SERVIDORES E DADORES
DE AMOR E DE VIDA,
EM CONTEXTO DE CIDADANIA
Se por um
lado (segundo a Lei 71/98), o “voluntário
é o indivíduo que de forma livre, desinteressada e responsável se compromete,
de acordo com as suas aptidões próprias e no seu tempo livre, a realizar ações
de voluntariado no âmbito de uma organização promotora.”; por outro lado
(segundo a Lei 37/2012), “entende -se por
dador de sangue aquele que, depois de aceite clinicamente, doa benevolente e
de forma voluntária parte do seu sangue para fins terapêuticos.”. Considerando
a mesma Lei que “a dádiva de sangue é um
ato cívico, voluntário, benévolo e não remunerado.”.
As duas
situações são protagonizadas por pessoas que de livre vontade e motivadas por
valores maiores, dão de si ou se dão, na mais completa disponibilidade para
ajudar quem mais precisa, seja em atos da vida diária em contexto hospitalar,
seja na dádiva benévola de sangue, quantas vezes imprescindível para que haja
vida e quiçá, vida em abundância.
A Liga dos
Amigos do Hospital de Viana do Castelo, a cidade, o concelho e o hospital, têm
o dom e o privilégio de integrar em si mesma, as duas vertentes de voluntariado
que afinal, cada uma de per si e as duas em conjunto são o que de mais valioso
se tem e se pode / deve dar: a vida e o amor.
Não importa quem
carece de ajuda (segundo o Artigo 13.º (Princípio da Igualdade) da Constituição
da República Portuguesa. Importa é que quem é ajudado é pessoa e quem dá é
pessoa, seja próximo, irmão, ou simplesmente cidadão. “Todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a
lei (…)” e “ninguém pode ser
privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento
de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de
origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação
económica, condição social ou orientação sexual.”.
Alguém um dia
viajando, encontrou alguém muito mal tratado. Viu, abeirou-se, deu a primeira
ajuda, entregou aos cuidados de outrem e partilhou financeiramente nas
despesas. Fez o que lhe competia, o que estava ao seu alcance, o que sabia
fazer e contribuiu com o que tinha. Sabem quem era? Era o Samaritano. Aquele a
quem nos habituamos a chamar de Bom.
Os
voluntários e os dadores, são hoje, os samaritanos e as samaritanas do século
XXI. Sim, também samaritanas. A samaritana também foi Boa. Deu água do seu poço
a quem tinha sede. Também ela ajudou quem não era da sua terra: Jesus de
Nazaré. Por isso ela não é só a mulher do poço mas a luminosa. Aquela que deu
mas com amor e compaixão, como o Samaritano.
Todos nós,
hoje, samaritanos e samaritanas, voluntários e dadores, fazemos o bem sem olhar
a quem; e fazemo-lo com a maior motivação e empenho, com o sentido que é nosso
dever prover a quem precisa no corpo e na alma, com a certeza de que este nosso
contributo para a promoção da saúde e do bem-estar, tem sentido e faz sentido
num mundo onde apesar de muitas notícias difundirem ações de ajuda solidaria
diversa, nomeadamente agora com a situação dos refugiados, apesar disso, o
mundo é cada vez mais individualista e carente da ajuda mútua, da dádiva
gratuita, do sentido do outro, do próximo ou do irmão.
Cidadania não
deve apenas ser reconhecida como o
«direito a ter direitos». Em cidadania, todos somos responsáveis por
todos. A cidadania implica que os direitos e deveres estão interligados, e o
respeito e cumprimento de ambos contribuem para uma sociedade mais equilibrada,
mais justa e mais fraterna. Uma sociedade de pessoas mais saudáveis e mais
felizes. Uma sociedade de pessoas que se amam e querem bem umas às outras.
A Liga dos
Amigos do Hospital de Viana do Castelo, assim como outras Organizações
congéneres; e a Federação Nacional de Voluntariado em Saúde, é, dizia eu, o
caminho e a estratégia necessária e que se quer para a prossecução dos
objetivos que nos animam, sabendo-se também que “o valor social do voluntariado, é expressão do exercício livre da
cidadania ativa e solidária (…) que se traduz numa relação solidária para com o
próximo, participando, de forma livre e organizada, na solução dos problemas
que afetam a sociedade em geral (Decreto-Lei 289/99)”.
Vida longa à
Liga dos Amigos do Hospital de Viana do Castelo. Que ano a ano e sempre, ela
continue com a determinação e a força de realizar a ação tão meritória que é a
ajuda voluntária no Hospital e a promoção e o enquadramento da dádiva de
sangue, tão e cada vez mais necessária.
Em contexto
de cidadania, sejamos servidores e dadores de amor e de vida!
Bem-hajam!
João António Pereira
Presidente da Direção da Federação
Nacional de Voluntariado em Saúde
Viana do Castelo, 21 de
novembro de 2015

Sem comentários:
Enviar um comentário