domingo, 19 de janeiro de 2014

A CARIDADE E A CIDADANIA
“Ou como os voluntários são agentes da caridade”

Por estes dias li uma peça jornalística – entrevista, publicada num Órgão da Comunicação Social de grande tiragem em Portugal, em que a pessoa entrevistada – distinta personalidade com responsabilidades no voluntariado, em âmbito nacional, afirmou a certa altura que “estamos a evoluir da caridade para o voluntariado”. Louvo a iniciativa e o facto de uma vez mais o voluntariado ser razão de notícia. No entanto, fiquei muito sensibilizado com a afirmação que citei.
Como se sabe, o texto escrito não é audível enquanto tal e só comunica por palavras e pela pontuação. Por isso é impossível fazer qualquer leitura, por exemplo sobre qual teria sido a intenção da afirmação, considerando-se que não raras vezes se alude à caridade como algo menor ou mesmo com sentido depreciativo. Na peça a que faço referência, tal não me parece que tenha acontecido, pelo conhecimento que tenho sobre a pessoa entrevistada.
Independentemente das práticas, das vontades e da história, parece-me que caridade “casa” muito bem com voluntariado, e muito mais ainda com cidadania. Possivelmente não tanto com solidariedade, mas mais com cidadania, tenho quase a certeza. E não podemos nem devemos, nem querer omitir nem negar as nossas raízes judaico-cristãs, que são o ar que respiramos e o espírito que nos anima.
Segundo a Wikipédia, Caridade é um sentimento ou uma ação altruísta de ajuda a alguém sem busca de qualquer recompensa. A prática da caridade é notável indicadora de elevação moral e uma das práticas que mais caracterizam a essência boa do ser humano, sendo, em alguns casos, chamada de ajuda humanitária”.
Por outras palavras (que são as minhas), a caridade poderá ser a concretização ou o comportamento, impelidos a partir de atitude amorosa que formata cada pessoa, mesmo não explicitamente crente em alguma divindade. É parte de nós – pessoas, está em nós, e se cultivarmos essa predisposição interior e a consequente prática para o serviço ao outro, aos outros - à comunidade, esse conceito ou concretização, que muito se quer apelidar seja do que for, mas que por mais voltas que se deem, é e será sempre: a caridade.
Assistimos ao aparecimento de eufemismos como o conceito de solidariedade, claramente muito mais light, que não compromete e pretensamente não estará assim não enraizado na nossa história. Hoje é mais in ser solidário que ser caridoso. São sinais dos tempos.
A caridade é muito mais do que alguma vez alguém possa imaginar. Se por um lado é uma característica que não se pode apagar, por outro, é um compromisso que cada pessoa em si mesma e face aos outros – à comunidade, faz acontecer em si e assume.
A caridade é um dom gratuito, que se recebe, que se incorpora e se dá. Essa gratuidade faz com que quem serve, o faça sem esperar qualquer tipo de recompensa, nem mesmo em outra situação existencial que não a material.
A caridade acontece no seio da disponibilidade interior e prática, disponibilidade essa que nos faz estar atentos, de alerta ou de atalaia aos sinais, às necessidades e às carências objetivas, digamos, oportunidades de servir.
A caridade exercita-se em contexto de responsabilidade. Não só responsabilidade pessoal mas também coletiva – a das organizações. Não é ajuda que se presta sem competência mas no sentido do bem bem feito e que satisfaça.
A caridade é convergente e comunga dos conceitos pessoais mas também comunitários, queridos e assumidos, e acontece em âmbito e no sentido da comunhão, comunhão essa que dá força e vivifica, pessoal e comunitariamente.
A prática da caridade, quer ela tenha origem pessoal, quer na comunidade, ela é sempre promotora de desenvolvimento pessoal e social, e traz consigo mais-valias humanas e espirituais que marcam indelevelmente.
A caridade é amor, e a sua vivência, sendo uma relação de amor, também é e promove o entrosamento e o engajamento dos seus agentes e destinatários, criando assim verdadeiras redes sociais e humanas que dificilmente serão desfeitas porque criadas em amor.
Então, e a cidadania?
Segundo a Wikipédia, a cidadania “é o conjunto de direitos e deveres ao qual um indivíduo está sujeito em relação à sociedade em que vive”. Tem portanto a ver com os cidadãos – as pessoas, em contexto de sociedade, claramente mais visível em democracias.
Segundo o conceito, o ambiente de cidadania pode definir-se como a prática continuada dos direitos e dos deveres dos cidadãos e da sociedade civil, com o objetivo do bem comum.
Cidadania ativa significa, antes de mais nada, o envolvimento ativo dos cidadãos na participação na vida das suas comunidades e, dessa forma, na democracia, no que respeita à atividade e tomadas de decisão. As atividades de voluntariado são uma expressão de cidadania ativa. No entanto, a participação cívica ativa não se esgota na prática do voluntariado.
A iniciativa da prática do voluntariado, tem lugar nos cidadãos – as pessoas, que interiorizam que têm o dever de contribuir para o bem-estar e para a felicidade das outras pessoas e da sociedade, e se comprometem nisso mesmo. Essa prática não dispensa a responsabilidade, a disponibilidade, a gratuidade e a convergência de conceitos e de práticas. É na prestação de um serviço ou de um cuidado, em que todos os intervenientes se sentem satisfeitos, nomeadamente os beneficiários, que devemos “medir” os impactos e a validade positiva do voluntariado.
Mas que têm a ver, voluntariado e cidadania, com caridade?
Talvez não seja eu a melhor fonte de saber de modo a dar a explicação mais acertada sobre o assunto. Mas o que sinto é que quando nos referimos a cidadãos, não estamos a referir-nos apenas a indivíduos contáveis, mas a pessoas, não a seres desumanizados mas a seres humanos, seres de algum modo superiores dotados de dignidade que devemos e queremos considerar e que amamos. Porque é aí e por aí, que o amor faz sentido e a caridade acontece.
É interessante o percurso histórico e cultural que a sociedade e a humanidade têm feito ao longo dos tempos, que levam a que por exemplo, a que hoje as pessoas sejam cidadãos e que o contexto humano e societário em que existem, vai incorporando valores e conceitos como o amor, a fraternidade e a compaixão.
Assim sim. Continua a fazer sentido realizar a caridade com tudo o que isso possa implicar. A caridade não é conceito estéril e bolorento. Continua a ser um espírito e uma prática que anima e dá força, que visa o bem-estar e a felicidade das pessoas e da sociedade.
À cidadania, chamar-lhe-ia eu, a nova caridade. Não que desta, haja uma velha e uma nova. Mas sempre a mesma, mas com outro rosto, outros rostos e outras dimensões, talvez com mais autenticidade e verdade, e mais disseminada.
Se a prática ativa da cidadania pode passar pela prática do voluntariado e não se esgota aí, então por maioria de razão, o voluntariado é, a meu ver, a prática da caridade. Sim, caridade “casa” muito bem com voluntariado e com cidadania.
Os voluntários, essa multidão que ninguém ainda conseguiu contar, acabam por ser nos tempos que são os de hoje, os grandes agentes da caridade e da cidadania. Mormente no campo da saúde, são eles – os voluntários, também grandes obreiros do contributo para o bem-estar e para a qualidade de vida e dos cuidados nas Unidades de Saúde e fora delas, não realizando o que não lhes compete mas o que é o seu múnus.
Muitos são os utentes dos Serviços, familiares e outros, para quem a presença mais amiga, mais fraterna e mais amorosa para com eles, é precisamente a dos voluntários e das voluntárias, quais anjos de bata amarela (e de outras cores).
Segundo a peça a que aludi, a personalidade entrevistada afirmou que “o voluntariado não pode substituir postos de trabalho. E isso acontece, por vezes. Quando se fazem inspeções, verifica-se isso. Não nos compete fiscalizar, mas temos notícia que isso acontece. O voluntariado é para acrescentar, não é para ocupar o posto de trabalho de ninguém. "Há um grande risco e é preciso estar muito atento. Não somos nós que fazemos a fiscalização, é a Segurança Social, e é preciso que fique muito claro que um voluntário é um voluntário, não é um trabalhador da empresa”.
Na sua singularidade, informalidade mas com responsabilidade, competência e sentido do dever, aí estão os voluntários da saúde, sempre solícitos para atender às necessidades e carências reveladas, quais agentes do amor e da caridade fraterna.
Bem-hajam!

João António Pereira

"O VOLUNTARIADO

NÃO PODE SUBSTITUIR POSTOS DE TRABALHO"


Elza Chambel, presidente do Conselho para a Promoção do Voluntariado. "Passamos da caridadezinha para a cidadania", diz. Há mais de meio milhão de voluntários em Portugal.
Preside ao Conselho Nacional para a Promoção do Voluntariado desde 2006, Elza Chambel segura as pontas enquanto o novo organismo, instituído por lei, não é criado. Com a mesma garra e filosofia: ser voluntário é uma questão de cidadania, diz.


Em que fase de execução está o Plano Nacional do Voluntariado 2013-2015?
Atenção! Esse plano ainda não está em execução. Fundamentalmente, é uma boa ideia, mas prevê a criação de um grupo de trabalho, que ainda não foi designado, a criação de um novo conselho e a extinção de uma série de organismos, entre os quais, este conselho.

E esse grupo de trabalho, não foi criado porquê?
Não sei. Não faço parte do Governo. É uma boa ideia, transversal a todos os ministérios, mas não está ainda em funcionamento. O que eu disse ao ministro é que estaria aqui enquanto fosse necessário.

Mas este conselho está à beira de ser extinto....
Sim, à beira... Mas não se sabe quando. Para já, continuamos em pleno funcionamento. Disse ao sr. ministro que ficaria enquanto fosse necessário.

A crise aumentou o voluntariado?
Sim. Verifica-se que há um aumento de voluntários, mas talvez porque se fala mais de voluntariado. Desde o início que começamos a fazer divulgação, sobretudo, nas camadas jovens, com o slogan "ser voluntário é cool!". O Ano Internacional do voluntariado (2011) impulsionou muito o voluntariado. Temos cerca de 600 mil pessoas a desenvolver atividades de voluntariado. Estamos a evoluir da caridade para o voluntariado.

Há quem se aproveite desta circunstância de crise?
Há. O voluntariado não pode substituir postos de trabalho. E isso acontece, por vezes. Quando se fazem inspeções, verifica-se isso. Não nos compete fiscalizar, mas temos notícia que isso acontece. O voluntariado é para acrescentar, não é para ocupar o posto de trabalho de ninguém. "Há um grande risco e é preciso estar muito atento. Não somos nós que fazemos a fiscalização, é a Segurança Social, e é preciso que fique muito claro que um voluntário é um voluntário, não é um trabalhador da empresa.

O voluntariado jovem tem crescido?
Muito. Temos a campanha "Ser voluntário é cool" e muitas adesões.

E o que motiva os voluntários?
Sejamos pragmáticos. Há quem o faça porque atingiu a idade da reforma e ainda sente vontade de fazer coisas; e há quem o faça porque o voluntariado permite viajar e conhecer novas culturas, facilita contactos que poderão ajudar à entrada no mercado de trabalho. Tudo isso é bom!

O peso na economia deste trabalho voluntário está longe de ser apurado. Que dados lhe chegam?
Está por apurar, de facto. Há um estudo de 2008, da União Europeia e da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que aponta para 1% do Produto Interno Bruto (PIB) português.

Cinco anos depois, esse valor estará desatualizado?
Espero bem que sim! Penso que será muito superior.

Que projetos chegaram aqui, ao conselho, que mais a sensibilizaram?
Muitos. Muitos, mesmo! O mysocialproject, o re-food, sei lá... a Ajudaris, no Porto. Muitos, mesmo! Há pouco tempo estive em Pern. Sabe onde é Pern? Não, não é Pernes, que Pernes é em Santarém, na minha terra. Pern é nos Montes Urais, a 1500 quilómetros da Rússia. Fomos convidados a apresentar lá os nossos projetos.

Clara Vasconcelos

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

O VOLUNTARIADO EM SAÚDE
TEM SEGURO DE RESPONSABILIDADE CIVIL

Com a entrada do novo ano, a Federação Nacional de Voluntariado em Saúde – FNVS, apresenta às suas associadas e às outras Organizações de Voluntariado em Saúde, o seu mais recente produto no âmbito dos Seguros.

Trata-se do Seguro de Responsabilidade Civil especialmente destinado às Organizações que não operam exclusivamente nas Unidades de Saúde, e que tem por objeto “o ressarcimento dos danos patrimoniais e/ou não patrimoniais, direta e exclusivamente decorrentes de lesões corporais e/ou materiais, causadas a terceiros em território nacional, até aos capitais contratados entre as partes, que sejam imputáveis ao Segurado, na qualidade ou no exercício da atividade relativa a Programas Individuais de Voluntariado”, considerando-se potencialmente Terceiros, “os beneficiários da atividade de voluntariado em saúde. Em geral, é qualquer lesado por causas relacionadas com as atividades da Organização”.

Negociado no sentido da obtenção das condições mais vantajosas do mercado, e desenhado especialmente para o setor do Voluntariado em Saúde protagonizado pelas Organizações integradas na FNVS, este novo produto, se por um lado, permite ainda mais a adequação das Organizações ao preceituado na legislação vigente, por outro, crê-se possa ser tomado, em conjunto com os outros serviços que já se disponibilizam, como uma excelente vantagem, pelas Organizações não filiadas na FNVS, para que adiram a esta plataforma federativa e representativa.

Atenção!
Este produto, para além de não exigir outros compromissos contratuais que não sejam ele mesmo e a adesão à Federação, é válido apenas para as atividades que se enquadrem no conceito "Voluntariado em Saúde" assumido pela FNVS e pelas empresas seguradoras. Não para outro tipo de atividades que as Organizações eventualmente desenvolvam.

As Organizações interessadas devem contactar a FNVS, pelos meios habituais ou por meio do portal www.voluntariadoemsaude.org, onde se disponibiliza mais informação sobre o presente e outros produtos e serviços, e é possível comunicar diretamente com a Federação.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Quanto vale o trabalho voluntário?

No passado dia 5 de dezembro comemorou-se o dia internacional do voluntariado. Embora ainda com um peso inferior ao verificado nos países do Norte de Europa, o voluntariado em Portugal tem ganho maior visibilidade nos últimos anos muito devido às ações do banco alimentar contra fome e a uma maior exposição nos media. O voluntariado tem ganho também cada vez maior importância em toda a economia social e não só.


Na Europa ocidental a economia social apresenta um crescimento constante nas últimas décadas. Este sector é predominantemente financiado pelos fundos públicos afetos à sociedade de bem-estar: educação, saúde e serviços sociais. Com as crises orçamentais nos diferentes países estes fundos apresentam tendência para uma diminuição e as organizações de economia social procuram novas formas de financiamento e novos recursos para prosseguir os seus objetivos. O trabalho voluntário tem assim sido visto como um recurso bastante valioso embora de difícil valorização.
Existem dois tipos de voluntariado: voluntariado formal e voluntariado informal. O voluntariado formal é prestado nas organizações, geralmente no terceiro sector mas não só, é supervisionado pela organização, devendo existir uma forma de contrato/compromisso com a definição das regras, as atividades e os tempos que são dedicados a este tipo de trabalho. A discussão sobre o valor do trabalho voluntário tem sido objeto de muita investigação nos últimos anos e apresenta resultados bastante interessantes.     
Quando se discute o valor económico do voluntariado também é importante refletir sobre o valor das contribuições em espécie comprometidas com projetos e iniciativas. Com o lançamento do Ano Europeu do Voluntariado 2011, a UE reconheceu a contribuição económica da sociedade civil para o processo de integração europeia. No seu "Livro sobre o valor económico do voluntariado e contribuição em espécie", os membros do Grupo de Trabalho da Sociedade Civil sobre a reforma da Financiamento Europeu reconhecem tal contributo. Este reconhecimento também é feito pela EU no Estratégia Europa 2020, onde a iniciativa emblemática «União da Inovação» reconhece diretamente e destaca o papel das organizações da sociedade civil em enfrentar os desafios sociais. Os autores mostram que essa contribuição não é no entanto devidamente valorizada. Embora a atual regulamentação financeira europeia admita a possibilidade de reconhecer a contribuição em espécie (por exemplo, o tempo dos voluntários, tempo de pró-bono dos profissionais ou contribuições em espécie), infelizmente isso não acontece na prática, pois os funcionários não sabem como medir o valor de tais contribuições em espécie.
Recentemente foi apresentado um estudo sobre o valor económico do voluntariado numa organização portuguesa – O Corpo Nacional de Escutas (CNE).
O trabalho voluntário foi valorizado atendendo ao método FTE (full time equivalent) aconselhado pela Organização Internacional de Trabalho (OIT) para valorização desse tipo de trabalho. Foi valorizado todo o trabalho realizado pelos voluntários desde o trabalho de formação de jovens até ao trabalho de administração e gestão dos núcleos do CNE, atividades de edição e outras atividades de apoio.

A estimativa total aponta para um valor de quase 48.000.000 euros só relativo a um ano de trabalho destes voluntários.
Este valor refere-se apenas a uma organização. Quanto valerá todo o trabalho voluntário feito em Portugal? Seria interessante apurar este valor para demonstrar o verdadeiro esforço e participação dos voluntários na economia. Certamente esse enorme valor chamaria mais a atenção de todos para o papel que o voluntariado tem na economia portuguesa.

(Economista, professora da ESCE - IPS) - 09-12-2013 09:45

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

BOAS FESTAS !

Para as Organizações de Voluntariado no Campo da Saúde, pelo menos para aquelas que integram a Federação, os últimos três meses de cada ano são sempre de uma azáfama sem fim.
São as reuniões das Assembleias-gerais, são as Festas de Aniversário e de Homenagem, e são, lá mais para o fim, as Festas de Natal, que envolvem sempre imensa gente, não só os voluntários que dão muito de si, mas e sobretudo os doentes e utentes das diferentes Unidades de Saúde ou de outros Equipamentos onde se presta voluntariado.
Neste movimento festivo, é também comum a realização dos convívios e dos magustos por altura do S. Martinho, não ficando esquecidas as “brindeiras” e o “pão por Deus” do Dia de Todos-os-Santos, assim como outros atos mais piedosos normalmente associados a esta efeméride.
Façamos festa! Festa que para além de ser o culminar de um ano de serviço aos outros, seja verdadeiramente o transbordar da alegria e da vida de que nós voluntários da saúde, somos portadores, e que todos os dias partilhamos gratuitamente com doentes e utentes dos Equipamentos onde prestamos voluntariado.
Que o tempo que vem aí, não seja para nós, motivo de esmorecimento nem de perca de forças. Seja antes tónico para a atividade que nos espera ao virar de ano.
A Direção da Federação, anuncia e deseja às suas associadas, membros e voluntários, os melhores votos de Boas Festas.


A Direção da FNVS

sábado, 28 de setembro de 2013

Saudação às
Pessoas Idosas Voluntárias

A 1 de outubro de 2013 comemora-se em todo o mundo livre, o 13.º Dia Internacional das Pessoas Idosas. A proclamação foi oficializada a 1 de outubro de 1998, pelo então secretário-geral da ONU – Organização das Nações Unidas, com o objetivo do “reconhecimento do envelhecimento demográfico da humanidade, com vista à criação de compromissos que conduzam ao amadurecimento de atitudes e potencialidades em empreendimentos sociais, económicos, cultural e espirituais, que criem condições para a paz e o desenvolvimento no próximo século (…) e sensibilizar a sociedade para as questões do envelhecimento e a necessidade de proteger e cuidar a população mais idosa”.

Segundo Kofi Annan, secretário-geral da ONU de 1997 a 2007, “com o passar dos anos, as árvores tornam-se mais fortes e os rios mais largos. Com a idade, as pessoas adquirem uma profundidade e amplitude sem medidas, de experiência e sabedoria. É por isso que as Pessoas Idosas devem ser, não só respeitadas e reverenciadas, mas também incluídas como rico recurso que em si mesmo, são para a sociedade”.

O voluntariado é uma espécie de intercâmbio de emoções, sentimentos e conhecimentos. Um conceito importante de todo o trabalho de voluntariado é que é recíproco: dá-se alguma coisa e recebe-se algo em troca.

As Pessoas Idosas que realizam atividade voluntária, ganham anos de vida, e de vida saudável. Está provado que todos aqueles que se mantém ativos vivem mais tempo, vivem melhor e as suas vidas são mais saudáveis do que antes. Mais gratificante ainda é que os benefícios não são só seus mas também daqueles que ajudam. Por exemplo as pessoas mais jovens que beneficiam do calor humano proporcionado por Pessoas Idosas Voluntárias, é quase certo, que quando chegar a sua vez, terão maior probabilidade de dar também mais às outras pessoas e à sociedade.

Entre a inúmera e diversa atividade de voluntariado, aquela que se realiza no Campo da Saúde, é sem dúvida, aquela mais aporta contributos positivos para os intervenientes. No Campo da Saúde, a atividade voluntária é muito mais que a realização de um conjunto de tarefas. É uma postura, é uma alma, motivada e animada; e uma ação que contribui para a felicidade das pessoas, independentemente de eventuais diferenças reais ou aparentes.

As Organizações de Voluntariado em Saúde, associadas da Federação Nacional de Voluntariado em Saúde, integram muitas Pessoas Idosas – Voluntárias, que com espírito da doação, da gratuidade e do amor que lhes dá força e alma, humanizam os cuidados, os serviços, os ambientes e as relações nas Unidades de Saúde nomeadamente do Serviço Nacional de Saúde; e o voluntariado que se realiza em Portugal. Essas Pessoas Idosas – Voluntárias, são autênticas doadoras de Vida, porque está nelas e emana delas. Elas são já, e no campo da sua atuação, cidadãos participativos e pró-ativos.

A Federação Nacional de Voluntariado em Saúde, saúda as Pessoas Idosas que escolheram e realizam a atividade saudável que é o Voluntariado de Proximidade, junto das pessoas em situação de vulnerabilidade ou carência, modo particular para que todos tenhamos melhor saúde e mais vida.

28 de setembro de 2013, a Direção da FNVS.

domingo, 22 de setembro de 2013

Comunicação da Federação Nacional de Voluntariado em Saúde ao 1.º Congresso – SNS Património de Todos, com realização na Aula Magna em Lisboa, a 27 e 28 de setembro de 2013:

Exmo/a. Sr/a.
Presidente da Mesa do 1.º Congresso – SNS Património de Todos
Exmos/as. Srs/as.:
Congressistas, preletores e convidados

O Serviço Nacional de Saúde é um dado adquirido, e uma alma que se entranhou no tecido social e humano de Portugal, devendo por isso, ser publicamente reconhecido o seu papel fundamental “na melhoria contínua do estado de saúde da população”, sendo que ele mesmo “se assume como uma realização ímpar do regime democrático em Portugal, tendo contribuído para uma forte diminuição das taxas de mortalidade e de morbilidade e para o aumento da esperança e da qualidade da vida da população (…) posicionando o SNS como um bom exemplo a nível mundial”. Logo, conjunto de boas práticas que promovem cidadãos saudáveis e felizes.
A Federação Nacional de Voluntariado em Saúde saúda o SNS e naquilo que é o seu múnus, pugna e trabalha pela sua defesa, nomeadamente por via da participação na vida e na atividade das Unidades de Saúde – Cuidados de Saúde, Primários, Cuidados Hospitalares e Cuidados Continuados e na Comunidade, proporcionando assim, a participação dos cidadãos no SNS.
O Voluntariado em Saúde é um bem imaterial muito valioso e sério que deve ser tratado com a melhor sabedoria e o maior amor, qual atualização permanente da parábola do Bom Samaritano. Essa é diariamente, a postura e a prática de milhares de voluntários, homens e mulheres de boa vontade, nos inúmeros espaços e ambientes das Unidades de Saúde de Portugal. Essa postura e essa prática, que não raras vezes, são a única possibilidade dos clientes do SNS encontrarem “um ombro amigo” e a disponibilidade gratuita para a escuta e para dizerem o que lhes vai na alma e encontrarem conforto e ânimo com vista a enfrentarem as suas situações de doença, de dependência e de vulnerabilidade física, mental ou espiritual.
No tempo presente, são muitas as Organizações que integram voluntários no campo da saúde. A Federação Nacional de Voluntariado em Saúde integra uma porção delas, em boa parte do país e do SNS.
A Federação Nacional de Voluntariado em Saúde – FNVS, tem a missão de integrar, representar, promover o quadro de valores comuns, preservar a identidade e o voluntariado, e defender os interesses, das Organizações Promotoras de Voluntariado em Saúde e das Organizações Representativas de Voluntários do Campo da Saúde, suas associadas, com domicílio fiscal em Portugal; e desenvolver e alargar a base de apoio social no que concerne à mobilização para o Voluntariado em Saúde e à melhoria dos serviços que se prestam aos beneficiários, com envolvência da comunidade.
Sobre a sua origem, considera-se que ela se pode começar por situar em maio de 1992, aquando da realização em Lisboa, de um Encontro de Ligas de Amigos de Voluntariado Hospitalar, promovido e convocado pela então Direção-geral dos Hospitais / Ministério da Saúde.
Num segundo tempo, em 2003, quando cerca de 30 Organizações de Voluntariado em Saúde se reúnem a 19 de julho no Porto e a 28 de novembro em Fátima, onde é registada a afirmação de que “o Voluntariado em Saúde não está representado na Comissão de Saúde / Conselho Nacional para a Promoção do Voluntariado, porque não se encontra organizado em uma Federação” e na sequência disso, se dão logo os primeiros passos no sentido da formalização da ideia em Personalidade Jurídica, com o envolvimento e a liderança da presidência do Conselho Nacional para a Promoção do Voluntariado e da Comissão Nacional da Pastoral da Saúde, e da Responsável do Departamento do Voluntariado em Saúde da mesma Comissão, Dra. Maria Teresa Salgado de Morais, simultaneamente, presidente da Associação do Voluntariado do Hospital de S. João – Porto.
Num terceiro tempo, em 2005 e 2006, quando na Comissão para o Voluntariado no Domínio da Saúde / Conselho Nacional para a Promoção do Voluntariado, é evidenciada a importância da representatividade do setor do Voluntariado Hospitalar na dita Comissão, e em que a presença do referido setor naquela, por escolha, era assegurada pela, já citada, Dra. Maria Teresa Salgado de Morais, e por quem a secundou na presidência da Associação do Voluntariado do Hospital de S. João – Porto. Ainda neste período, foram aprovados na citada Comissão e por unanimidade, os Estatutos da Federação, e entregue a liderança do processo em ordem à legalização, à já referida Associação do Voluntariado do Hospital de S. João – Porto, que conduziu, até 2007, à inscrição no Registo Nacional das Pessoas Coletivas, à celebração da Escritura de Constituição, à formação da Comissão Instaladora, e à realização do primeiro ato eleitoral a 26 de maio de 2008.
A criação da FNVS aconteceu a vinte e um de maio de 2007, data da celebração da escritura de constituição, com onze Organizações fundadoras (AVHSJoão - Porto, a LAHCascais, a LAHSTirso, a LAHDChaves, a AVHSJDFamalicão, a AHCMPia - Porto, a LACHGaia, a LAHEspinho, a LAHOvar, a LAHSAntónio - Porto e a AVASOCIAL – Entroncamento), tendo o pedido de admissão da denominação, sido apresentado no Registo Nacional das Pessoas Coletivas, a 14 de fevereiro imediatamente anterior; e os Estatutos publicados na edição do Diário da República – 2.ª Série – N.º 245 de 20 de dezembro do mesmo ano.
Hoje, a FNVS integra quase meia centena Organizações de Voluntariado e de Voluntários do Campo da Saúde, (correspondendo a cerca de 54.410 membros e 9.840 voluntários de ação direta).
A FNVS presta às associadas, os Serviços de Consultoria Jurídica, em Contabilidade e Fiscalidade, e em Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho, Serviços de Seguros de Acidentes Pessoais para Voluntários, para Dirigentes Voluntários e para participantes de Atividades, e Responsabilidade Civil; e ministra Ações de Formação para qualificação de voluntários e de gestores de voluntariado, tendo para o efeito, uma Bolsa de Formadores, constituída. Tem parcerias firmadas com Entidades públicas e privadas que permitem a realização dos seus objetivos, e os das suas associadas.
A APVS – Agência Portuguesa para o Voluntariado em Saúde, é um serviço da FNVS para a relação com os cidadãos e com as instituições que funciona on-line, e permite a obtenção de informação, a realização de candidaturas, a consultoria, a inscrição em atividades e a obtenção de produtos.
Apesar dos escolhos e de por vezes a semente não cair em boa terra, é convicção da Federação Nacional de Voluntariado em Saúde que ela mesma, é o caminho da organização do Voluntariado em Saúde em Portugal, mesmo para além do SNS e das diferenças ideológicas e doutrinais que possam enformar diversos coletivos de voluntários.
A prática do voluntariado no campo da saúde por cidadãos com origem na sociedade civil, de modo disponível e gratuito, revela-se desde cedo e sempre, como a ferramenta mais própria e apreciada que envolve verdadeiramente os cidadãos na vida do SNS, modo particular de contributo para que todos tenhamos melhor saúde e mais vida. Incrementemos isso mesmo.
Para além da disponibilidade e da gratuidade, deve-se cada vez mais dar atenção a aspetos como a complementaridade e o papel que efetivamente devem desempenhar os voluntários e os outros colaboradores das Unidades de Saúde, com vista, por um lado, à não existência de confusão de papéis, e por outro, por respeito aos direitos, à participação e ao trabalho, não se proporcionando situações que possam configurar uso indevido do contributo dos voluntários, como mão de obra gratuita.
Termino desejando votos do maior sucesso para o 1.º Congresso – SNS Património de Todos, Às personalidades envolvidas na organização vão os meus votos de satisfação pelo evento realizado.
Bem-hajam!

Porto, 27 de setembro de 2013
João António Pereira

Presidente da Federação Nacional de Voluntariado em Saúde