sábado, 23 de agosto de 2014

ESTOU DESEMPREGADO. E AGORA?


O período fora de um emprego pode ser muito bom para desenvolver outros talentos e dedicar tempo para pessoas que precisam.

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“É importantíssimo manter-se ativo, seja por meio de cursos variados ou outras ações, como, por exemplo, fazer trabalho voluntário”, comenta Madalena Feliciano, diretora de projetos da empresa Outliers Careers.
O trabalho voluntário é um exemplo de atividade que ocupa o tempo, oferece uma sensação boa para aquele que o realiza – e para quem recebe, sejam crianças, idosos, pessoas com alguma limitação ou até animais – e faz com que a pessoa possa descobrir mais uma área de atuação que realizar trabalho voluntário, mas, ao serem demitidos, existe muito tempo livre. O trabalho voluntário faz com que a pessoa se sinta valorizada e, muitas vezes, mesmo quando retorna ao mercado, ela não deixa o voluntariado de lado, pois descobre as vantagens que ele traz para a vida de todos”, exalta Madalena.
(…)

http://www.administradores.com.br/noticias/carreira/estou-desempregado-e-agora/91617/

segunda-feira, 28 de abril de 2014

 O VOLUNTARIADO EM SAÚDE,

HÁ SETE ANOS QUE TEM FEDERAÇÃO
 

Há sete anos nascia na “Antiga, Mui Nobre, Sempre Leal e Invicta Cidade do Porto”, a Federação Nacional de Voluntariado em Saúde – FNVS. Estávamos a 21 de maio de 2007. Foram onze, as Organizações de Voluntariado no Campo da Saúde, que com coragem e determinação deram esse passo no sentido da organização deste setor de voluntariado, numa estrutura federativa.
A Federação Nacional de Voluntariado em Saúde, foi um sonho, foi uma expectativa, e foi uma necessidade que a princípio foi sentida e incitada, e que foi sempre querida, não já apenas por um pequeno punhado de Organizações e Serviços, mas rapidamente por algumas dezenas, uma grande parte das Organizações que atuam nas Unidades de Saúde do Serviço Nacional de Saúde.
A Federação Nacional de Voluntariado em Saúde tem a missão de integrar, representar, promover o quadro de valores comuns, preservar a identidade e o voluntariado, e defender os interesses, das Organizações Promotoras de Voluntariado em Saúde e das Organizações Representativas de Voluntários do Campo da Saúde, suas associadas, com domicı́lio fiscal em Portugal; e desenvolver e alargar a base de apoio social no que concerne à mobilização para o Voluntariado em Saúde e à melhoria dos serviços que se prestam aos beneficiários, com envolvência da comunidade.
Hoje, a FNVS integra 46 Organizações de Voluntariado e de Voluntários do Campo da Saúde, (envolvendo cerca de 54.410 cidadãos e 9.840 voluntários de ação direta), estabelecidas no vasto território nacional.
A FNVS presta às associadas, os Serviços de Consultoria Jurídica, em Contabilidade e Fiscalidade, e em Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho, Serviços de Seguros de Acidentes Pessoais para Voluntários, para Dirigentes Voluntários e para participantes de Atividades, e o Seguro de Responsabilidade Civil para Organizações. Soluções especialmente desenhadas para o setor. Ministra ainda Ações de Formação para qualificação de voluntários e de gestores de voluntariado, tendo para o efeito, uma Bolsa de Formadores, constituída. A FNVS tem parcerias firmadas com Entidades públicas e privadas que permitem a realização dos seus objetivos, e os das suas associadas.
A Federação Nacional de Voluntariado em Saúde está a fazer caminho. Caminho com os voluntários e outros membros das suas associadas e com estas, caminho com outras Organizações que aceitem filiar-se ou colaborar, caminho com quem de boa vontade está empenhado na organização deste setor em particular, e em todos os âmbitos e contextos de ação voluntária ao serviço das pessoas, das comunidades e da sociedade, e na promoção e defesa do voluntariado.

domingo, 2 de fevereiro de 2014

OS DOENTES E UM DIA DELES
É já no próximo dia 11 deste mês de fevereiro que se celebra em quase todo o mundo, o XXII Dia Mundial do Doente, independentemente de crenças, filosofias e políticas particulares, embora a iniciativa se situe no campo da Igreja Católica Apostólica Romana.
Raramente, alguém fica indiferente à enorme multidão que no mundo vive as mais variadas situações de doença, e sofre. Doenças físicas, mentais, de indiferença, ou de falta de acesso aos bens mais elementares para a vida e a saúde humana. Tanta situação de mal-estar, de fome e de desprezo ou marginalização, que presenciamos mesmo do outro lado da nossa rua ou quiçá no nosso prédio ou aldeia.
A mensagem para este ano que o Papa Francisco dirige especialmente “às pessoas doentes e a quantos lhes prestam assistência e cura” chama a atenção de todos, mormente das pessoas de boa vontade e de coração reto, para a obrigação sem exceção, que temos de “dar a vida pelos nossos irmãos” - agir no sentido da promoção do bem-estar pessoal e social de quem nos rodeia, independentemente das suas situações, das suas orientações e opções de vida, e dos seus enquadramentos religiosos e políticos, mas sempre com o objetivo de que se sintam bem, felizes e enquadrados socialmente, porque seres de plena dignidade.
Essa postura e essa atuação que é pedida e que nos formata a nós voluntários do campo da saúde, emana não só da nossa qualidade de cidadãos ativos e conscientes das responsabilidades que aportamos enquanto tal face aos outros, mas também porque somos gente de fé, animados por um espírito que em nós vivifica, nos transforma e envia no sentido da doação solícita, disponível, gratuita e com um grande sentido de humanidade, logo, em direção à humanização dos serviços, dos cuidados e das relações interpessoais nos Equipamentos onde atuamos e onde se realizam Serviços e Cuidados de Saúde.
A Federação Nacional de Voluntariado em Saúde, plataforma de representação de voluntários e Organizações de Voluntariado do Campo da Saúde em Portugal, está atenta e comunga do texto e do espírito da Mensagem do Papa Francisco para o XXII Dia Mundial do Doente. Também ela, a Federação, saúda com muito amor e votos de bem, todas as pessoas que sofrem e aquelas que, independentemente de vínculos ou denominações, velam e atuam no sentido da cura e da promoção da saúde de quantos se encontram aos seus cuidados. Uma saudação muito especial aos voluntários integrados nas Organizações filiadas na Federação.
A terminar e citando o Papa Francisco, deixemo-nos contagiar pelo espírito, por aquele espírito que verdadeiramente nos ensina ”a olhar sempre para o outro com misericórdia e amor, sobretudo para quem sofre, para quem tem necessidade de ajuda”.
Porto, 2 de fevereiro de 2014

A Direção da FNVS

domingo, 19 de janeiro de 2014

A CARIDADE E A CIDADANIA
“Ou como os voluntários são agentes da caridade”

Por estes dias li uma peça jornalística – entrevista, publicada num Órgão da Comunicação Social de grande tiragem em Portugal, em que a pessoa entrevistada – distinta personalidade com responsabilidades no voluntariado, em âmbito nacional, afirmou a certa altura que “estamos a evoluir da caridade para o voluntariado”. Louvo a iniciativa e o facto de uma vez mais o voluntariado ser razão de notícia. No entanto, fiquei muito sensibilizado com a afirmação que citei.
Como se sabe, o texto escrito não é audível enquanto tal e só comunica por palavras e pela pontuação. Por isso é impossível fazer qualquer leitura, por exemplo sobre qual teria sido a intenção da afirmação, considerando-se que não raras vezes se alude à caridade como algo menor ou mesmo com sentido depreciativo. Na peça a que faço referência, tal não me parece que tenha acontecido, pelo conhecimento que tenho sobre a pessoa entrevistada.
Independentemente das práticas, das vontades e da história, parece-me que caridade “casa” muito bem com voluntariado, e muito mais ainda com cidadania. Possivelmente não tanto com solidariedade, mas mais com cidadania, tenho quase a certeza. E não podemos nem devemos, nem querer omitir nem negar as nossas raízes judaico-cristãs, que são o ar que respiramos e o espírito que nos anima.
Segundo a Wikipédia, Caridade é um sentimento ou uma ação altruísta de ajuda a alguém sem busca de qualquer recompensa. A prática da caridade é notável indicadora de elevação moral e uma das práticas que mais caracterizam a essência boa do ser humano, sendo, em alguns casos, chamada de ajuda humanitária”.
Por outras palavras (que são as minhas), a caridade poderá ser a concretização ou o comportamento, impelidos a partir de atitude amorosa que formata cada pessoa, mesmo não explicitamente crente em alguma divindade. É parte de nós – pessoas, está em nós, e se cultivarmos essa predisposição interior e a consequente prática para o serviço ao outro, aos outros - à comunidade, esse conceito ou concretização, que muito se quer apelidar seja do que for, mas que por mais voltas que se deem, é e será sempre: a caridade.
Assistimos ao aparecimento de eufemismos como o conceito de solidariedade, claramente muito mais light, que não compromete e pretensamente não estará assim não enraizado na nossa história. Hoje é mais in ser solidário que ser caridoso. São sinais dos tempos.
A caridade é muito mais do que alguma vez alguém possa imaginar. Se por um lado é uma característica que não se pode apagar, por outro, é um compromisso que cada pessoa em si mesma e face aos outros – à comunidade, faz acontecer em si e assume.
A caridade é um dom gratuito, que se recebe, que se incorpora e se dá. Essa gratuidade faz com que quem serve, o faça sem esperar qualquer tipo de recompensa, nem mesmo em outra situação existencial que não a material.
A caridade acontece no seio da disponibilidade interior e prática, disponibilidade essa que nos faz estar atentos, de alerta ou de atalaia aos sinais, às necessidades e às carências objetivas, digamos, oportunidades de servir.
A caridade exercita-se em contexto de responsabilidade. Não só responsabilidade pessoal mas também coletiva – a das organizações. Não é ajuda que se presta sem competência mas no sentido do bem bem feito e que satisfaça.
A caridade é convergente e comunga dos conceitos pessoais mas também comunitários, queridos e assumidos, e acontece em âmbito e no sentido da comunhão, comunhão essa que dá força e vivifica, pessoal e comunitariamente.
A prática da caridade, quer ela tenha origem pessoal, quer na comunidade, ela é sempre promotora de desenvolvimento pessoal e social, e traz consigo mais-valias humanas e espirituais que marcam indelevelmente.
A caridade é amor, e a sua vivência, sendo uma relação de amor, também é e promove o entrosamento e o engajamento dos seus agentes e destinatários, criando assim verdadeiras redes sociais e humanas que dificilmente serão desfeitas porque criadas em amor.
Então, e a cidadania?
Segundo a Wikipédia, a cidadania “é o conjunto de direitos e deveres ao qual um indivíduo está sujeito em relação à sociedade em que vive”. Tem portanto a ver com os cidadãos – as pessoas, em contexto de sociedade, claramente mais visível em democracias.
Segundo o conceito, o ambiente de cidadania pode definir-se como a prática continuada dos direitos e dos deveres dos cidadãos e da sociedade civil, com o objetivo do bem comum.
Cidadania ativa significa, antes de mais nada, o envolvimento ativo dos cidadãos na participação na vida das suas comunidades e, dessa forma, na democracia, no que respeita à atividade e tomadas de decisão. As atividades de voluntariado são uma expressão de cidadania ativa. No entanto, a participação cívica ativa não se esgota na prática do voluntariado.
A iniciativa da prática do voluntariado, tem lugar nos cidadãos – as pessoas, que interiorizam que têm o dever de contribuir para o bem-estar e para a felicidade das outras pessoas e da sociedade, e se comprometem nisso mesmo. Essa prática não dispensa a responsabilidade, a disponibilidade, a gratuidade e a convergência de conceitos e de práticas. É na prestação de um serviço ou de um cuidado, em que todos os intervenientes se sentem satisfeitos, nomeadamente os beneficiários, que devemos “medir” os impactos e a validade positiva do voluntariado.
Mas que têm a ver, voluntariado e cidadania, com caridade?
Talvez não seja eu a melhor fonte de saber de modo a dar a explicação mais acertada sobre o assunto. Mas o que sinto é que quando nos referimos a cidadãos, não estamos a referir-nos apenas a indivíduos contáveis, mas a pessoas, não a seres desumanizados mas a seres humanos, seres de algum modo superiores dotados de dignidade que devemos e queremos considerar e que amamos. Porque é aí e por aí, que o amor faz sentido e a caridade acontece.
É interessante o percurso histórico e cultural que a sociedade e a humanidade têm feito ao longo dos tempos, que levam a que por exemplo, a que hoje as pessoas sejam cidadãos e que o contexto humano e societário em que existem, vai incorporando valores e conceitos como o amor, a fraternidade e a compaixão.
Assim sim. Continua a fazer sentido realizar a caridade com tudo o que isso possa implicar. A caridade não é conceito estéril e bolorento. Continua a ser um espírito e uma prática que anima e dá força, que visa o bem-estar e a felicidade das pessoas e da sociedade.
À cidadania, chamar-lhe-ia eu, a nova caridade. Não que desta, haja uma velha e uma nova. Mas sempre a mesma, mas com outro rosto, outros rostos e outras dimensões, talvez com mais autenticidade e verdade, e mais disseminada.
Se a prática ativa da cidadania pode passar pela prática do voluntariado e não se esgota aí, então por maioria de razão, o voluntariado é, a meu ver, a prática da caridade. Sim, caridade “casa” muito bem com voluntariado e com cidadania.
Os voluntários, essa multidão que ninguém ainda conseguiu contar, acabam por ser nos tempos que são os de hoje, os grandes agentes da caridade e da cidadania. Mormente no campo da saúde, são eles – os voluntários, também grandes obreiros do contributo para o bem-estar e para a qualidade de vida e dos cuidados nas Unidades de Saúde e fora delas, não realizando o que não lhes compete mas o que é o seu múnus.
Muitos são os utentes dos Serviços, familiares e outros, para quem a presença mais amiga, mais fraterna e mais amorosa para com eles, é precisamente a dos voluntários e das voluntárias, quais anjos de bata amarela (e de outras cores).
Segundo a peça a que aludi, a personalidade entrevistada afirmou que “o voluntariado não pode substituir postos de trabalho. E isso acontece, por vezes. Quando se fazem inspeções, verifica-se isso. Não nos compete fiscalizar, mas temos notícia que isso acontece. O voluntariado é para acrescentar, não é para ocupar o posto de trabalho de ninguém. "Há um grande risco e é preciso estar muito atento. Não somos nós que fazemos a fiscalização, é a Segurança Social, e é preciso que fique muito claro que um voluntário é um voluntário, não é um trabalhador da empresa”.
Na sua singularidade, informalidade mas com responsabilidade, competência e sentido do dever, aí estão os voluntários da saúde, sempre solícitos para atender às necessidades e carências reveladas, quais agentes do amor e da caridade fraterna.
Bem-hajam!

João António Pereira

"O VOLUNTARIADO

NÃO PODE SUBSTITUIR POSTOS DE TRABALHO"


Elza Chambel, presidente do Conselho para a Promoção do Voluntariado. "Passamos da caridadezinha para a cidadania", diz. Há mais de meio milhão de voluntários em Portugal.
Preside ao Conselho Nacional para a Promoção do Voluntariado desde 2006, Elza Chambel segura as pontas enquanto o novo organismo, instituído por lei, não é criado. Com a mesma garra e filosofia: ser voluntário é uma questão de cidadania, diz.


Em que fase de execução está o Plano Nacional do Voluntariado 2013-2015?
Atenção! Esse plano ainda não está em execução. Fundamentalmente, é uma boa ideia, mas prevê a criação de um grupo de trabalho, que ainda não foi designado, a criação de um novo conselho e a extinção de uma série de organismos, entre os quais, este conselho.

E esse grupo de trabalho, não foi criado porquê?
Não sei. Não faço parte do Governo. É uma boa ideia, transversal a todos os ministérios, mas não está ainda em funcionamento. O que eu disse ao ministro é que estaria aqui enquanto fosse necessário.

Mas este conselho está à beira de ser extinto....
Sim, à beira... Mas não se sabe quando. Para já, continuamos em pleno funcionamento. Disse ao sr. ministro que ficaria enquanto fosse necessário.

A crise aumentou o voluntariado?
Sim. Verifica-se que há um aumento de voluntários, mas talvez porque se fala mais de voluntariado. Desde o início que começamos a fazer divulgação, sobretudo, nas camadas jovens, com o slogan "ser voluntário é cool!". O Ano Internacional do voluntariado (2011) impulsionou muito o voluntariado. Temos cerca de 600 mil pessoas a desenvolver atividades de voluntariado. Estamos a evoluir da caridade para o voluntariado.

Há quem se aproveite desta circunstância de crise?
Há. O voluntariado não pode substituir postos de trabalho. E isso acontece, por vezes. Quando se fazem inspeções, verifica-se isso. Não nos compete fiscalizar, mas temos notícia que isso acontece. O voluntariado é para acrescentar, não é para ocupar o posto de trabalho de ninguém. "Há um grande risco e é preciso estar muito atento. Não somos nós que fazemos a fiscalização, é a Segurança Social, e é preciso que fique muito claro que um voluntário é um voluntário, não é um trabalhador da empresa.

O voluntariado jovem tem crescido?
Muito. Temos a campanha "Ser voluntário é cool" e muitas adesões.

E o que motiva os voluntários?
Sejamos pragmáticos. Há quem o faça porque atingiu a idade da reforma e ainda sente vontade de fazer coisas; e há quem o faça porque o voluntariado permite viajar e conhecer novas culturas, facilita contactos que poderão ajudar à entrada no mercado de trabalho. Tudo isso é bom!

O peso na economia deste trabalho voluntário está longe de ser apurado. Que dados lhe chegam?
Está por apurar, de facto. Há um estudo de 2008, da União Europeia e da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que aponta para 1% do Produto Interno Bruto (PIB) português.

Cinco anos depois, esse valor estará desatualizado?
Espero bem que sim! Penso que será muito superior.

Que projetos chegaram aqui, ao conselho, que mais a sensibilizaram?
Muitos. Muitos, mesmo! O mysocialproject, o re-food, sei lá... a Ajudaris, no Porto. Muitos, mesmo! Há pouco tempo estive em Pern. Sabe onde é Pern? Não, não é Pernes, que Pernes é em Santarém, na minha terra. Pern é nos Montes Urais, a 1500 quilómetros da Rússia. Fomos convidados a apresentar lá os nossos projetos.

Clara Vasconcelos

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

O VOLUNTARIADO EM SAÚDE
TEM SEGURO DE RESPONSABILIDADE CIVIL

Com a entrada do novo ano, a Federação Nacional de Voluntariado em Saúde – FNVS, apresenta às suas associadas e às outras Organizações de Voluntariado em Saúde, o seu mais recente produto no âmbito dos Seguros.

Trata-se do Seguro de Responsabilidade Civil especialmente destinado às Organizações que não operam exclusivamente nas Unidades de Saúde, e que tem por objeto “o ressarcimento dos danos patrimoniais e/ou não patrimoniais, direta e exclusivamente decorrentes de lesões corporais e/ou materiais, causadas a terceiros em território nacional, até aos capitais contratados entre as partes, que sejam imputáveis ao Segurado, na qualidade ou no exercício da atividade relativa a Programas Individuais de Voluntariado”, considerando-se potencialmente Terceiros, “os beneficiários da atividade de voluntariado em saúde. Em geral, é qualquer lesado por causas relacionadas com as atividades da Organização”.

Negociado no sentido da obtenção das condições mais vantajosas do mercado, e desenhado especialmente para o setor do Voluntariado em Saúde protagonizado pelas Organizações integradas na FNVS, este novo produto, se por um lado, permite ainda mais a adequação das Organizações ao preceituado na legislação vigente, por outro, crê-se possa ser tomado, em conjunto com os outros serviços que já se disponibilizam, como uma excelente vantagem, pelas Organizações não filiadas na FNVS, para que adiram a esta plataforma federativa e representativa.

Atenção!
Este produto, para além de não exigir outros compromissos contratuais que não sejam ele mesmo e a adesão à Federação, é válido apenas para as atividades que se enquadrem no conceito "Voluntariado em Saúde" assumido pela FNVS e pelas empresas seguradoras. Não para outro tipo de atividades que as Organizações eventualmente desenvolvam.

As Organizações interessadas devem contactar a FNVS, pelos meios habituais ou por meio do portal www.voluntariadoemsaude.org, onde se disponibiliza mais informação sobre o presente e outros produtos e serviços, e é possível comunicar diretamente com a Federação.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Quanto vale o trabalho voluntário?

No passado dia 5 de dezembro comemorou-se o dia internacional do voluntariado. Embora ainda com um peso inferior ao verificado nos países do Norte de Europa, o voluntariado em Portugal tem ganho maior visibilidade nos últimos anos muito devido às ações do banco alimentar contra fome e a uma maior exposição nos media. O voluntariado tem ganho também cada vez maior importância em toda a economia social e não só.


Na Europa ocidental a economia social apresenta um crescimento constante nas últimas décadas. Este sector é predominantemente financiado pelos fundos públicos afetos à sociedade de bem-estar: educação, saúde e serviços sociais. Com as crises orçamentais nos diferentes países estes fundos apresentam tendência para uma diminuição e as organizações de economia social procuram novas formas de financiamento e novos recursos para prosseguir os seus objetivos. O trabalho voluntário tem assim sido visto como um recurso bastante valioso embora de difícil valorização.
Existem dois tipos de voluntariado: voluntariado formal e voluntariado informal. O voluntariado formal é prestado nas organizações, geralmente no terceiro sector mas não só, é supervisionado pela organização, devendo existir uma forma de contrato/compromisso com a definição das regras, as atividades e os tempos que são dedicados a este tipo de trabalho. A discussão sobre o valor do trabalho voluntário tem sido objeto de muita investigação nos últimos anos e apresenta resultados bastante interessantes.     
Quando se discute o valor económico do voluntariado também é importante refletir sobre o valor das contribuições em espécie comprometidas com projetos e iniciativas. Com o lançamento do Ano Europeu do Voluntariado 2011, a UE reconheceu a contribuição económica da sociedade civil para o processo de integração europeia. No seu "Livro sobre o valor económico do voluntariado e contribuição em espécie", os membros do Grupo de Trabalho da Sociedade Civil sobre a reforma da Financiamento Europeu reconhecem tal contributo. Este reconhecimento também é feito pela EU no Estratégia Europa 2020, onde a iniciativa emblemática «União da Inovação» reconhece diretamente e destaca o papel das organizações da sociedade civil em enfrentar os desafios sociais. Os autores mostram que essa contribuição não é no entanto devidamente valorizada. Embora a atual regulamentação financeira europeia admita a possibilidade de reconhecer a contribuição em espécie (por exemplo, o tempo dos voluntários, tempo de pró-bono dos profissionais ou contribuições em espécie), infelizmente isso não acontece na prática, pois os funcionários não sabem como medir o valor de tais contribuições em espécie.
Recentemente foi apresentado um estudo sobre o valor económico do voluntariado numa organização portuguesa – O Corpo Nacional de Escutas (CNE).
O trabalho voluntário foi valorizado atendendo ao método FTE (full time equivalent) aconselhado pela Organização Internacional de Trabalho (OIT) para valorização desse tipo de trabalho. Foi valorizado todo o trabalho realizado pelos voluntários desde o trabalho de formação de jovens até ao trabalho de administração e gestão dos núcleos do CNE, atividades de edição e outras atividades de apoio.

A estimativa total aponta para um valor de quase 48.000.000 euros só relativo a um ano de trabalho destes voluntários.
Este valor refere-se apenas a uma organização. Quanto valerá todo o trabalho voluntário feito em Portugal? Seria interessante apurar este valor para demonstrar o verdadeiro esforço e participação dos voluntários na economia. Certamente esse enorme valor chamaria mais a atenção de todos para o papel que o voluntariado tem na economia portuguesa.

(Economista, professora da ESCE - IPS) - 09-12-2013 09:45