Os vícios da
estatização da saúde não residem somente no desperdício de recursos, cuja
gestão não obedece a uma racionalidade empresarial mas política, nem na
excessiva burocratização. A falta de concorrência e o seu financiamento através
de recursos do orçamento do estado desresponsabilizam todos os agentes e
provocam a quebra de investimento, a baixa de salários e a fuga de pessoal tecnicamente
competente para a iniciativa privada.
Não sendo, por enquanto, possível a plena
liberalização dos serviços de saúde, a adopção de um modelo bismarkiano, de
partilha de responsabilidade entre os utentes do serviço, os prestadores
privados de saúde e o estado, obteria certamente resultados mais satisfatórios
para todos. O modelo suíço é, por enquanto, num país tradicionalmente tão
estatista como Portugal, uma utopia no médio prazo.
Por Rui de Albuquerque / 14/11/2015
- 05:35 / Professor da Universidade Lusófona
In.: http://www.publico.pt/sociedade/noticia/servico-nacional-de-saude-estatizar-ou-liberalizar-1714348?page=-1
sexta-feira, 13 de novembro de 2015
segunda-feira, 2 de novembro de 2015
Pelos caminhos do voluntariado...
Ser voluntário é amar o próximo
Gratificante para quem
o exerce, o trabalho como voluntario é muito valioso para aqueles que
beneficiam dele. Na generalidade o voluntariado é prestado sobretudo às pessoas
mais carentes da sociedade e isso é uma obra de misericórdia
Devo confessar que me apercebi cedo do que é o trabalho
voluntário em prol do próximo. Isso aconteceu na década de 60, era eu muito
jovem. O relacionamento que encetei com uma irmã de uma congregação religiosa,
que visitava regularmente os doentes oncológicos de
um hospital da capital,
permitiu-me compreender não só o sacrifício de quem o fazia, como a bênção que
era para as pessoas que dele usufruíam.
Ao longo da vida acompanhei outras pessoas e instituições que
tinham no trabalho voluntário uma forma de conviver e ajudar os outros, o que
sempre me sensibilizou. É preciso muita coragem para prescindir por vezes dos
interesses ou comodidades pessoais e doar-se a uma causa de necessidade alheia.
Apesar disso, verificamos que o número de voluntários é cada vez maior em
muitas áreas, não apenas no nosso país, como até para ajudar e trabalhar
noutros países.
O voluntariado é o conjunto de ações de interesse social e
comunitário em que toda a atividade desempenhada reverte a favor do serviço e
do trabalho. É executado sem qualquer remuneração ou lucro. Hoje não são apenas
os institutos religiosos a exercerem e cativarem para essa missão, mas também
muitas organizações não-governamentais (ONG) que possuem um quadro extenso de
pessoas que abraçaram as mais diversas áreas de apoio social à sociedade mais
carenciada.
O trabalho voluntário é exercido de forma séria, muitas vezes
necessita de especialização e profissionalismo, já que são realizados em locais
como hospitais, clínicas e até em escolas, no estrangeiro por exemplo. Ora para
este tipo de trabalho são precisos profissionais formados em diversas áreas,
mas também de pessoas que possuam vontade de participar deste tipo de
atividade.
Lembrando um pouco a história, vamos mencionar um dos
pioneiros que surgiu na Igreja Católica, e que ainda hoje é recordado na ação
dos seus seguidores (as): Vicente de Paulo, mais tarde levado às honras dos
altares, e que nos finais do séc. XVI organizou uma entidade integrada por
mulheres pertencentes a famílias aristocráticas, dedicadas a visitar os doentes
nos hospitais e os pobres em suas casas, para levar-lhes ajuda.
As Damas de Caridade foi uma organização que não prosperou,
de acordo com Kisnerman (1983) por causa do preconceito vigente na época,
segundo o qual as mulheres deveriam ocupar-se somente da casa e dos filhos.
Exatamente por isso, Vicente de Paulo passou a recrutar jovens camponesas, as
quais chamou, inicialmente de Servas dos Pobres, passando depois a Filhas de
Caridade e, finalmente, a Irmãs de Caridade, denominação que perdura até aos
dias de hoje. Atualmente ainda há diversas obras vicentinas que continuam a
aglutinar muitos voluntários e a trabalhar na prestação de apoio aos mais
carenciados.
A prestação do voluntariado é tão importante que as Nações
Unidas (ONU) não só criaram o Dia Mundial do Voluntário em Dezembro de 1985, há
30 anos, como designaram o ano de 2001 como o Ano Internacional do
Voluntariado. A legislação portuguesa define voluntariado como «o conjunto de
ações de interesse social e comunitário, realizadas de forma desinteressada por
pessoas, no âmbito de projetos, programas e outras formas de intervenção ao
serviço dos indivíduos, das famílias e da comunidade, desenvolvidos sem fins
lucrativos por entidades públicas ou privadas».
Mas mais importante do que aquilo que a lei refere é o
verdadeiro espírito de entreajuda que cada voluntário (a) emana perante as
comunidades e pessoas em dificuldade. Isso sim é de enaltecer e louvar, pois
para além de ser uma demonstração de humanismo sublime, insere-se no verdadeiro
espírito cristão de amor ao próximo.
Eduardo Santos / http://www.fatimamissionaria.pt/artigo.php?cod=33257&sec=7
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