quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Haja Saúde!...........

Saúde cria serviço gratuito para mediar conflitos

por Diana Mendes

Quem tiver queixas sobre erros médicos, negligência ou questões financeiras tem solução mais rápida evitando tribunais.

Os utentes da área da saúde já têm uma alternativa sem custos para resolver os conflitos com os hospitais e outras unidades. A mediação de conflitos pretende evitar o recurso aos tribunais mesmo em matérias como a negligência, erro médico, problemas de acesso a cuidados de saúde ou conflitos financeiros. O novo mecanismo foi criado pela Entidade Reguladora da Saúde (ERS), que admite ser possível resolver problemas no tempo máximo de 90 dias e sem custos para os envolvidos.
Um caso que podia ter sido resolvido por esta via foi o que envolveu a CUF Descobertas num processo por negligência, que terminou com a morte de uma doente. Tereza Coelho foi mandada para casa com diagnóstico de amigdalite e acabou por morrer com uma septicemia. O caso chegou ao fim recentemente, com a CUF a ser condenada pela "perda de chance", ao fim de sete anos. Apesar de o grupo Mello discordar da sentença, acabou por não apresentar recurso para evitar prolongar o caso.
Diz o regulador que a criação deste meio de solução de conflitos surgiu com a "necessidade de criar uma alternativa aos meios tradicionais. Há uma perceção clara de que muitas situações que originam queixas e reclamações por parte dos utentes não são resolvidas, pelo que, muitas vezes, os conflitos subsistem sem qualquer resolução efetiva. Assim, alguns utentes procuram, através das vias judiciais, a solução destes conflitos". E acredita que haverá "uma forte adesão dos destinatários deste serviço", para já limitado às suas instalações no Porto (onde é a sede).

Fotografia © Leonardo Negrão/Global Imagens


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domingo, 11 de outubro de 2015

CONCLUSÕES

7.º ENCONTRO NACIONAL
DO VOLUNTARIADO EM SAÚDE

Subordinado ao tema “O Voluntariado, promotor de Desenvolvimento”, realizou-se hoje, 10 de outubro de 2015, no CAE – Centro de Artes e Espetáculos da Figueira da Foz, o 7.º Encontro Nacional do Voluntariado em Saúde, com a participação de 320 voluntários, convidados, personalidades do Poder Local, da Administração Pública, da Saúde e de Organizações da Sociedade Civil; e amigos do Voluntariado que em Portugal se desenvolve em Unidades e em Equipamentos onde se prestam serviços e cuidados de saúde, sobretudo no Serviço Nacional de Saúde, quando na Europa se celebra o Ano Europeu do Desenvolvimento.

O evento foi promovido pela Federação Nacional de Voluntariado em Saúde, e organizado em parceria com a Liga dos Amigos do Hospital Distrital da Figueira da Foz, com a Câmara Municipal da mesma cidade e com o apoio de diversas entidades públicas e privadas, relevando-se o contributo de voluntários, presidente e diretores da referida Liga; e de colaboradores municipais. A todos se agradece.

Para além da promoção de encontro anual de quantos dedicadamente servem todos os dias os utentes das Unidades e Equipamentos de Saúde, particularmente os mais carenciados, debilitados, enfermos e outros, a iniciativa teve também o mérito de congregar preletores de excelência, que proporcionaram abordagens e reflexões de alta qualidade acerca dos diversos subtemas, contribuindo assim com os seus saberes e prestígio, para voluntariado e voluntários mais esclarecidos, mais formados, mais capacitados e mais aptos a no campo da saúde, desempenharem o seu papel com mais eficiência, mais eficácia, mais adequação à realidade e às situações, logo com mais qualidade e com satisfação de todos os intervenientes: as pessoas e as Organizações.

Os participantes no 7.º Encontro Nacional do Voluntariado em Saúde, declaram:

Comungar dos objetivos, dos conceitos e dos princípios que em Portugal dão hoje corpo, forma e enquadram o voluntariado organizado, acreditando que a prática do voluntariado é um modo possível para a vivência ativa da cidadania; e que no campo da saúde, aquela tem papel insubstituível na humanização das pessoas, dos ambientes, das Unidades de Saúde e de outros Equipamentos, complementarmente aos serviços e aos cuidados prestados. Afirmam que o voluntariado é um contributo inestimável na promoção do desenvolvimento pessoal, social e comunitário a vários níveis, passando a sua prática, muito por posturas de cooperação interpessoal e entre Organizações, e que também é fomento à participação direta, ao pensamento crítico e ao interesse ativo dos cidadãos motivados para ações de desenvolvimento pessoal, social, comunitário e global, na sensibilização para os benefícios decorrentes da cooperação, não apenas para os beneficiários diretos mas para todos os cidadãos, e promovendo sentimento comum de responsabilidade, de solidariedade e de oportunidade num mundo em mutação e cada vez mais interdependente e competitivo.

Os participantes no 7.º Encontro Nacional do Voluntariado em Saúde estabelecem as seguintes conclusões:

1. “O hospital de dia é uma estrutura organizacional de uma Instituição de Saúde com um espaço físico próprio onde se concentram meios técnicos e humanos qualificados que fornecem cuidados de saúde de modo programado a doentes em ambulatório, por um período normalmente não superior a 12 horas, não requerendo estadia durante a noite em alternativa à hospitalização clássica” ([i]). A presença de voluntariado organizado e o trabalho que desenvolvem os voluntários neste tipo de estrutura, é de suma importância, nomeadamente no que concerne ao acolhimento e ao acompanhamento dos utentes do serviço, e que a própria estrutura também realiza a favor dos voluntários.

Também aqui, o voluntariado e os voluntários têm uma atitude de cidadania e de fomento do envolvimento e da participação da comunidade na vida de Unidade Hospitalar, qual modelo de intervenção cívica no contexto da cadeia de voluntariado em saúde, na promoção da saúde, do bem-estar e da autonomia dos doentes.

2. No contexto da prestação de Cuidados de Saúde na Comunidade, grande contributo do voluntariado situa-se na possibilidade do aumento da rede social de apoio à família, complementarmente à “prestação de cuidados de saúde, de apoio psicológico e social de âmbito domiciliário e comunitário; às pessoas, famílias e grupos mais vulneráveis em situação de maior risco ou dependência física e funcional ou doença que requeira acompanhamento próximo” ([ii]), nomeadamente esclarecendo os utentes no sentido da sua literacia e capacitação; e a nível humanitário, apoiando aqueles que se encontrem em situação de carência, incluindo a assistência domiciliária, estimulando ações de rastreio, realizando atividades de desporto e de lazer; e procurando identificar grupos por tipologia de doenças, para além da sensibilização, da defesa e da promoção da satisfação dos direitos e dos deveres dos utentes, quer face aos Serviços de Saúde quer à comunidade em geral, com vista a vida com qualidade e bem-estar.

3. A relação de ajuda “pode ser considerada um instrumento válido, útil e com fidelidade comprovada" ([iii]) em processos de prestação de cuidados no campo da saúde. O “relacionamento humano é, em si mesmo, uma forma de cuidar que envolve valores, intenções, conhecimento, empenho e ações. A habilidade para estar numa relação de cuidar, requer mais do que refinamento das habilidades de comunicação comportamentais. Requer sobretudo uma apreciação das “coerências” de cada um, do desenvolvimento de uma consciência relacional, de um interesse na continuidade do relacionamento e não apenas a centralidade da atenção em si mesmo mas a sua extensão aos outros.” ([iv])

Em contexto clínico “a relação de ajuda entende-se, segundo Bermejo, como “um modo de ajudar em que quem ajuda usa especialmente recursos relacionais para acompanhar o outro a sair de uma situação problemática, a vivê-la de forma mais saudável recorrendo a um caminho de crescimento pessoal” ([v]).

O processo de desenvolvimento da pessoa humana acontece de forma diversificada e não linear, com influências e conjugações de múltiplos fatores pessoais e sociais, que os seus agentes e simultaneamente atores, lhe aportam; construindo sistemática e intrinsecamente, um modo de estar e uma experiência que nos torna únicos, sendo na interação com os outros que também todos saem transformados no decurso do próprio processo de desenvolvimento pessoal.

4. O voluntariado organizado, estruturado, sério, responsável, verdadeiramente comprometido e enquadrado em termos de organização, de direção e de coordenação técnica, é verdadeiramente, promotor de desenvolvimento, quer a nível pessoal, quer social, quer comunitário, quer em sentido mais global.

Sendo um dos fenómenos sociais mais dinâmicos, objeto de interesse e de análise a nível nacional e internacional, é também ele mesmo, importante e indispensável contributo para a realização dos objetivos do milénio relacionados com aspetos como, a erradicação da pobreza e da fome, o ensino básico, a igualdade de género e a autonomia das mulheres, a mortalidade infantil, a saúde materna, com o HIV / Sida e outras doenças, a sustentabilidade ambiental, e a parceria mundial para o desenvolvimento; e com os objetivos do Ano Europeu do Desenvolvimento: informar os cidadãos da União sobre a cooperação para o desenvolvimento da União e dos respetivos Estados Membros, fomentar a participação direta, o pensamento crítico e o interesse ativo dos cidadãos; e sensibilizar para os benefícios decorrentes da política de cooperação para o desenvolvimento.

Também e de modo evidente no campo da saúde, o trabalho voluntário constitui um elemento indispensável à humanização e à personalização da saúde, em virtude das suas características, sensibilidades e modalidades de atuação, tais como a presença continua nas Unidades e Equipamentos de Saúde, passando muito pelo saber escutar, pela relação afetiva e social e pela empatia que possibilita.

Diversas instituições internacionais e governos reconhecem o papel do voluntariado, dada a sua contribuição para o desenvolvimento humano, social e económico, mas também pela sua capacidade de consolidar valores como a cidadania ativa, a democracia, a solidariedade e a coesão social, ampliando enormemente as suas tradicionais funções assistenciais e de ajuda mútua para além delas mesmas.

Nesta perspetiva, e como o CEV - Centro Europeu de Voluntariado (2010), os participantes do 7.º Encontro Nacional do Voluntariado em Saúde, reconhecem que o valor do voluntariado também está em “assegurar a participação e o empoderamento” enquanto ação coletiva desenvolvida por cidadãos participantes em espaços privilegiados de decisões, de consciência social dos direitos sociais, entendendo que os decisores políticos devem encorajar-se a “envolver as organizações de voluntários em processos de tomada de decisões”, aos mais diferentes níveis e graus, como aliás prevê, por exemplo, a Lei 71/98 – Bases Jurídicas do Enquadramento do Voluntariado; e a Lei 44/2005 – Lei das Associações dos Utentes da Saúde.

5. No que concerne ainda ao voluntariado e aos voluntários do campo da saúde, manifestam a pertinência e a necessidade absoluta da sua organização, da sua representação, da sua integração e da defesa dos seus direitos, bem como da promoção das suas obrigações. As Organizações de voluntariado e de voluntários (Ligas, Associações e Grupos diversos) que atuam no campo da saúde em Portugal e a Federação Nacional de Voluntariado em Saúde, são, todas elas, o modo, o caminho e a estratégia necessariamente adequada e que se quer para isso mesmo; sejam elas promotoras, de enquadramento ou representativas. São a assunção por parte dos Cidadãos e da Sociedade Civil do desempenho do papel que lhes cabe e que é o seu: participar ativamente e serem a base da sociedade em funcionamento, resultante da união de todos, facilitando uma cidadania mais consciente e mais participativa.

Hoje, a Federação Nacional de Voluntariado em Saúde, integra 49 Organizações de Voluntariado e de Voluntários do Campo da Saúde e similar, (estimando-se que corresponda a cerca de 54.427 membros dos quais 10.553 serão voluntários de ação direta). Encontra-se em todos os distritos de Portugal continental, menos um, e na Região Autónoma dos Açores, crendo-se que esteja presente em 18 Centros Hospitalares, 5 Unidades Locais de Saúde, em 7 Hospitais e em 3 Agrupamentos de Centros de Saúde, totalizando 44 Unidades de Saúde do Serviço Nacional de Saúde, e outras do setor privado não lucrativo, todos eles, referentes a Cuidados Hospitalares, Cuidados Primários, Cuidados na Comunidade, de apoio e defesa de utentes e de promoção da saúde e do Bem-estar.

Figueira da Foz, 10 de Outubro de 2015

Os participantes no 7.º Encontro Nacional do Voluntariado em Saúde

Aprovado por unanimidade e aclamação


[i] “Hospital de Dia – Recomendações para os eu desenvolvimento”, Ministério da Saúde, Direção-geral da Saúde, 2005.
[ii] Decreto-Lei N.º 28/2008 de 22 de fevereiro
[iii] MENDES, João Manuel Galhanas, in Informar – Revista de Formação Contínua em Enfermagem, n.º 36, ano XII, janeiro – junho de 2006.
[iv] Idem.
[v] Idem.

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Dia Internacional da Caridade

ASSINALADO ESTE ANO PELA PRIMEIRA VEZ
A 5 DE SETEMBRO
Promover o diálogo, a solidariedade, o entendimento mútuo e os valores das Nações Unidas esteve na base da decisão dos Estados membros quando decidiram proclamar o dia 5 de setembro como o Dia Internacional da Caridade.
Proclamado pela Assembleia-Geral das Nações Unidas em 2012, através da Resolução 67/105, o Dia Internacional da Caridade tem hoje a sua primeira comemoração, no dia em que também se assinala a morte de Madre Teresa de Calcutá, “cuja vida e boas obras, por alguns dos mais pobres e dos vulneráveis, impulsionaram a emulação no mundo inteiro”, como descrito pelo Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, na sua mensagem oficial. O objectivo é reconhecer o papel da caridade no alívio às crises humanitárias e ao sofrimento humano em todo o mundo, assim como homenagear o trabalho meritório e excecional de inúmeras organizações e indivíduos.
Numa conjectura internacional em que a pobreza é uma tendência global – tanto de países desenvolvidos, como em desenvolvimento –, e em que acelerar os esforços para alcançar os Objetivos do Desenvolvimento do Milénio até 2015 se tornou um imperativo, a caridade assume-se como uma expressão de “solidariedade global” fundamental para “construir um futuro pacífico para todos”. É nesta perspectiva que o Secretário-Geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, coloca a tónica na caridade que, no seu entender, “pode e dever crescer”, sobretudo quando a comunidade internacional se prepara para “definir uma agenda audaz para o período pós-2015”.
Neste sentido, Ban Ki-moon apela a todos os Estados-membros, organizações regionais e internacionais e aos vários atores da sociedade civil a que encorajem a caridade, nomeadamente através da educação e de actividades que contribuam para a sensibilização da sociedade.
UNRIC | 5 de Setembro
http://www.unric.org/pt/actualidade/31234-dia-internacional-da-caridade-e-assinalado-hoje-pela-primeira-vez

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

ANO EUROPEU DO DESENVOLVIMENTO

O ANO DE TODOS NÓS

DoIs mil e quinze é um ano especial para o desenvolvimento. É o primeiro Ano Europeu consagrado à ação externa da União Europeia e ao papel da Europa no mundo. Para as organizações de desenvolvimento de toda a Europa é uma oportunidade única para mostrar o empenho da Europa na erradicação da pobreza à escala mundial e motivar mais europeus a implicar-se e a participar no desenvolvimento. Além disso, em 2015 está igualmente previsto alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milénio acordados em 2000, e a comunidade internacional deverá decidir qual o futuro quadro mundial para a erradicação da pobreza e o desenvolvimento sustentável.

O Eurobarómetro de 2013 mostra-nos dados surpreendentes sobre a forma como os cidadãos europeus veem o desenvolvimento: mais de 80 % consideram que a ajuda ao desenvolvimento é importante e 60 % pensam que temos de reforçar essa ajuda; dois terços acreditam que a luta contra a pobreza nos países em desenvolvimento deve ser uma das principais prioridades da União Europeia; 50 % declaram, contudo, não saber para onde vai a ajuda da União Europeia.

Em 2015, faremos o que estiver ao nosso alcance para explicar aos cidadãos europeus como funciona a ajuda ao desenvolvimento e para demonstrar que produz efeitos concretos e duradouros. Vamos mostrar aos contribuintes que o seu dinheiro está a ser utilizado da melhor forma possível para ajudar as pessoas em todo o mundo que, sem terem culpa nenhuma, se encontram numa situação de pobreza, dando-lhes meios de subsistência para si, as suas famílias e comunidades.


Durante todo o ano, apresentaremos pessoas que trabalham no terreno nos nossos países parceiros. Num mundo em rápida mutação, a fronteira que separa o mundo desenvolvido do mundo em desenvolvimento é cada vez mais ténue. Há antigos países em desenvolvimento que se tornaram doadores emergentes, enquanto outros continuam submersos na pobreza. Entretanto, surgem novas fontes de financiamento e novos parceiros de desenvolvimento. A relação tradicional entre doador e beneficiário deu lugar à cooperação, responsabilidade e interesse mútuos. Ajudar os países em desenvolvimento em todo o mundo a construir sociedades pacíficas e prósperas não é só uma questão de justiça. Trata-se também de contribuir para um mundo mais seguro e que proporcione à Europa mais oportunidades económicas e comerciais.


In.: - https://europa.eu/eyd2015/pt-pt/content/about-2015

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Serviço Nacional de Saúde

Mudar de rumo pela saúde dos portugueses

É urgente alinhar a política de saúde com as necessidades das pessoas.
Em matéria de saúde, os últimos 4 anos transformaram-se num dos maiores equívocos políticos da atual governação.
O desacerto das escolhas políticas conduziu o setor para uma situação de desequilíbrio que deixa marcas profundas no desempenho do sistema e na qualidade das respostas.
As escolhas erradas nos cortes feitos pelo dobro, face ao exigido, no programa de assistência externa, forçaram uma compressão da despesa pública em saúde, de 6,9% para 6,0% do PIB, não acautelando os impactos sobre o funcionamento do SNS.
Ao mesmo tempo, a desistência de uma ação reformista anulou qualquer alteração estrutural do sistema, conduzindo a uma situação de bloqueio cuja consequência mais visível é a desestruturação do SNS.
A incompreensão das implicações da crise económica na saúde, traduzida no desinvestimento na gestão da doença crónica ignoraram, por exemplo, a circunstância de Portugal ser hoje o segundo país da Europa com a maior percentagem de pessoas diabéticas (13,09%).
Na verdade, parece cada vez mais difícil esconder a realidade: a promessa falhada de médico de família para todos os portugueses, a desnatação dos hospitais públicos com a saída dos profissionais mais qualificados para o setor privado e para o estrangeiro, a rotura dos hospitais resultante da imprudente gestão das camas hospitalares, a falta de camas de cuidados continuados e a desacertada gestão dos recursos humanos são apenas alguns dos exemplos de uma ação política confusa e desligada de uma ideia de futuro.
A sustentabilidade do SNS, argumento central desta política, parece também ter ficado pelo caminho perdida no recrudescimento da dívida, no aumento dos prazos de pagamento, no subfinanciamento dos hospitais e no incumprimento da lei dos compromissos. O efeito resultante da diminuição dos encargos com os medicamentos, dos cortes salariais, da barragem à entrada da inovação terapêutica resultou ineficaz na prometida sustentabilidade.
No final destes 4 anos, fica como marca histórica deste ciclo político, a maior transferência de custos para os cidadãos, nas últimas décadas, e o maior desequilíbrio na relação financeira entre Estado e famílias, com um nível de pagamentos diretos que se aproxima dos 30% e que compara com uma média de 19% na OCDE. 
O reconhecimento tardio dos erros praticados está bem expresso na apressada necessidade, em tempo de eleições, de lançar um programa extra de 22 milhões de euros para recuperar as listas de espera que entretanto foram criadas, ao longo dos últimos 4 anos.
No final deste ciclo político, Portugal regista uma transferência de custos para as famílias sem precedentes, ao mesmo tempo que assiste ao maior crescimento do setor privado em contraste com o claro recuo do SNS.
Estas foram escolhas políticas cuja consequência mais grave se revela no avolumar das desigualdades entre cidadãos, no acesso aos cuidados de saúde.
É preciso mudar de rumo. É urgente alinhar a política de saúde com as necessidades das pessoas. Talvez seja por isso que, em matéria de saúde, se sente pelo país uma grande vontade de mudança.
Por Adalberto Campos Fernandes 16/09/2015 - 05:45
Médico Especialista em Saúde Pública e ex-presidente do Hospital de Cascais

http://www.publico.pt/politica/noticia/mudar-de-rumo-pela-saude-dos-portugueses-1707860?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+PublicoRSS+%28Publico.pt%29
Nota: este é um artigo de opinião e não vincula a Federação Nacional de Voluntariado em Saúde

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Dia Mundial do Doente - 2016

Mensagem do Santo Padre
para a 24.ª Jornada Mundial do Doente
que se celebra a 11 de fevereiro de 2016
em Nazaré, na Terra Santa

«Confiar em Jesus misericordioso, como Maria:
“Fazei o que Ele vos disser”(Jo 2, 5)»

Amados irmãos e irmãs!
A XXIV Jornada Mundial do Doente dá-me ocasião para me sentir particularmente próximo de vós, queridas pessoas doentes, e de quantos cuidam de vós.
Dado que a referida Jornada vai ser celebrada de maneira solene na Terra Santa, proponho que, neste ano, se medite a narração evangélica das bodas de Caná (Jo 2, 1-11), onde Jesus realizou o primeiro milagre a pedido de sua Mãe. O tema escolhido – Confiar em Jesus misericordioso, como Maria: «Fazei o que Ele vos disser» (Jo 2, 5) – insere-se muito bem no âmbito do Jubileu Extraordinário da Misericórdia. A celebração eucarística central da Jornada terá lugar a 11 de Fevereiro de 2016, memória litúrgica de Nossa Senhora de Lurdes, e precisamente em Nazaré, onde «o Verbo Se fez homem e veio habitar connosco» (Jo 1, 14). Em Nazaré, Jesus deu início à sua missão salvífica, aplicando a Si mesmo as palavras do profeta Isaías, como nos refere o evangelista Lucas: «O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu para anunciar a Boa-Nova aos pobres; enviou-me a proclamar a libertação aos cativos e, aos cegos, a recuperação da vista; a mandar em liberdade os oprimidos, a proclamar um ano favorável da parte do Senhor» (4, 18-19).
A doença, sobretudo se grave, põe sempre em crise a existência humana e suscita interrogativos que nos atingem em profundidade. Por vezes, o primeiro momento pode ser de rebelião: Porque havia de acontecer precisamente a mim? Podemos sentir-nos desesperados, pensar que tudo está perdido, que já nada tem sentido...
Nestas situações, a fé em Deus se, por um lado, é posta à prova, por outro, revela toda a sua força positiva; e não porque faça desaparecer a doença, a tribulação ou os interrogativos que daí derivam, mas porque nos dá uma chave para podermos descobrir o sentido mais profundo daquilo que estamos a viver; uma chave que nos ajuda a ver como a doença pode ser o caminho para chegar a uma proximidade mais estreita com Jesus, que caminha ao nosso lado, carregando a Cruz. E esta chave é-nos entregue pela Mãe, Maria, perita deste caminho.
Nas bodas de Caná, Maria é a mulher solícita que se apercebe de um problema muito importante para os esposos: acabou o vinho, símbolo da alegria da festa. Maria dá-Se conta da dificuldade, de certa maneira assume-a e, com discrição, age sem demora. Não fica a olhar e, muito menos, se demora a fazer juízos, mas dirige-Se a Jesus e apresenta-Lhe o problema como é: «Não têm vinho» (Jo 2, 3). E quando Jesus Lhe faz notar que ainda não chegou o momento de revelar-Se (cf. v. 4), Maria diz aos serventes: «Fazei o que Ele vos disser» (v. 5). Então Jesus realiza o milagre, transformando uma grande quantidade de água em vinho, um vinho que logo se revela o melhor de toda a festa. Que ensinamento podemos tirar, para a Jornada Mundial do Doente, do mistério das bodas de Caná?
O banquete das bodas de Caná é um ícone da Igreja: no centro, está Jesus misericordioso que realiza o sinal; em redor d’Ele, os discípulos, as primícias da nova comunidade; e, perto de Jesus e dos seus discípulos, está Maria, Mãe providente e orante. Maria participa na alegria do povo comum, e contribui para a aumentar; intercede junto de seu Filho a bem dos esposos e de todos os convidados. E Jesus não rejeitou o pedido de sua Mãe. Quanta esperança há neste acontecimento para todos nós! Temos uma Mãe de olhar vigilante e bom, como seu Filho; o coração materno e repleto de misericórdia, como Ele; as mãos que desejam ajudar, como as mãos de Jesus que dividiam o pão para quem tinha fome, que tocavam os doentes e os curavam. Isto enche-nos de confiança, fazendo-nos abrir à graça e à misericórdia de Cristo. A intercessão de Maria faz-nos experimentar a consolação, pela qual o apóstolo Paulo bendiz a Deus: «Bendito seja Deus e Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias e o Deus de toda consolação! Ele nos consola em toda a nossa tribulação, para que também nós possamos consolar aqueles que estão em qualquer tribulação, mediante a consolação que nós mesmos recebemos de Deus. Na verdade, assim como abundam em nós os sofrimentos de Cristo, também, por meio de Cristo, é abundante a nossa consolação» (2 Cor 1, 3-5). Maria é a Mãe «consolada», que consola os seus filhos.
Em Caná, manifestam-se os traços distintivos de Jesus e da sua missão: é Aquele que socorre quem está em dificuldade e passa necessidade. Com efeito, no seu ministério messiânico, curará a muitos de doenças, enfermidades e espíritos malignos, dará vista aos cegos, fará caminhar os coxos, restituirá saúde e dignidade aos leprosos, ressuscitará os mortos, e aos pobres anunciará a boa nova (cf. Lc 7, 21-22). E, durante o festim nupcial, o pedido de Maria – sugerido pelo Espírito Santo ao seu coração materno – fez revelar-se não só o poder messiânico de Jesus, mas também a sua misericórdia.
Na solicitude de Maria, reflecte-se a ternura de Deus. E a mesma ternura torna-se presente na vida de tantas pessoas que acompanham os doentes e sabem individuar as suas necessidades, mesmo as mais subtis, porque vêem com um olhar cheio de amor. Quantas vezes uma mãe à cabeceira do filho doente, ou um filho que cuida do seu progenitor idoso, ou um neto que acompanha o avô ou a avó, depõe a sua súplica nas mãos de Nossa Senhora! Para nossos familiares doentes, pedimos, em primeiro lugar, a saúde; o próprio Jesus manifestou a presença do Reino de Deus precisamente através das curas. «Ide contar a João o que vedes e ouvis: os cegos vêem e os coxos andam; os leprosos ficam limpos e os surdos ouvem, os mortos ressuscitam» (Mt 11, 4-5). Mas o amor, animado pela fé, leva-nos a pedir, para eles, algo maior do que a saúde física: pedimos uma paz, uma serenidade da vida que parte do coração e que é dom de Deus, fruto do Espírito Santo que o Pai nunca nega a quantos Lho pedem com confiança.
No episódio de Caná, além de Jesus e sua Mãe, temos aqueles que são chamados «serventes» e que d’Ela recebem esta recomendação: «Fazei o que Ele vos disser» (Jo 2, 5). Naturalmente, o milagre dá-se por obra de Cristo; contudo Ele quer servir-Se da ajuda humana para realizar o prodígio. Poderia ter feito aparecer o vinho directamente nas vasilhas. Mas quer valer-Se da colaboração humana e pede aos serventes que as encham de água. Como é precioso e agradável aos olhos de Deus ser serventes dos outros! Mais do que qualquer outra coisa, é isto que nos faz semelhantes a Jesus, que «não veio para ser servido, mas para servir» (Mc 10, 45). Aqueles personagens anónimos do Evangelho dão-nos uma grande lição. Não só obedecem, mas fazem-no generosamente: enchem as vasilhas até cima (cf. Jo 2, 7). Confiam na Mãe, fazendo, imediatamente e bem, o que lhes é pedido, sem lamentos nem cálculos.
Nesta Jornada Mundial do Doente, podemos pedir a Jesus misericordioso, pela intercessão de Maria, Mãe d’Ele e nossa, que nos conceda a todos a mesma disponibilidade ao serviço dos necessitados e, concretamente, dos nossos irmãos e irmãs doentes. Por vezes, este serviço pode ser cansativo, pesado, mas tenhamos a certeza de que o Senhor não deixará de transformar o nosso esforço humano em algo de divino. Também nós podemos ser mãos, braços, corações que ajudam a Deus a realizar os seus prodígios, muitas vezes escondidos. Também nós, sãos ou doentes, podemos oferecer as nossas canseiras e sofrimentos como aquela água que encheu as vasilhas nas bodas de Caná e foi transformada no vinho melhor. Tanto com a ajuda discreta de quem sofre, como suportando a doença, carrega-se aos ombros a cruz de cada dia e segue-se o Mestre (cf. Lc 9, 23); e, embora o encontro com o sofrimento seja sempre um mistério, Jesus ajuda-nos a desvendar o seu sentido.
Se soubermos seguir a voz d’Aquela que recomenda, a nós também, «fazei o que Ele vos disser», Jesus transformará sempre a água da nossa vida em vinho apreciado. Assim, esta Jornada Mundial do Doente, celebrada solenemente na Terra Santa, ajudará a tornar realidade os votos que formulei na Bula de proclamação do Jubileu Extraordinário da Misericórdia: «Possa este Ano Jubilar, vivido na misericórdia, favorecer o encontro com [o judaísmo e o islamismo] e com as outras nobres tradições religiosas; que ele nos torne mais abertos ao diálogo, para melhor nos conhecermos e compreendermos; elimine todas as formas de fechamento e desprezo e expulse todas as formas de violência e discriminação» (Misericordiae Vultus, 23). Cada hospital ou casa de cura pode ser sinal visível e lugar para promover a cultura do encontro e da paz, onde a experiência da doença e da tribulação, bem como a ajuda profissional e fraterna contribuam para superar qualquer barreira e divisão.
Exemplo disto são as duas Irmãs canonizadas no passado mês de Maio: Santa Maria Alfonsina Danil Ghattas e Santa Maria de Jesus Crucificado Baouardy, ambas filhas da Terra Santa. A primeira foi uma testemunha de mansidão e unidade, dando claro testemunho de como é importante tornarmo-nos responsáveis uns pelos outros, vivermos ao serviço uns dos outros. A segunda, mulher humilde e analfabeta, foi dócil ao Espírito Santo, tornando-se instrumento de encontro com o mundo muçulmano.
A todos aqueles que estão ao serviço dos doentes e atribulados, desejo que vivam animados pelo espírito de Maria, Mãe da Misericórdia. «A doçura do seu olhar nos acompanhe neste Ano Santo, para podermos todos nós redescobrir a alegria da ternura de Deus» (ibid., 24) e levá-la impressa nos nossos corações e nos nossos gestos. Confiamos à intercessão da Virgem as ânsias e tribulações, juntamente com as alegrias e consolações, dirigindo-Lhe a nossa oração para que Ela pouse sobre nós o seu olhar misericordioso, especialmente nos momentos de sofrimento, e nos torne dignos de contemplar, hoje e para sempre, o Rosto da misericórdia que é seu Filho Jesus.
Acompanho esta súplica por todos vós com a minha Bênção Apostólica.

Vaticano, 15 de Setembro – Memória de Nossa Senhora das Dores – do ano 2015.
FRANCISCUS

https://press.vatican.va/content/salastampa/it/bollettino/pubblico/2015/09/15/0677/01471.html#

sábado, 12 de setembro de 2015

7.º Encontro Nacional do Voluntariado em Saúde

Finalidade:
Contribuir para o cumprimento dos fins do voluntariado, particularmente dos que se relacionam com o voluntariado que se realiza no campo da saúde e similar, promovendo-os; assim como a atividade que as Organizações desenvolvem nesse sentido em Portugal, como expressão de uma cidadania ativa e solidária.

Objetivos gerais:
Reunir os voluntários que em Portugal, atuam no campo da saúde e similar, em prol da humanização, do bem-estar dos utentes, da qualidade de vida e do desenvolvimento, independentemente de se encontrarem inseridos ou não em Organizações Promotoras de Voluntariado e Organizações Representativas de Voluntários, com base no exercício da cidadania ativa.
Divulgar projetos, programas, Organizações e boas práticas de voluntariado no campo da saúde e similares, que se revelem sérios contributos de cidadania e de solidariedade, no sentido da melhoria da qualidade dos serviços e cuidados que se prestam aos utentes de saúde.
Contribuir para a capacitação geral dos agentes do voluntariado no campo da saúde e similar, nomeadamente os voluntários, possibilitando-se posturas e modus operandi com mais adequação e assertividade, no contexto das Unidades, dos Equipamentos e das Organizações onde colaboram; e elevar o pensamento crítico e o interesse ativo dos cidadãos sensibilizando-os para a importância do envolvimento no desenvolvimento.
Dar visibilidade ao voluntariado estruturado que em Portugal se realiza no campo da saúde e similar, sobretudo o que é protagonizado pelas Organizações de cidadãos, de modo particular, por aquelas que se encontram integradas na Federação Nacional de Voluntariado em Saúde, e por esta.
Evidenciar que a Federação Nacional de Voluntariado em Saúde e as Organizações suas associadas, são ontem, hoje e sempre, a forma e o caminho a fazer, no sentido da integração, da representação e da defesa do voluntariado no campo da saúde em Portugal, no contexto global do voluntariado e no da participação ativa e solidaria visando o desenvolvimento pessoal, social e comunitário dos cidadãos.

Objetivos específicos:
Os participantes no 7.º Encontro Nacional do Voluntariado em Saúde, devem ficar a conhecer:
A finalidade, os objetivos e a atividade que a Liga dos Amigos do Hospital Distrital da Figueira da Foz desenvolve enquanto instrumento de desenvolvimento na cadeia do voluntariado em saúde.
A atividade e as boas práticas do voluntariado em contexto de Hospital de Dia do Hospital Distrital da Figueira da Foz, e o seu contributo positivo para a saúde e para o bem-estar dos cidadãos, em aspetos como a autonomia, a independência e o desenvolvimento pessoal e social.
A finalidade, os objetivos e a atividade que a Liga de Amigos da Unidade de Saúde Familiar Buarcos, desenvolve no âmbito dos serviços e dos cuidados de saúde primários, e na comunidade.
A importância da relação de ajuda, enquanto intervenção autónoma e elemento decisivo e inquestionável na atividade dos cuidadores, desempenhando papel central na resposta às necessidades concretas de cada pessoa, independentemente da sua situação/problema ou contexto em que se desenrola a ação, nomeadamente no da prestação de serviços e cuidados de saúde.
O contributo do voluntariado, mesmo o que se desenvolve no campo da saúde, para o desenvolvimento pessoal e social dos cidadãos, da concretização dos objetivos do milénio, e dos objetivos do ano europeu para o desenvolvimento – 2015, com o lema: o nosso mundo, a nossa dignidade e o nosso futuro.
E ainda:
Testemunhar a atribuição de Diplomas de Mérito a Organizações que se têm evidenciado no desenvolvimento de projetos de Voluntariado no campo da saúde; e de Reconhecimento Público e Agradecimento, a Organizações que contribuem para a prossecução dos fins e dos objetivos da Federação.
Fruir e partilhar vivências pessoais, relacionais e organizacionais, com aporte afetivo positivo, decorrentes do desenvolvimento das diferentes realidades de projeto ao serviço dos utentes de saúde e outros beneficiários da atividade de voluntariado no campo da saúde e similar.

Público-alvo:
Dirigentes, associados, técnicos, voluntários e outros colaboradores da Federação Nacional de Voluntariado em Saúde, das Organizações associadas, e de outras Organizações Promotoras e / ou de Enquadramento de Voluntários ou representativas de voluntários, de IPSS, de Misericórdias, de Instituições de Utilidade Pública, de Unidades e Estabelecimentos de Saúde, públicos ou privados, com ou sem finalidade lucrativa, coordenadores, técnicos de Bancos Locais de Voluntariado bem Organizações e voluntários neles inscritos, técnicos, superiores ou não, de serviço social, da saúde, da educação e de outros setores de atividade, assim como jovens e estudantes das mais variadas áreas e níveis de ensino; e público em geral.

Programa:
O programa e todas as informações relativas às condições de participação, assim como o modo de inscrição, encontram-se em www.voluntariadoemsaude.org

Para mais informação:
Entrar em contacto com a organização através do email geral.voluntariadoemsaude@gmail.com do telefone 220 999 897 ou do telemóvel 966 859 736